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Mulu. Back to the Primitive

Ato V – Guiado por Lucas a Caminho das Alturas

Durante a noite acordei múltiplas vezes e às 5.30 já estava a tomar um pequeno-almoço reforçado. A partida para os Pináculos ocorreu às 6.35 e a caminho do topo, andámos no meio de uma selva de rochas e raízes de árvores em que estes dois elementos combatiam entre si pela supremacia da paisagem. 🙂 Aliás, às vezes, sentia que estava mais a observar uma fusão ou uma mescla perfeita entre os elementos, do que uma batalha! Surreal, belo e escorregadio! 😀 Durante a ascensão fui quase sempre a sombra de Lucas, o nosso guia e desse modo pude observar a sua tatuagem na “barriga” da perna direita: “Jesus is the Lord”. Ao imaginar que fui guiado por um “apóstolo” a caminho das alturas, não pude deixar de sorrir. 😛

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O caminho em distância percorrida foi curto, apenas 2400 metros mas em altitude fomos de uma cota quase nula até aos 1200 metros, ou seja o declive era muuuuuuuuuito acentuado e os últimos 400 metros de distância transformaram-se mais num desafio de escalada, com recurso a escadas, cordas e busca de bons apoios para os pés e para as mãos. Neste momento a minha concentração estava no “pico”, pois a rocha que nos rodeava mais parecia um mar de lanças e facas afiadíssimas prontas para ao mínimo descuido nos partir facilmente um osso, ou cortar a pele, a carne, os músculos e os tendões. Aliás nessa altura fui pensando várias vezes: “Como raio vou voltar para baixo!?” :/

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Atingi o pico por volta das 10.40 e a paisagem foi de facto algo de totalmente novo e inesperado. Estávamos num miradouro de onde víamos uma floresta de picos de rocha, a emergir do meio das árvores e suplantarem estas em altura. Ver para crer! A natureza criadora na terra da magia e dos espíritos selvagens. 😀 No topo estivemos cerca de uma hora e durante esse tempo aproveitámos para almoçar, para tirar fotografias (nesta altura o casal de romenos tirou-me alguns retratos) e observar uns esquilos verdes que por lá passeavam.

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Perto do meio-dia iniciei a minha descida e nos primeiros 400 metros a concentração estava novamente elevadíssima e à medida que ia descendo fui procurando os melhores apoios possíveis. Nesta altura, agradeci à boa sorte ter optado por fazer o trekking com os sapatos de borracha, uma vez que os mesmos são muito mais flexíveis e menos largos e escorregadios do que as botas, pois a sola é completamente deformável. Deste modo, consegui encaixar os pés em quase todos os nichos existentes na rocha, a única desvantagem era sentir todas as variações da superfície na planta dos pés, principalmente porque as rochas eram completamente afiadas! :/

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Lentamente, o caminho foi sendo percorrido e aos poucos e poucos os obstáculos e desafios ultrapassados. Quando cheguei ao final da secção dos 400 metros, estava contente pois a parte mais problemática estava ultrapassada. Porém… o São Pedro pregou uma partida ao seu amigo Lucas e respetivo rebanho pois quando estava a chegar à placa que indicava, 1900 metros começou a chover torrencialmente! “Bonito! Agora é que vão ser elas!” E infelizmente não me enganei! :/

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O caminho em condições normais já é escorregadio e como se pode deduzir, a chover tornou-se num ringue de patinagem no gelo e cada passo começou a requerer concentração absoluta, pois o mínimo descuido poderia revelar-se catastrófico. A energia necessária para manter a concentração foi de tal modo elevada, que o caminho não me trouxe quase nenhum prazer… :/ o esforço físico tornou-se irrelevante quando comparado ao esforço mental associado ao “jogo” do sempre em pé e quase no final do trilho só desejava que esta aventura terminasse de vez, pois estava entediado e cansado de manter a concentração. Felizmente consegui descer sem me magoar e por volta das 16.20 cheguei finalmente ao campo 5, onde respirei de alívio… sem mazelas, os Pináculos de Mulu estavam conquistados. 😀

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Mulu. Back to the Primitive

Ato IV – A Caminho do Campo 5 e o Repouso

Depois da visita às lindíssimas cavernas, retemperámos forças num cenário idílico: rio cor de esmeralda, água transparente, areia fina e uma floresta verdíssima e luxuriante; onde almoçámos (delicioso caril de abóbora, encomendado no dia anterior) e nessa altura comecei a conhecer melhor os meus companheiros de trekking: Cristian e Ana (casal de romenos a viver em Londres); Amas e Alexa (casal de australianos); Igor e Mia (casal de Cazaques) e uma rapariga chinesa, bastante reservada.

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Findada a pausa e o repasto, mudei de calçado (usei pela primeira vez os meus sapatos de borracha) e despedimo-nos do nosso guia. Voltámos a embarcar, mas desta feita com destino a Kuala Litut (que fica ainda mais a norte) e durante a travessia tivemos de desmontar várias vezes do nosso barco e empurrá-lo, pois havia seções onde o rio estava muito raso. Claro que nestes processos de monta e desmonta, os calções ficaram bem encharcados e quase, quase no final do percurso no rio, houve mais um twist, o dia que até ao momento estava solarengo, ficou muito, muito escuro e… começou a chover torrencialmente. 😛

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Na despedida dos barcos e antes de começarmos a caminhada para o campo 5 já estávamos completamente encharcados, pois o que o rio não molhou a chuva terminou o “serviço” e durante pelo menos metade dos dez quilómetros, choveu com uma intensidade brutal! A ponto do meu único objetivo ser: andar, andar…andar. A certa altura da caminhada, tive de parar para pôr umas meias, pois os famosos sapatos de borracha estavam a começar a ferir-me o peito do pé. :/

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Passados poucos minutos depois de ter recomeçado a andar a chuva parou finalmente! 🙂 O trilho tornou-se então mais agradável, pois finalmente a água não me fustigava o rosto e a floresta estava mais clara, havendo por isso uma melhor visibilidade, porém a verdade é que a caminhada nunca passou da fasquia do agradável.

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Quando finalmente cheguei, quase todo o grupo já lá estava, só faltava eu e o casal de romenos. Durante o resto da tarde esvaziei a mochila e pus roupa a secar; organizei a comida, a água, os produtos de higiene, o calçado e o pouco vestuário que me restava seco; tomei um retemperador duche de água fria; comi; estive na converseta; preparei o almoço para o dia seguinte; e ouvi um breve briefing sobre os Pináculos, o dia seguinte tudo indicava, seria longo e desgastante

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Mulu. Back to the Primitive

Ato III – A Avaria e as Grutas

Depois da tarde inolvidável do dia anterior, a nossa viagem para os Pináculos começou no cais do HQ do parque. Depois duma curta viagem de barco, parámos na aldeia de Batu Bungan para visitar o tradicional mercado de artesanato, que no final não se revelou nada de especial. Voltámos a embarcar e seguimos viagem, desta feita em direção a nordeste e às cavernas do “Wind” e “Clearwater”.

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Na chegada ao cais, tentei tirar uma fotografia e a máquina deu erro! Voltei a ligar e a desligar e novamente… erro! :/ “Eu não acredito nesta #*%$@! Agora a caminho dos Pináculos é que decidiste avariar!?” Quando Cristian (um dos romenos) chegou, pedi-lhe para experimentar a minha objetiva na máquina dele para ver se estava tudo bem com ela e… estava! Deste modo, concluímos que o problema estava no corpo da máquina! “Ai F%&@ – $&”! Era só mesmo isto que me faltava avariar!” Depois do laptop, do telemóvel e da antiga objetiva esta era a última coisa que eu queria que avariasse. 😦

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Stressado e irritado com esta situação comecei a subir os degraus que nos levaram à caverna do Vento e na medida do possível comecei a tentar controlar-me emocionalmente e a relativizar a situação. Uma vez que no imediato não podia fazer nada e, muito possivelmente aquela seria a minha primeira e última vez naquelas cavernas e nos Pináculos de Mulu, mais valia aproveitar o momento ao máximo. Claro que falar é fácil, fazer é mais díficil e só aos poucos e poucos me abstraí da situação e comecei realmente a viver o presente! E ainda bem que o consegui fazer pois a caverna do Vento revelou-se espetacular com uma forma inicial que se assemelhava a um túnel em elipse, fruto desta caverna ter sido criada por um rio que corria através do seu interior. À medida que fomos andando o caminho começou a estreitar e depois começámos a descer, escadas e mais escadas que nos levaram primeiro a uma “chaminé” perfeita, onde pudemos observar o céu azul que brilhava acima de nós e mais à frente estava a câmara do rei.

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Antes de partirmos para lá, o nosso guia propôs-nos que quando aí estivessemos conhecessemos pessoalmente o rei (“Today is your lucky day! You have the opportunity to meet the king.”). Descemos então ao magnífico “salão” real coberto de estalagmites e colunas, mas o rei não estava lá, desconfio que tenha ido caçar veados ou algumas aias! 🙂 Quando regressámos o guia perguntou-nos, a sorrir, se o tínhamos encontrado e claro que respondemos que não. Então e à maneira “muluense” começou a falar-nos por enigmas e com a “magia” associada à natureza e ao divino/ sagrado/ espiritual disse-nos que o rei estava entre nós, aliás estava em nós… uma vez que todos éramos reis e rainhas! E este foi mais um momento especialíssimo made in Mulu, proporcionado por um guia. 😀

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Fizemos o caminho de regresso e depois enveredámos por uma escadaria que nos levou primeiro à pequena Lady cave, batizada deste modo pois existe uma rocha que fruto da luz projeta a sombra de uma donzela; e depois à magnífica “Clearwater”, uma caverna que tem um enorme rio subterrâneo a correr no seu interior e que vai moldando a sua forma. A caverna é profunda, larga e enorme e a sua beleza não provém tanto das formações geológicas, como no caso da Lang cavemas sim das chaminés existentes, do canal subterrâneo e da dimensão e luz do espaço! Quatro cavernas em Mulu? Poker de Ases! 😉

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Mulu. Back to the Primitive

Ato II – Viagem Espiritual ao Coração de Mulu

A visita guiada começou pontualmente às 14.00 e no início andámos durante aproximadamente uma hora até às imediações das cavernas: Lang e Veado (“Deer”). Durante esse tempo, atravessámos um passadiço de madeira e pudemos ver alguma fauna (insetos: borboletas, uns que pareciam pequenos galhos, libelinhas (verdes) e outros não identificados; lagartos e um camaleão); flora (flores, incontáveis tipos de árvores, vegetação e fungos) e a mescla entre a vegetação e a rocha (sendo este o príncipio que está na génese dos Pináculos). 🙂

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Mas mais importante do que tudo isso, foi ouvir a nossa guia falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado existindo uma teia de ligações e dependências entre todos os seres que a habitam. Foi muito especial ser guiado floresta adentro por esta pessoa e o meu sentimento geral é que estava a penetrar no coração e na alma de Mulu, acompanhado de uma guru espiritual! Fascinante! 😀

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A primeira caverna que visitámos foi a Lang e aqui estivemos cerca de meia hora. Apesar de na mesma existirem formações geológicas magníficas, não senti que estava num local verdadeiramente especial, uma vez que no Laos em redor de Vang Vieng já tinha visto muitas formações deste género. Quando saímos desta gruta, dirigimos os nossos passos para a caverna do Veado (que tem a maior passagem do mundo) e à medida que íamos penetrando, fui ficando siderado com a sua monumentalidade. A paisagem era esmagadora e eu senti-me uma pequena partícula no meio da mesma. Ao continuar a andar fui sentindo que estava a entrar num mundo perdido e completamente primitivo e se por acaso nesse momento visse um dinossauro a passar-me à frente do nariz, podia acreditar que o mesmo era real e que não era fruto da minha imaginação ou uma alucinação! 😀

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Quanto mais nos embrenhávamos na caverna, mais o ar se ia tornando pesado, fruto do cheiro criado pelas fezes dos milhões de morcegos que a habitam e a paisagem era surreal, pois para além de sentir que estava a penetrar num espaço cada vez maior, mais amplo e profundo, o cenário à nossa volta era desértico fruto das rochas que se fundiam com as fezes. A certa altura do percurso a nossa guia parou e convidou-nos a olhar para trás, para cumprimentarmos o Presidente Lincoln, pois na entrada/saída da caverna via-se na perfeição o perfil do mesmo. A natureza é realmente uma criadora inesgotável! 😀 O mundo à nossa volta ia-se tornando uma massa de escuridão e trevas e a única coisa que descortinava era o trilho marcado com discretas luzes de presença. Até que chegámos a um miradouro onde vislumbrámos a outra entrada da caverna, que marcava o início do “Garden of Eden Valley” e neste ponto fizemos inversão de marcha e voltámos para trás pelo mesmo caminho.

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Esta caverna magnífica, sedutora e exótica, esmagou-me, triturou-me, deixou-me boquiaberto e transportou-me para uma realidade natural, pura e primitiva! Quando saí da mesma estava maravilhado e pensei que mesmo que não visse mais nada, a viagem para Mulu já tinha valido a pena e se tivesse de regressar à “civilização” naquele instante, o faria de coração e alma cheios 😀 , porém… a história não acaba aqui!

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Depois de abandonar a caverna e já sentado no observatório dos morcegos na companhia de cerca de cinquenta almas, tive a oportunidade, o privilégio e a felicidade de observar um dos mais espetaculares eventos da vida animal que presenciei na vida! 😀 Durante uma hora, vi milhões de morcegos a sair das cavernas para caçarem insetos ao entardecer. Porém, os morcegos não saíram todos em debandada ao mesmo tempo, saíram sucessivamente e à vez, ordenados em nuvens negras de milhares, formando no céu imagens tridimensionais – espirais de morcegos no interior de “serpentes”! ESPETACULAR! E eu regressei já no lusco-fusco à entrada do parque a desejar:  “espero conseguir guardar esta tarde no coração e na memória por muitos, muitos, muitos… anos”. 😀

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Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Mulu. Back to the Primitive

Ato I – Chegada & Logística

Depois da curta visita ao país do Brunei, voltei a reentrar na Malásia, desta feita de autocarro e no estado de Sarawak. Para chegar ao parque nacional de Mulu, tive que apanhar um pequeno avião na cidade de Miri e pela primeira vez na vida apareci no aeroporto sem voo marcado, pois os preços que estavam na internet eram ridiculamente elevados! :/ A verdade é que arrisquei e ganhei a aposta e deste modo aprendi uma importante lição: na Ásia, voos comprados diretamente nos aeroportos muitas vezes, compensam. 😉

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Ir até Mulu foi como ir até uma ilha, porém em vez de estar rodeado de água, estava rodeado de selvaIMPRESSIONANTE! 😀 Depois de meia hora de voo, aterrei no coração da selva e de sorriso nos lábios saí do aeroporto a caminhar…

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O primeiro passo foi arranjar um poiso para dormir nas imediações do Parque Natural e concluída essa tarefa, fui até à receção do mesmo, confirmar em que dias teria as atividades que estavam previamente marcadas, uma vez que por e-mail já tínhamos “discutido” alguns detalhes.

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Nessa altura recebi a excelente notícia que poderia juntar-me, no dia seguinte a um grupo para fazer uma viagem que duraria três dias, até aos Pináculos de Mulu (um dos ex-líbris do parque) e ao mesmo tempo visitar duas cavernas: “Wind” e “Clearwater”. Fruto desta oportunidade caída dos céus tive de adaptar-me muito rapidamente pois havia questões logísticas a resolver, antes de partir: que mantimentos comprar – quantidades e que “tipo” – e onde os comprar – pois dentro do parque, tudo era vendido ao preço do ouro; falar com os donos da guesthouse para tentar transferir uma das duas noite que já tinha pago para quando voltasse dos Pináculos e perguntar se poderia lá deixar quase toda a minha bagagem.

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Depois de resolvidas as questões logísticas, voltei ao parque natural onde comprei uns sapatos de borracha – fundamentais para a viagem até os Pináculos, almocei, enviei uns e-mails, encomendei comida para o dia seguinte e parti para uma visita guiada, a um mundo mágico… 😀

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Brunei Darussalam. 48 horas na Gaiola Dourada

Depois dos entediantes dias em Kota Kinabalu e a caminho do estado de Sarawak, fiz uma paragem de aproximadamente quarenta e oito horas num dos países mais pequenos do mundo e num dos mais ricos, Brunei Darussalam. Politicamente, o país é um sultanato islâmico e não se pode dizer que seja o país mais livre do mundo, porém em áreas como a segurança e o desenvolvimento económico é quase imbatível.

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A viagem entre Sabah e o Brunei foi feita de barco e na chegada e a caminho da capital, Bandar Seri Begawan (BSB) conheci um casal de espanhóis (Javier e Esther) que viviam e trabalhavam na ilha de Palawan nas Filipinas. A verdade é que acabámos por nos juntar e o tempo que passei no país ficará para sempre associado a este simpático casal. 🙂

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Os dois dias que estivemos no país foram dias cheios! 🙂 E ao visitar a capital, saboreámos, vimos e sentimos as suas diferentes facetas: as fabulosas e grandiosas mesquitas (Omar Ali Saifuddien e Jame´ Asr Hassamil Bolkiah); a deliciosa comida de rua; os encantadores piqueniques noturnos; as matinais e maquinais paradas da polícia; o educativo e interessante museu do país e o propagandista museu dos presentes reais.

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Num dos dias, passeámos de barco no rio, Sungai Brunei e para além das panorâmicas sobre a cidade, visitámos o coração da antiga capital, o bairro de Kampung Ayer que está totalmente construído sobre a água (mesquitas, estações de bombeiros, escolas, museus, áreas residenciais e lixo infinito espalhado!); à distância, o absurdo e “obsceno” palácio da família real, Istana Nurul Iman (200.000 m2, 1788 quartos, 5 piscinas… :/ ); e ainda tivemos tempo para ver um manguezal, tentar caçar fotos de proboscis monkey e ver um pôr do sol maravilhoso e cheio de cor sobre a capital do Brunei, a gaiola dourada.

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P.S. – O termo “gaiola dourada” vem do facto de os habitantes do país terem bastante dificuldade em sair livremente do mesmo. Desse modo vivem tal como os canários, uma vida confortável mas em “clausura”.

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Kota Kinabalu e o Tédio

Depois da semana feliz em Mabul regressei à costa oeste de Sabah e à sua capital, Kota Kinabalu e aí estive durante quatro dias… demasiado tempo… à espera de um mercado, o clímax lá do sítio. 😛

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Durante esses dias, fiz a aplicação do visto para a Indonésia (já preparando a futura entrada no país); voltei ao hospital como medida de prevenção, pois o tornozelo teimava em não desinchar :/ ; reencontrei-me com o John (rapaz que me deu boleia no primeiro dia no Bornéu) com quem bebi umas cervejas e falámos das nossas vidas; atualizei o caderno e escrevi textos para o blog; visitei a abooooooorreeeeeecidaaaaaaa cidade e o interessante mercado matinal de Domingo em Jalan Gaya, onde se vende um pouco de tudo (plantas, frutos, animais, roupa, calçado, bijuteria, artesanato, livros, sabonetes, brinquedos, comida e bebida, medicamentos tradicionais, relógios, perfumes, postais, loiça, santos…); troquei alguns e-mails com o Parque Natural de Mulu; e entediei-me profundaaaaaaaaaamenteeeeeeeeeee

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Sunset Made in Mabul

No último dia em Mabul e à medida que o relógio avançava, fui presenteado com um pôr do sol, de tal modo glorioso, que soltei umas lágrimas comovido. 😀 Junto ao mar, este foi o por do astro-rei mais perfeito que vi na VIDA… com raios dourados a espalharem-se e a multiplicarem-se no mar e nas densas nuvens que cobriam o céu. Uma valsa celeste delicada, mas simultaneamente profunda como o oceano. 😀

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Criar Mabul´s

Depois de três dias muito intensos de mergulho e de tantas emoções vividas, virei as minhas agulhas para outras prioridades: fazer praia e descansar numa ilha paradisíaca, ao mesmo tempo que atualizava o meu caderno e fruto do acaso a minha escolha acabou por recair na ilha de Mabul.

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Quando inicialmente parti, apenas tinha o palpite que talvez lá ficasse três/quatro dias. Mas exatamente, quantos? Não o sabia. Primeiro, desconhecia a ilha e seguidamente não estava certo do ambiente que ia encontrar no lodge, uma vez que os comentários encontrados na internet eram bastante díspares.

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A realidade é que fruto de algumas circunstâncias, acabei por ficar em Mabul, uma semana! 🙂 A ilha per si não tinha nenhuma praia de sonho, mas tinha habitantes sorridentes e afáveis; crianças aos magotes; grandes lagartos (alguns com cerca de dois metros!), morcegos e até um macaco; águas límpidas, cristalinas e onde se podiam encontrar uma enorme variedade de pequenos e raros seres sub-aquáticos; um sol abrasador que às nove da manhã me punha a destilar sem parar… 😛

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Em Mabul transformei-me em escriba e consegui finalmente atualizar o caderno que estava cerca de um mês atrasado! Fiz pela primeira vez um muck dive e o meu primeiro mergulho noturno, onde entrei nas trevas, no vazio, no vácuo absoluto! Onde só faltava aparecer o Alien! SURREAL! 🙂 Relaxei. Bebi uns copos e fumei uns cigarros. Tive conversas super-interessantes e mentalmente estimulantes. Conheci muitas pessoas e fiz amigos, com especial destaque para o Moo (um nativo que tinha uns calções da nossa seleção), James (inglês e instrutor da escola), Kyle (australiano) e Stefanie e Nicole (duas raparigas suiças).

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Na despedida de Mabul, parti com alguma tristeza. O Moo emocionado chorava sem parar e os abraços dados a quem ficou, foram apertados e sentidos. Em Mabul fui verdadeiramente FELIZ e senti-me verdadeiramente em casa… uma casa que raras vezes tive durante esta viagem. De tal modo que decidi que não quero regressar! E Mabul ficará para sempre no meu imaginário como um local onde se é FELIZ! Mas ao qual é impossível regressar… a única coisa que se pode fazer é continuar a viver, continuar a sonhar… para no futuro criar mais Mabul´s, essa ilha paradisíaca que existe no coração de cada um de nós. 😀

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Sipadan. Paraíso na Terra

O primeiro mergulho em Sipadan – e o quarto do curso – decorreu em Mid Reef e foi o meu mergulho profundo – deep dive. Aí senti a “estupidez” de estar a trinta metros de profundidade e olhar para cima e só ver água e olhar para baixo e ver ainda mais… água! Em Sipadan a parede de coral é ABSURDA e em algumas zonas a sua profundidade, chega aos seiscentos metros! A sensação de flutuar nesse ambiente foi… ESPECTACULAR! 😀

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No segundo mergulho, estivemos no famosíssimo Barrucada Point e assim que começámos a “afundar” entrámos num ENORME turbilhão de peixes: escola gigante de Jack fish, muitos Giant Trevally´s – peixes maiores do que seres humanos – e tubarões de recife pelo meio! FASCINANTE! Parecia que estávamos numa tempestade… 😀 Ainda nesse mergulho, vi incontáveis tartarugas, um peixe escorpião e quando saí do mar estava com um enorme sorriso nos lábios e com a certeza que sentia cada vez mais prazer em mergulhar.

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No último mergulho do dia – Turtle Cave – finalizei o meu AOW com um engraçado mergulho de identificação de peixes, no qual tive de desenhar dentro de água! – Kiri em condições normais já é um “portento” do desenho, estão a visualizar dentro de água, não estão!? 🙂 Mas principalmente entrei pela primeira vez numa caverna subaquática  – apenas vinte metros – e quando nos voltámos para sair, vi a luz a penetrar na entrada, a água de incontáveis verdes azuis a brilhar e a silhueta negra de peixes a nadar em espiral. Lindo… lindo… lindo!

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No terceiro e último dia de mergulhos – segundo dia em Sipadan – o primeiro mergulho decorreu em South Point e aqui vi uma enorme quantidade de tubarões de recife, tartarugas, um éden de corais – luz, cor, vida… e mesmo no final e “às portas” da enorme parede, um TORNADO PERFEITO de barracudas! A cerca de três metros de nós! Se a PERFEIÇÃO existe… este foi um desses momentos! 😀

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No segundo mergulho, a corrente ao longo da parede estava de tal modo intensa que acabámos por fazer dois spots num único mergulho – Hanging Garden e Lobster Lair – e vimos tantas, tantas, tantas tartarugas – algumas bem grandes – que a partir de certo momento desisti de as contar! 😛 E na despedida de Sipadan, mergulhei pela segunda vez em Barracuda Point e incrivelmente foi aqui… que tive o mergulho menos PERFEITO de todos os que fiz na ilha. E atenção porque isto não é uma queixa, é só uma constatação que em Sipadan é quase IMPOSSÍVEL fazer um mau mergulho! 🙂

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No final do dia, tive a oportunidade de falar com a minha irmã via Skype e a experiência de mergulhar em Sipadan foi de tal modo intensa que durante a conversa, uma das coisas que lhe disse foi: “Mana, se por acaso morrer hoje… Morro uma pessoa FELIZ! Não acredito no paraíso divino, mas nestes dois últimos dias, vi o PARAÍSO na Terra!” 😀

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