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Hostel de Sonho

O hostel onde tive a felicidade de ficar alojado em Pingyao (Yamen hostel) foi possivelmente o melhor de sempre desde que comecei a viajar (e não falo apenas desta viagem).

             

staff é prestável, simpático e está lá para nos ajudar a resolver as nossas dúvidas ou questões. Fica super bem localizado, mesmo no centro da cidade antiga, junto à Torre de Tingyu e o ambiente é excelente! 🙂 O local, era a antiga residência do governador (na altura da dinastia Ming) e desenvolve-se num complexo de múltiplos pátios que desembocam noutros pátios (à semelhança do que se passa em toda a cidade). Os quartos localizam-se nesses espaços e funcionam como unidades separadas, uma vez que têm casas de banho interiores individuais. Na zona da receção, que é simultaneamente sala de jogos (mesa de snooker e jogos de tabuleiros), café e sala de estar, as almofadas em tons vermelho-vivo, as bandeirinhas penduradas, a madeira do tecto e mobiliário, as fotografias nas paredes, conferem um estilo próprio ao lugar, tornando a envolvente acolhedora e bastante confortável para nos sentarmos calmamente a ver o movimento de uma das rua principais. E tudo isto ao preço da chuva: 20Y (cerca de 2,50€)! Por todos estes factores a experiência no Yamen foi ótima e memorável. Xiè Xiè! (Obrigado)

              

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Percorrendo a Muralha

No segundo dia em Pingyao, decidi percorrer todo o perímetro da muralha, qualquer coisa como seis quilómetros. No portão Norte subi as escadas de acesso, comecei a “deliciar-me” com as panorâmicas, tanto interiores (“cidade velha”) como exteriores, fui andando com “dranquilidade” e aproveitei para tirar umas fotografias.

          

          

Quando cheguei ao portão Sul comecei a ver uns cartazes (claro que incompreensíveis para mim) mas segui adiante até dar de caras com…uma vedação! Aí confirmei o motivo de tanta algazarra sinalética, uma vez que na China, quando se vê tal “fenómeno” geralmente não é bom pronúncio. 😛 A muralha a partir daquele ponto estava fechada. Desci até ao nível do solo, mas estava insatisfeito. Apenas tinha percorrido meio caminho, queria mais.

           

Decidi por isso continuar o percurso o mais colado à fortificação que conseguisse até dar a volta completa, mas houve uma ou duas zonas em que tal foi impossível, devido a obras de requalificação. Nesta segunda meia volta, e agora ao nível da base, vi bairros menos clean e mais autênticos e a partir desse momento baptizei Pingyao como “A Cidade das Texturas”.  Aqui as paredes das casas estão cheias de profundidade, o que dá às ruas um aspecto verdadeiro e não “mumificado”. Aqui junto à muralha, cheira a real, não cheira a turístico, e os habitantes dão a vida necessária ao quadro. Aqui, “A Cidade das Texturas” revela-se, ao contrário de outras paragens que não são mais que naturezas mortas.

Pôr-do-Sol

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Primeiro Dia em Pingyao

Que cidade é esta? Pelas descrições que fui lendo, Pingyao é possivelmente a cidade muralhada mais bem preservada do país, está classificada como Património Mundial pela UNESCO e localiza-se na província de Shānxī, a 800 km de Pequim e aproximadamente a 500 km de Xi´an. Esta foi a parte teórica, agora vamos à prática.

À chegada e quando o relógio marcava as 7.30, fui recebido por um frio de rachar. Sem mapa para me orientar e com umas indicações manhosas (providenciadas pela internet), aproveitei a “boleia” de um rebanho de franceses que iam na mesma direção e após dois dedos de conversa percebi que se deslocavam para o meu hostel. Ora cá está: o Zé tuga volta a ter sorte! 🙂 Depois de uma deambulação de quinze/vinte minutos lá o encontrámos. Depois de efectuado o check-in e de ter largado a bagagem na minha “suite” (onde ninguém dormiria naquela noite a não ser eu) parti à descoberta da cidade.

       

Ao percorrer as ruelas do burgo a caminho da residência da família Jin, fico com a sensação de ter recuado até aos tempos da China Imperial, com as suas casas com paredes de tijolo ou terra, caminhos cobertos de pó, pequenas lojas de ofícios e uma atmosfera silenciosa. 😀 Após a visita, dirigi-me ao magnífico Templo de Confúcio e na entrada, comprei um bilhete global, válido por três dias e com o qual se pode entrar em quase todos os locais turísticos. Segui junto à muralha até à zona do Portão Este e nas proximidades vi uma igreja católica e o Templo de Cheng Huang, outro local extasiante.

      

Só ao percorrer a Rua Sul é que comecei a perceber quão turística Pingyao pode ser: inúmeras lojas de quinquilharia barata a fazer-se passar por antiguidades; restaurantes com preços altamente inflacionados; hotéis; cafés e bares com “boa-pinta”. Nesta rua, visitei a torre do mercado onde acabei por ter uma visão mais panorâmica da cidade e algumas das inúmeras casas museu com os seus pátios espectaculares. Na Rua Este, continuei a visita às casas museu e nas imediações da muralha visitei o Templo de Qing Xu, que segundo as indicações na entrada é o único templo taoísta do mundo aberto ao público e onde vi a minha primeira partida de Xiang Qi (xadrez chinês).

Torre do Mercado      

Já no fim da tarde e após ser brindado com o laranja intenso do pôr-do-sol, havia que terminar o dia, e para terminar em beleza, nada como terminá-lo à mesa. O problema, vá, o ligeiro problema, é que o prato que me saiu em sorte no “jogo da roleta russa” foi de comer pouco e chorar muito…Era picante, picante, picante! O repasto consistia em rins de porco e couves que boiavam num líquido cor de sangue acompanhados por um mar de malaguetas vermelhas e de grãos de pimenta preta. Um espectáculo estrondoso, que tornou o primeiro dia em Pingyao num dia de extremos e me fez passar do gelo da manhã, para o intenso fogo da noite. 😛

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Palácio de Verão, essa Maravilha

Depois do dia anterior ter sido hiper turístico, nada melhor que manter o ritmo. Assim e aproveitando o dia solarengo, os meus passos dirigiram-se ao metro que por sua vez me transportou até às imediações do Palácio de Verão.

      

Lago no Palácio de Verão

Em Pequim e excluindo a Muralha da China, este foi o local que mais prazer me deu a visitar. E porquê? Bem primeiro de tudo é um local magnífico e maravilhoso, o enorme lago a verde floresta. Segundo, o seu interior está cheio de locais verdadeiramente singulares – por exemplo, a Torre da Fragrância de Buda com a sua espectacular e imponente escadaria. Terceiro, o binómio: ponte/lago gelado. Quarto, comer sentado na escadaria nas proximidades da entrada Norte. Quinto, o dia super alegre e solarengo. Sexto… Sétimo… Enésimo… podia continuar, mas penso que já perceberam a ideia geral! 😉

    Torre da Fragância de Buda       
    O grande lago       

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Mercado de Rua

          Mercado de rua (4)

Mercado de rua (2)

Mercado de rua (3)        Mercado de rua (5)

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Wangfujin

Wangfujin            

             

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Pequim Pintada de Branco

Depois do dia anterior ter acabado tardíssimo, fruto da conversa e apesar de todo o calor da partilha, Pequim não se compadeceu e acordou cinzenta, gelada… e pintada de branco! É verdade! Neve em Pequim, não é um acontecimento assim tão tão comum, uma vez que apesar das temperaturas no Inverno serem bastante baixas a precipitação é muito pouco frequente.

Nas imediações da Igreja

Assim no meu quinto dia na cidade, recebi mais uma prenda e tive a oportunidade de ver a cidade a mostrar-me mais uma das suas múltiplas facetas, a faceta pura e límpida da neve – pelo menos durante algumas horas – até esta começar a derreter-se no solo cru da cidade Imperial.

O outro lado da Igreja

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Festival da Lanterna ou Seria Festival do Kabum?

Quando sai do Templo do Céu os meus pés tomaram a direção de Qianmen. Porém, ao passar por uma rua pedestre, reparei que o chão estava coberto de papéis vermelhos e cartuchos e lembrei-me que era dia do Festival da Lanterna, um dia de celebração.

     Ignição        

Continuei a deambular e durante o trajeto optei por enveredar por uns hutongs, afinal, se ainda existe China tradicional em Pequim é dentro destes labirintos de ruelas, que ela se mantém viva. Ruela para a esquerda, ruela para a direita, quando cheguei a uma avenida à Pequinesa (larga e extensa até perder de vista) decidi consultar o mapa e a bússola. Porém… o rapaz acha que a bússola está equivocada! E se a bússola aponta o Norte numa direcção, o rapaz, olhando em volta, dirige-se para Sul convicto que está a ir para Norte. Moral da história?! Em vez de andar quinze minutos na direção certa, perde meia hora por casmurrice e aprende uma regra de ouro (coisa de senso comum, mas o rapaz precisa de exemplos práticos): “Não sei mais do que a bússola”. 😛

Destroço+..

Chegado a Qianmen, multidões e lanternas estavam em simbiose. Se por um lado, pessoas circulavam em todas as direcções, por outro, milhares de lanternas vermelhas estavam espalhadas por todo o espaço e em cada recanto. As ruas eram um espectáculo frenético de movimento e cor. Quando a noite caiu, estando já nas imediações do hostel, fui então assaltado pela dúvida. Estaria realmente no dia do Festival da Lanterna? De um momento para o outro, só se viam foguetes a brilhar e a soltar faíscas, cartuchos de bombinhas (umas maiorzinhas) a estalar por todo o lado, enchendo as ruas dum barulho ensurdecedor e dum fumo espesso que subia pelas ruelas e vielas e me fez equacionar que este dia deveria ser rebatizado para Festival do Kabum. 😀

              Fréneticos

Os famosos foguetes

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Templo do Céu

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Mentira Inocente no Hotel Pequim

Novo dia, novos destinos. Após o repasto da noite anterior, nada como começar o dia com uma refeição leve. Arroz (mifan em chinês) e carne de porco cozinhada duas vezes (basicamente a bela da entremeada/talisca é frita duas vezes e fica estaladiça) – um pitéu. Do hostel dirigi-me até ao famoso Hotel Pequim que ficava ali nas imediações e durante o caminho “bolei” um plano para me conseguir infiltrar dentro do mesmo e circular à vontade.

Hotel Pequim 1

Entrei no átrio e dirigi-me à recepção, onde pedi para falar com o responsável do estabelecimento. Aí contei-lhe que era um escritor de viagens que estava a fazer um artigo sobre o hotel e perguntei-lhe se havia problema em andar pelo mesmo. Claro que não houve problema nenhum e a partir desse momento ganhei o meu bilhete dourado para vagabundear sem qualquer entrave.

Hotel Pequim 2

O hotel está dividido em três áreas distintas tanto exterior como interiormente, tanto que parece que estamos não num mas em três hotéis diferentes. Quase todo o hotel está forrado com mármore (detalhe relativamente óbvio uma vez que é um hotel de 5*) e a primeira área é sóbria com discretos apontamentos de cultura chinesa. A segunda área é mais moderna: vidro, pedra, aço e formas mais dinâmicas. A terceira área e a minha preferida é a que mais espelha a cultura chinesa e pequinesa: colunas trabalhadas e douradas, tectos brancos com detalhes em dourado, verde e azuis discretos e uma iluminação mais mortiça, mas mais romântica. Ao sair do Hotel Pequim estava bastante feliz com a visita e com a mentira ”bolada” e ao pensar no assunto, o que eu queria mesmo é que a mentira se transformasse em realidade. 😉

Hotel Pequim 3