O Magnífico Lú gū hú

Ato V – Saturação!?

Inicialmente estávamos para ver o nascer do dia, mas quando acordámos o tempo estava completamente encoberto e depressa decidimos ficar a dormir até às 8.00, ou melhor tentar… uma vez que as escarradelas do dono do hostel, os passos no piso de cima e o som de orações que me soavam a muçulmanas mas que depois percebi serem budistas, tiveram o condão de me manter acordado. 😛

Já na saída do hostel tivemos um imenso golpe de sorte. Do nada, apanhámos um autocarro que ía para Lijiang e os autocarros para este destino partem sempre de Luòshui que fica na outra margem do lago, a mais de quarenta quilómetros de Xiaoluoshui, onde pernoitámos. 🙂 Como tínhamos os monstrinhos a dormir em Lǐgé, falámos com o motorista para ele aí fazer uma paragem, ao que ele respondeu que não havia problema nenhum, uma vez que a vila já estava agendada para uma breve mirada turística. Assim que autocarro parou, aproveitámos e seguimos colina abaixo até ao posto de turismo, onde recolhemos a nossa “cruz” e subimos a colina das urzes, não não era o monte das oliveiras, mas quando chegámos ao “cume” tivemos a nossa “crucificação”. Quando estávamos mesmo, mesmo a chegar ao topo da colina vimos o autocarro a arrancar. Depois de todo o esforço dispendido na descida e ascensão, morremos na praia e nesta história não houve ressurreição. :/

Fiquei chocado! E só conseguia articular a palavra “M#$%&”/@£§*+!” Nesta altura, o Xiaoling também estava um bocado atarantado, mas entretanto dirigiu-se a uns turistas com os quais encetou uma breve conversação e num ápice já estávamos dentro de um carro em perseguição ao autocarro. Porém… foi sol de pouca dura, no cruzamento para  Lǐgé o carro estancou e nós tivemos que seguir a pé, estrada acima. E percebi, que afinal a “perseguição” que eu idealizara era apenas uma quimera dourada e que a realidade era bem distinta. Estávamos nas imediações de Lǐgé, a mais de trinta quilómetros de Luòshui, carregados como jumentos e topograficamente tínhamos de continuar a subir, durante pelo menos mais um par de quilómetros. Esta era a nossa realidade!

Metemos os pés à estrada e antes de conseguirmos apanhar uma nova boleia, que nos levou diretamente até ao centro de Luòshui e terra prometida para seguirmos para Lijiang, ainda tivemos de andar mais de quarenta minutos. Durante esse breve período, ainda deu para ter o meu terceiro momento Lost in Translation do fim-de-semana com o Xiaoling. Aqui a situação resume-se comigo a dizer-lhe a minha ideia (escrevermos o nosso cartaz com os caracteres Lijiang, uma vez que já estávamos em andamento e podíamos aproveitar para ir pedindo boleia) e a perguntar-lhe qual o seu plano várias vezes e com ele mudo como um rochedo! Pior que não ouvir nada, foi nem sequer ver um esboço, uma tentativa. Nesta altura estava f#$&@£! E só pensava: “Nunca mais chegamos a Kunming (local da nossa separação)! Estou farto, fartinho de ti e dos teus silêncios…Saturas-me!”