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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Tigres e Escoceses

Ato II – O Trekking

Quando começámos o trekking, já todas as outras pessoas tinham desaparecido montanha acima à muito tempo. 🙂 Assim que começámos a subir, não perdemos tempo e reiniciámos a conversa, o ritmo era rápido mas não forçado e ao longo do trilho fomos fazendo pequeníssimas pausas para tirarmos fotografias à paisagem, que era cativante, mesmo com o céu muito cinzento e pardacento. O rio verde, os campos de cultivo em sucalcos, as nuvens, as montanhas escuras pontuadas aqui e acolá com neve.

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Durante o trilho fomos constatando que o mesmo, estava muito mal marcado e que as setas vermelhas que indicavam supostamente a direção, estavam muitas vezes localizadas em locais completamente descabidos de sentido! 😛 O que volta e meia nos fazia perder tempo. O caminho desenvolvia-se em terreno seco e rochoso e em alguns locais podia-se sentir o declive a aumentar e observar-se algumas faces bastante abruptas. Para além disso, havia pessoas a tentar fazer negócio: vendiam comida, “ofereciam” cavalos para transportar as mochilas e algo que eles diziam ser marijuana! “Eh lá! Marijuana na China!? Andamos muito desenvoltos.” 😛

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Aos poucos e poucos o tempo foi melhorando e já se começava a ver os raios de sol a furar as nuvens, o céu azul e a própria montanha a ficar mais verde. Quanto a nós? Bem, continuámos a fazer aquilo que melhor sabemos fazer: falar, falar, falar… tirar fotografias… falar, falar, falar. 😀

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Quando estavámos quase a atingir a cota máxima do trekking – 2670 m  encontrámos uma tabuleta afixada, que tinha escrito em tinta vermelha: “One Photo, 8Y!” E nós claro, quais ordeiros e bons escuteiros não perdemos a oportunidade para gozar com o aviso e neste estado de espírito de algazarra, atingimos o “pico”. Aqui vimos montanhas cinzentas, verdes e castanhas, a luz e a sombra a partilharem a paisagem, o céu azul e a corrida veloz das nuvens brancas. 🙂

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Ao começarmos a descer a paisagem mudou radicalmente e o trilho de castanho passou a verde, com árvores e bambus a espreitarem a cada passo. Volta e meia viam-se túmulos cobertos de dinheiro falso – para dar sorte – os bambus começaram a amarelar, a “garganta” a afundar e o rio a ganhar força. Nesta altura, ultrapassámos muitas pessoas e ficámos admirados com tal facto, uma vez que a nossa partida tinha sido feita com pelo menos duas horas de atraso! E mais admirados estavámos com a paisagem, uma vez que a montanha não parava de mudar constantemente ao longo do percurso. Agora viam-se aldeias, vedações e cercas em madeira, molhos de feno dourado e tudo isto com a presença do céu azul que veio para ficar e nos acompanhou até chegarmos ao nosso destino

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Tigres e Escoceses

 Ato I – Identificações

Na chegada à pequena e feia vila que serve de base e ponto de partida para o desfiladeiro, o nosso motorista parou o autocarro no meio da estrada. “É tudo à grande…”, pensei, porém a resposta para tal comportamento foi-me dada muito rapidamente, pois em menos de um minuto, um funcionário diligente já estava dentro do autocarro a vender bilhetes para o Tiger Liping Gorge! “Eh lá! Isto é que eficiência para o negócio”. 😛

IMG_5739 (FILEminimizer)Ainda hoje, continuo sem saber como aconteceu, mas sem dizermos nada decidimos fazer o trekking juntos. Antes de nos fazermos ao trilho, fomos até à Jane´s Guesthouse, onde ele guardou tudo o que não ia precisar e ai tomámos o pequeno-almoço. Porém e fruto da conversa, o tempo estendeu-se, esticou-se, alongou-se… e falámos, falámos, falámos.

IMG_5736 (FILEminimizer)Fiquei a saber que se chamava Andy, que tinha quarenta e poucos anos e que devido a questões de saúde não podia (queria?) ter esposa, filhos, família. Também não queria criar laços amorosos e falou que a única coisa que lhe restava era a sua liberdade. Fiquei a saber que durante os últimos cinco anos trabalhou que nem um escravo, para juntar o máximo de dinheiro e que sua vida foi toda canalizada nesse sentido: “Valeu a pena. Comprei a minha liberdade.” “F#$%-&£! Que resilência é esta? Que “gajo” é este!?” E de algum modo identifiquei-me com ele e senti que me estava a olhar ao espelho. O reflexo é que estava uns anos mais velho. 😀

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Lijiang – Tiger Liping Gorge. Homem Mistério

Na viagem para o “Tiger Liping Gorge” e apesar da estrada estar bastante esburacada, aproveitei para escrever no diário, para observar a paisagem: o verde, os pinheiros, o rio, algumas montanhas, campos de cultivo… e para falar com um homem que estava no meu quarto na noite anterior. Da curta conversa fiquei a saber que era Escocês e que metade da sua pequena mala era composta por livros! Sujeito curioso este… 

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Crónicas Fotografia

Último Grande Passeio, My Friend?

No dia anterior e antes nos deitarmos, o Xiaoling transmitiu-me que iria ficar em Lijiang durante os próximos quatro dias. Motivo? Tinha que esperar por uma amiga e ao mesmo tempo iria aproveitar para descansar. Confesso que não fiquei triste com o facto, uma vez que já existia algum cansaço mútuo acumulado e com toda a lógica estava a chegar a hora da despedida!

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Nesse dia passeei com o Xiaoling e tive a plena consciência que estávamos a ter possivelmente o nosso último dia juntos. Primeiro, passeámos em Lijiang mas fora da zona histórica e o que vimos foi uma cidade normalíssima mas que continuava a dar a sensação de pequena vila.  Apanhámos então o autocarro Nr. 11 que nos deixou “à porta” de Shuhe, uma aldeia que fica a cinco quilómetros do centro e que é bastante turística. Tal como em Lijiang o negócio do turismo está completamente implementado e enraizado na vida desta aldeia histórica: comércio, restaurantes, bares, cafés e hostels dominam quase todas as fachadas e os turistas acorrem aqui como enxames de abelhas. 😛 Porém ao circular nas suas ruas e ruelas foi-me possível apreciar o verde da paisagem, os canais que muitas vezes servem de lavadouros ou frigoríficos, as hortas, os músicos de rua e com os quais tive a oportunidade de “batucar” uma música, o sol e as nuvens, os desenhos feitos por estudantes e aspirantes a artistas e claro… pousar para a fotografia com uma chinesa trajada a rigor.

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Quando saímos de Shuhe, finalizámos o nosso passeio na zona “velha” de Lijiang primeiro de dia, onde continuámos o passeio do dia anterior. À noite e não houve melhor dia para tal, houve um jantar convívio com uma das chinesas que esteve connosco em Niubeishan, com o seu namorado e com um rapaz chinês que conheci em Qiong Hai e que gostava de filmes italianos. 🙂 Depois de jantar foi possível observar o transformismo da cidade e apreciar a iluminação nas fachadas, as incontáveis lanternas e o movimento incessante e frenético das pessoas que por lá passeavam.

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Lú gū hú – Lijiang. Por entre curvas, pinheiros e cantorias

Antes de partirmos, tivemos uma hora à espera que o autocarro acabasse de ficar lotado e só então seguimos viagem. Durante a mesma aproveitei para escrever no meu diário na medida do possível, pois a estrada estava em obras e serpenteava por vales e montanhas de terra seca onde despontavam pinheiros, muitos pinheiros…incontáveis. Na entrada a província de Yúnnán parecia o país dos pinheiros. 🙂

IMG_5418 (FILEminimizer)Para “adoçar” a viagem passámos nas imediações do rio Jinshan e a paisagem revelou-se deslumbrante, uma vez que no meio das áridas montanhas podíamos observar agora um misto e um novo contraste de verdes e azuis. Para terminar o relato da viagem, refiro apenas que houve interpretações a bordo, sendo todas as pessoas “obrigadas” a cantar e a desafinar, e eu vi-me “forçado” a cantar o Homem do Leme e a deixar os chineses de ouvidos em bico. 😛

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O Magnífico Lú gū hú

Ato VI – Incompreensões

Assim que chegámos ao centro da vila, começámos a indagar os preços e os horários para partirmos para Lijiang, porém como não encontrámos nenhuma proposta que nos interessou, fomos andando pela rua principal, quando… reencontrámos o motorista que não tinha esperado por nós! O Xiaoling dirigiu-se a ele, começaram a falar e passado um minuto estavam a andar na mesma direção. Perguntei-lhe o que se passava e ele respondeu-me que o motorista não sabia que tinha de esperar por nós e que este autocarro era o melhor meio para chegarmos ao nosso destino: “It is cheap”. Nesta altura só pensava, “como que ele não está f$#%£§ com o motorista!?” e resolvi por uma pedra no meu orgulho e no assunto, uma vez que estou num país diferente e do qual desconheço a cultura e os códigos de conduta. Durante o pequeno-almoço e antes de embarcarmos, tentei explicar-lhe que tinha de falar comigo e que era importante para mim perceber um pouco os seus planos. Ao que ele escreveu no seu telemóvel: “Tu não percebes, a maneira de pensar chinesa.” Pois não my friend, grande verdade! E contigo a sonegar informação, ainda menos! Xièxie (謝謝)! :/

Reflexão: O que é inaceitável num país, pode ser perfeitamente aceitável noutro. Tal como as pessoas são todas diferente e têm diferentes características, o mesmo se passa com os países.

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O Magnífico Lú gū hú

Ato V – Saturação!?

Inicialmente estávamos para ver o nascer do dia, mas quando acordámos o tempo estava completamente encoberto e depressa decidimos ficar a dormir até às 8.00, ou melhor tentar… uma vez que as escarradelas do dono do hostel, os passos no piso de cima e o som de orações que me soavam a muçulmanas mas que depois percebi serem budistas, tiveram o condão de me manter acordado. 😛

Já na saída do hostel tivemos um imenso golpe de sorte. Do nada, apanhámos um autocarro que ía para Lijiang e os autocarros para este destino partem sempre de Luòshui que fica na outra margem do lago, a mais de quarenta quilómetros de Xiaoluoshui, onde pernoitámos. 🙂 Como tínhamos os monstrinhos a dormir em Lǐgé, falámos com o motorista para ele aí fazer uma paragem, ao que ele respondeu que não havia problema nenhum, uma vez que a vila já estava agendada para uma breve mirada turística. Assim que autocarro parou, aproveitámos e seguimos colina abaixo até ao posto de turismo, onde recolhemos a nossa “cruz” e subimos a colina das urzes, não não era o monte das oliveiras, mas quando chegámos ao “cume” tivemos a nossa “crucificação”. Quando estávamos mesmo, mesmo a chegar ao topo da colina vimos o autocarro a arrancar. Depois de todo o esforço dispendido na descida e ascensão, morremos na praia e nesta história não houve ressurreição. :/

Fiquei chocado! E só conseguia articular a palavra “M#$%&”/@£§*+!” Nesta altura, o Xiaoling também estava um bocado atarantado, mas entretanto dirigiu-se a uns turistas com os quais encetou uma breve conversação e num ápice já estávamos dentro de um carro em perseguição ao autocarro. Porém… foi sol de pouca dura, no cruzamento para  Lǐgé o carro estancou e nós tivemos que seguir a pé, estrada acima. E percebi, que afinal a “perseguição” que eu idealizara era apenas uma quimera dourada e que a realidade era bem distinta. Estávamos nas imediações de Lǐgé, a mais de trinta quilómetros de Luòshui, carregados como jumentos e topograficamente tínhamos de continuar a subir, durante pelo menos mais um par de quilómetros. Esta era a nossa realidade!

Metemos os pés à estrada e antes de conseguirmos apanhar uma nova boleia, que nos levou diretamente até ao centro de Luòshui e terra prometida para seguirmos para Lijiang, ainda tivemos de andar mais de quarenta minutos. Durante esse breve período, ainda deu para ter o meu terceiro momento Lost in Translation do fim-de-semana com o Xiaoling. Aqui a situação resume-se comigo a dizer-lhe a minha ideia (escrevermos o nosso cartaz com os caracteres Lijiang, uma vez que já estávamos em andamento e podíamos aproveitar para ir pedindo boleia) e a perguntar-lhe qual o seu plano várias vezes e com ele mudo como um rochedo! Pior que não ouvir nada, foi nem sequer ver um esboço, uma tentativa. Nesta altura estava f#$&@£! E só pensava: “Nunca mais chegamos a Kunming (local da nossa separação)! Estou farto, fartinho de ti e dos teus silêncios…Saturas-me!”

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O Magnífico Lú gū hú

Ato II – No Rebanho

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No meio de não termos local para pôr a bagagem, a estória do dia continuou quando apareceu uma carrinha turística com um condutor e três raparigas a bordo, que estava a dar a volta ao lago e a parar nos pontos mais cénicos. Quando saíram da carrinha, o Xiaoling foi falar com elas e como queríamos ir para Lǐgé, e podíamos em qualquer momento mandar parar a carrinha, aceitámos o “convite” que elas nos endereçaram e seguimos viagem – as carrinhas que andam à volta de Lú gū hú em passeios turísticos têm a tarifa fixa de 200Y e quanto mais cheia a carrinha estiver, menos paga cada ocupante – ou seja, o “convite” das raparigas não foi genuíno, tratou-se sim de uma forma de baixar o preço a pagar por cada uma delas. 😛 Poucos quilómetros depois de sairmos de Luowu, apanhámos mais duas ocupantes, o preço da viagem continuou a baixar – nesse momento, o valor já se cifrava em 28Y por pessoa – e a quantidade do rebanho a aumentar. 😉

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Partímos então em direção a Zhawoluo e durante a curta viagem vi uma zona do lago de águas mais paradas e rasas, que davam a noção da existência de pequenas ilhas. Quando chegámos à aldeia, esta era completamente dominada pelo turismo: passeios a cavalo e de pónei, vendedores de postais e de imitações baratas de artesanato, bancas de comida com preços inflacionadíssimos, enfim nada de interessante. Porém e felizmente, bastava sairmos vinte/trinta metros do trilho para observar uma face mais rural com campos de cultivo, barcos a recolher vegetação, árvores, flores delicadas e camponeses nos seus afazeres. 🙂 No final da aldeia cruzámos a ponte do matrimónio e na outra margem do lago voltámos a dar de caras com bancas de comida, desta feita com “manjares” exóticos, sendo o sapo  pronto para virar churrasco – uma das iguarias. 😛

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Daí rumámos a Shekua, onde entrámos oficialmente na província de Yúnnán e sem grandes delongas seguimos para Sanjia. Aqui, fizemos uma paragem mais prolongada para dar um “tradicional” passeio de barco em que os remadores de serviço eram maioritariamente mulheres e que vestiam trajes aparentemente tradicionais. Do cais partimos em direção à ilha de Liwubi (tartaruga) e durante o trajeto pudemos ver pássaros brancos que “atacavam” ao primeiro sinal de comida na água e o imenso lago azul petróleo a transformar-se progressivamente em verde azeitona e nas margens a ficar transparente. 🙂 Quando desembarcámos na ilha, recebemos a indicação que tínhamos aproximadamente trinta minutos para a visita e desse modo aproveitámos o pouco tempo disponível para ver a pequena ilha, mas principalmente o seu bonito templo budista. Quando findou esse tempo, voltámos ao barco e fomos conduzidos de regresso a Sanjia onde o nosso “jarbas” nos aguardava.

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Em Luòshui, a refeição degustada em rebanho e graças às nossas companheiras de viagem que comiam como piscos, eu e o Xiaoling pudemos comer mais à vontade. 🙂 Esta aldeia revelou ser maior que as anteriores e aqui verificámos que o autocarro para Lijiang – nosso próximo destino – partia a múltiplas horas com particular incidência na manhã. Até Lǐgé, foi um pulinho e nesse trajeto em que fizemos três paragens bastante rápidas, fruto dos aguaceiros intensos, pude observar as profundas mudanças no lago. A topografia do terreno alterou-se radicalmente e passámos de planícies para montes e vales, a cor do água também mudou e os azuis e verdes ficaram ora  mais esbatidos ora mais profundos. Na chegada a Lǐgé pagámos ao nosso “jarbas” e balímos a despedida. 😀

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Magnífico Lú gū hú

Mas afinal o que é Lú gū hú? Lú gū hú é um grande lago que se localiza e separa as províncias de Sìchuān e Yúnnán. Dois terços da sua vasta área localizam-se em Sìchuān e o restante terço em Yúnnán. Este lago é a casa de múltiplas vilas de diferentes etnias: Tibetana, Yi e Mosu (a última sociedade matriacal praticante do mundo). 😀


Ato I – O Nascer do Dia e da Discórdia

Na pequena vila de Luowu onde dormimos, acordámos muito cedo para ver o despontar do novo dia e este maravilhou. 🙂 O lago como espelho perfeito das nuvens e da cor do céu, as montanhas recortadas no horizonte, a cor em transição, desde os azuis, cinzentos e pratas até aos desmaiados rosas e dourados vivos, os barcos, a vegetação circundante, a neblina suave, os “nativos” nas suas rotinas piscatórias.

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Entretanto o Xiaoling voltou ao quarto para dormir mais um pouco e eu aproveitei para ler algumas coisas sobre o país, fazer a barba e re-arrumar a mala. Quando voltou a acordar disse que íamos mudar de hostel com o argumento: “Aqui não há pessoas”, fiquei confuso mas acabei de empacotar a mala e fizemos o nosso check-out. Junto ao lago e porque não percebia as suas intenções e ele também não as conseguia explicar (o Xiaoling tinha um inglês praticamente inexistente e a nossa conversação era feita 99% das vezes com recurso à tradução de mensagens no seu smartphone) estava bastante irritado com a situação por ele criada. Naquele momento, estávamos os dois na rua de “monstrinho” às costas e sem um plano, pelo menos era isso que sentia. :/ Com muitas dificuldades na comunicação e vinte minutos volvidos, lá nos conseguimos entender e finalmente percebi que a sua ideia era dormir em Lǐgé, aldeia que se localizava na outra margem do lago e que ficava “apenas”, a mais de quarenta quilómetros de distância.

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Xichang – Lú gū hú. Viagem Infinita.

Depois do pequeno almoço e ainda cedinho “fugimos” do hotel carunchoso e tentámos apanhar boleia para Yan Yuan. Porém, cedo se percebeu que não iria ser tarefa fácil, pois ao sair da cidade nem os “nativos” sabiam muito bem qual a melhor estrada para o fazermos. Bonito! 😛 Desse modo e após uma hora de espera, fomos forçados primeiro, a apanhar um autocarro para fora de Xichang e depois e devido à falta de carros nessa estrada, a apanhar um segundo autocarro para Yan Yuan  cento e trinta quilómetros.

IMG_4856 (FILEminimizer)Durante a viagem que nos levou por vales e montanhas e de um dia de sol para um dia de chuva, para além da paisagem, consegui ver a vida real do país a desfilar à minha frente qual filme. E uma das minhas “cenas” preferidas foi ver as crianças a sair da escola numa alegre algazarra e se não fossem as suas feições poderia dizer que estava em Portugal, tais as semelhanças. 🙂 Outro facto que ressalvo foi a loooooooooooooonga espera, mais de duas horas, devido a um mega engarrafamento que tinha quilómetros e quilómetros e quilómetros de extensão e que foi gerado por obras na estrada – uma única faixa para ambos os sentidos!

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Nesse engarrafamento, aproveitei para comer os bolos secos que comprámos antes de embarcar, noodles instantâneos e ovos cozidos que foram comprados à posteriori a vendedores ambulantes. Continuei a escrever no caderno e principalmente fiquei “siderado” com a qualidade dos filmes de Kung-Fu do tempo da Maria Caxuxa, que estavam a passar no autocarro. Ai! As “barbaridades” que uma pessoa encontra. 😛

IMG_4874 (FILEminimizer)Quando chegámos a Yan Yuan fomos largados num terminal secundário e quando estávamos a caminho da estação principal para rumarmos finalmente para Lú gū hú, uma carrinha de nove lugares estancou ao pé de nós e o condutor perguntou ao Xiaolong para onde íamos. A verdade é que o problema ficou resolvido instantaneamente! 🙂 Até porque o valor pago, era bastante justo, tendo em conta os cento e vinte quilómetros que nos separavam do nosso destino. 🙂 Na viagem o caderno continuou a ser atualizado, mas por vezes a tarefa foi dificultada pela estrada, uma vez que que o piso era um misto alternado de terra e alcatrão e para além disso havia obras em pelo menos metade da sua extensão, sendo necessário parar muitas vezes devido ao trânsito condicionado. A partir de certa altura e fruto do cansaço comecei a dormitar aos poucos e num desse momentos a melhor imagem que guardo foi a luz da lua filtrada pelas nuvens e as estrelas a brilhar no céu negro. Fruto de tantos percalços e atrasos, batizei a viagem para Lú gū hú de “infinita”, a viagem sem fim…