Uma Geografia. Uma Fotografia: Sabang

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Depois da longa e memorável travessia para Sabang, este era o dia em que visitaríamos o famoso rio subterrâneo de Puerto Princesa – apesar de estarmos em Sabang, esse é nome oficial – e para mim o mesmo começou bem cedo, uma vez que acordei antes do nascer do sol, tendo a oportunidade de ver o dia clarear. O dia estava solarengo e de banca, partimos para as imediações do rio subterrâneo. À medida que nos afastávamos da vila, pude apreciar a beleza da costa: as colinas e montanhas, a vegetação, o mar de múltiplos azuis e  verdes, as rochas negras, semelhantes ao que vira anteriormente em Mulu. Devido a esta paisagem natural, a viagem foi de facto fascinante. Quando chegámos à costa, desembarcámos num bonito areal e depois de dois ou três minutos a andar num trilho rodeado de uma vegetação densa e luxuriante, apanhámos um novo barco, desta feita um pequeno bote de madeira. Desde o local onde se embarca nesse barquito, até à entrada da caverna, a água é super cristalina e tem uma cor espetacular, uma mescla de verdes esmeralda e azuis. O rio tem uma extensão de oito quilómetros, mas nestes passeios turísticos nem sequer se chega a percorrer metade do mesmo e apesar do passeio ter sido engraçado, graças ao nosso guia, politicamente incorrecto, não posso dizer que tenha sido mágico. Bonito e divertido, sim, mas não mais do que isso. Inclusivamente, posso afirmar que depois do regresso à vila/aldeia de Sabang, o melhor desta visita foram mesmo as travessias de banca naquele lindíssima paisagem. Durante a tarde fizemos um trekking até à nascente do rio subterrâneo. No início da caminhada, vimos verdes campos, colinas de rocha a emergir do solo e agradáveis montanhas. Depois, embrenhámo-nos por uma selva, não demasiado densa, mas muito bonita, repleta de árvores com formas bastante originais, riachos e formações rochosas. Até que chegámos a um local que se assemelhava a uma colina, e com cuidado começámos a trepar, pois a mesma era bastante íngreme e as rochas muito afiadas. Quando chegámos ao topo, estanquei maravilhado, estávamos numa entrada de uma gruta que parecia saída dum mundo perdido e primitivo! No ar podia-se observar uma ligeira névoa, fruto do ar saturadíssimo e da humidade reinante e tal como em Mulu quase acreditei que os  dinossauros podiam ter regressado à vida. Depois de uns minutos de contemplação e fruto do piso bastante escorregadio, descemos com cuidado até ao interior da gruta donde pudemos observar toda a beleza da entrada e todas as rochas e plantas que aí habitavam. Espetacular! Memorável! Novamente, pé ante pé subimos até à entrada e voltamos a descer a íngreme colina. Regressámos a Sabang, com os olhos, o coração e alma cheios e com um estado de espírito leve e alegre. Já na vila, demos um mergulho naquele mar de múltiplos azuis, que mais parecia uma sopa e deitado a flutuar naquele líquido quente, vi o dia a desfilar na minha mente qual uma película perfeita. De manhã a foz, à tarde a nascente. Em Sabang, o dia do rio.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Ilhas Cuyo

Solitário

Depois dos dias passados em Boracay, tentei seguir para a ilha de Coron, porém e como apenas existia barco para dali a três dias, improvisei um plano alternativo partindo para a ilha de Palawan. Na longa travessia marítima que separou Iloilo e Puerto Princesa, acabei por realizar uma agradável paragem na bonita e tranquila ilha de Cuyo, que psicologicamente fez uma enorme diferença, pois permitiu aliviar todo aquele tempo passado a bordo…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Boracay

Boracay

Amanhã ilha de Boracay, marcou oficialmente o meu início nas Filipinas e antes de chegar sabia que a mesma era super turística – confesso que isso me preocupava um pouco, uma vez que receava encontrar uma miniatura de Bali, mas sem a possibilidade de escapar para zonas tranquilas, uma vez que a ilha tinha uma dimensão bastante reduzida. Felizmente essa idea pré-concebida não se veio a materializar e de Boracay vou guardar vários momentos no coração e na memória: a muito movimentada e turística White Beach com areia em pó, mar de águas frescas – quando comparando com a Indonésia… – e azuis lindíssimos, palmeiras e inúmeras embarcações tradicionais; o “meu” paraíso “privado” e tranquilo de águas de infinitos azuis e verdes, Puka Beach, localizada no norte da ilha; as múltiplas festas; as deambulações pelas praias e pela ilha que me deram a oportunidade de ver quão simpático e caloroso o povo Filipino pode ser – mesmo numa ilha tão turística como Boracay; a extraordinária panorâmica do ponto mais elevado da ilha, o monte Luho; as múltiplas e fabulosas refeições num restaurante super escondido; o fabuloso hostel MNL – sem dúvida um dos melhores hostels de toda a viagem… mas de Boracay, a ilha do party Bum, o que guardarei com mais carinho serão sempre as múltiplas pessoas com quem me cruzei e que conheci, tanto os simpáticos nativos, entre eles Jason, como os turistas: o argentino Matias; a chilena Sofia; os canadianos Justine e Derek; a sul coreana Yang; as alemãs Ann e Yann, o americano Tadd, o israelita Denis, as belgas Kathlynee e Sonya, o espanhol Carlos, a chinesa Ni Ni, os inúmeros ingleses “loucos”, mas principalmente o colombiano Filipe – com quem estive durante mais de duas horas, sentados no mar a falar sobre a Austrália – os fantásticos brasileiros Bruno e Bárbara, o porreiríssimo alemão Alex, o médico inglês, John com quem falei inúmeras vezes, durante horas e que me fez ficar com vontade de ir até à ilha de Palawan e a simpatiquíssima chinesa Jessie. Uma autêntica sociedade das nações… 

Uma Geografia. Uma Fotografia: Makassar

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Makassar aparece nesta Geografia como ponto de ligação entre as ilhas de Java e Sulawesi e se na primeira cheguei via aérea, desta feita iria partir via marítima. Às 5.30 já estava na zona do porto e durante horas fui escrevendo no caderno até embarcar às 11.30, sendo o único momento de pausa, a compra de mantimentos. O barco era gigantesco e inicialmente não consegui perceber onde era o meu poiso, pois andava à procura de um camarote de segunda classe, quando afinal o que tinha era um bilhete para a classe económica! Como não era isso que esperava, fiquei chocado com a “suite” que encontrei – uma cama nas profundezas do navio – e rapidamente, depois de largar a bagagem, pus-me a mexer daquele cafunfo quente e escuro! Sem grandes dúvidas, tomei a decisão de tentar encontrar um local agradável para passar as minhas próximas vinte e quatro horas… e felizmente no topo do navio, encontrei um cafezito agradável que passou a ser a minha casa e por aí fiquei a escrever durante horas a fio. Apenas voltei à masmorra do dragão, para ir buscar comida e dormir por volta das 21.00. Quando me deitei, estava um calooooooor dos diabos e nesse momento, não pude deixar de pensar “que m$%#& de sítio!”  Apesar do colchão não ser mau de todo, o calooooooooor era… sufocaaaaaaante! Uma autêntica sauna! Mas de borla! Levantei-me às 5.15, acordado pelos cânticos da mesquita do barco, mas depois percebi que devido à diferença horária entre a ilhas de Sulawesi e Java, eram afinal 4.15! “Ora bolas!” De qualquer modo, como estar deitado no “cafunfo/masmorra/sala de tortura” não me fascinava, aproveitei para regressar ao meu porto de abrigo, o “abençoado” cafezito. À semelhança do dia anterior, permaneci no local horas a fio e aí vi o nascer do dia, tomei o pequeno almoço e continuei a escrever até acabar de atualizar o caderno. Quando acabei essa “tarefa”, o sol brilhava no céu azul e até chegar a Surabaya estive sem fazer nada de especial, descendo ao cafunfo para recolher a bagagem. Nesta viagem, até o desembarque que eu aguardava ansiosamente, foi MAU! Assim que as portas abriram, começaram a entrar pelo barco adentro pessoas a correr desalmadamente e nós, as pessoas que queríamos sair, tivemos que esperar que aquela torrente abrandasse! Enfim o pandemónio! E eu que já estava satisfeitíssimo com toda aquela viagem “paradisíaca”, quando sai do barco e pisei o solo da ilha de Java estava com um “sorriso estampado nos lábios”. Esta foi de looooooooooooonge a pior viagem de toda a Viagem!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Lemo

No último dia passado na presença dos Tana Toraja, estive em Lemo onde ao procurar mais um local de túmulos, encontrei crianças vestidas com trajes tradicionais. Instantaneamente pensei: “outro funeral!?”, mas depois de encontrar dois jeeps ornamentados, respondi-me em pensamento: “Naaaaaaaaaaa… casamento!” Depois de uma visita agradável, aos túmulos e quando regressava à estrada principal, fui convidado por um membro da família a assistir a cerimónia e foi-me dito para me dirigir à igreja/capela da vila. Uma vez mais, e fruto da boa sorte, estava a caminho de um casamento em Tana Toraja! A cerimónia de cariz protestante, foi simples mas bonita e falada em dialeto local. O pastor era uma figura carismática e pôs quase toda a plateia a escutá-lo com atenção, enquanto que nos noivos se podia observar um grande nervosismo mas bastante felicidade. Depois da cerimónia, fui convidado a juntar-me à parte da festa e fiquei admirado com a enorme quantidade de pessoas presentes, parecia que toda a aldeia tinha sido convidada! Aí, vi o desfilar de um loooooooongo cortejo de casamento, e observei o ambiente da festa, as danças e as dançarinas, o bolo a ser cortado pelos noivos – que nessa altura já envergavam trajes tradicionais – os múltiplos retratos com os convidados – iguais em qualquer parte do mundo – e comi uma vez mais a deliciosa, comida tradicional dos Tana Toraja. Assistir a tal momento e ver um casamento por terras do Oriente, fez-me sentir um privilegiado e deixou-me uma vez mais, realmente feliz! Em jeito de súmula, nos cinco dias que estive na presença desta tribo, tive o prazer de confraternizar com pessoas super hospitaleiras e genuínas, tendo o privilégio de observar um pouco as suas tradições. No meio daquela paisagem bela: arrozais, montanhas e vales, florestas de bambu, sol, nevoeiro, chuva, muitas nuvens… encontrei cavernas cheias de túmulos, caixões e ossadas… um funeral com sacrifícios de búfalos e porcos, trajes, música e cânticos tradicionais, um casamento… na despedida, senti-me realmente uma pessoa com sorte! Na Indonésia, ilha de Sulawesi, em “Torajilândia”, fiquei com a certeza que para esta tribo o funeral é o mais importante de todos os rituais. Mais importante que o casamento. Mais importante que o nascimento. Este é o reino, onde os mortos são mais importantes do que os vivos.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pana

Túmulos para bebés em Pana

Após tantas emoções vividas nos dias anteriores, ao quarto dia de estadia, tive momentos um pouco mais tranquilos, rumando a Norte de Rantepao. Depois de alguns pequenos contratempos, consegui finalmente seguir aos zigue-zagues, montanha acima até Batu Tumanga. No caminho, apesar do espesso nevoeiro existente, foi-me possível observar a bonita paisagem de verdes arrozais em socalcos. Ao chegar ao meu destino, estava um nevoeiro de tal forma intenso que decidi seguir diretamente para Lokkomata, onde pude encontrar múltiplos túmulos dentro da rocha. Aí, fruto da bruma, fiz uma curta visita ao local e na pequena aldeia de Pana deparei-me com mais umas dezenas de  túmulos – desta feita para bebés – cravados numa enorme parede de rocha. Neste local, fruto da mescla perfeita de rocha e vegetação pareceu-me que tinha chegado ao “Mundo Perdido” ou a um cenário digno de uma película de Indiana Jones. Espetacular! Para além desta visita “selvagem”, foi nessa aldeia que conheci o simpático e afável Mr. Papakiki com tive a oportunidade de beber um café e de estar uns momentos em amena cavaqueira.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Suaya

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Depois de um dia memorável no universo místico dos Tana Toraja, a chegada a Suaya foi marcada pelo acaso e pela “fortuna”, uma vez que que me deparei com um funeral! À minha frente, encontrei uma vasta multidão vestida de negro e um búfalo a ser desmembrado, em frente a um caixão que se encontrava no segundo andar de um palanque. Fiquei estupefacto! Avancei funeral adentro e a primeira coisa que notei foi a consistência pastosa do sangue que se espalhava pelo solo. Discretamente, coloquei-me afastado do centro, fazendo a partir desse local as minhas observações até ao momento que houve outro sacrifício, e recebi autorização para tirar fotografias. Enquanto várias pessoas atavam o búfalo com uma corda e o forçavam a deitar no solo. À minha frente, uma faca afiada penetrou a carne do animal, o pescoço foi cortado e num segundo, a traqueia foi dilacerada, o sangue começou a jorrar aos brobotões, acumulando-se e fazendo espuma. De vez em quando, o animal mexia-se silenciosamente, os olhos foram perdendo brilho e luz, a vida foi abandonando o seu corpo e a sua morte serviu para honrar o falecido ancião. No decorrer dessa tarde, fui convidado a assistir à continuação do funeral – para os Tana Toraja, os funerais tradicionais duram em regra três dias, e o dia seguinte seria o segundo dia de festividades e também o mais importante. Nesse momento, estava verdadeiramente feliz, não só tinha encontrado um funeral – a tradição maior dos Tana Toraja -, como sido convidado para assistir ao mesmo! A partir desse momento, fiquei na companhia da família do falecido ancião, as horas foram passando e pude observar todo o ambiente envolvente: o som de alguns foguetes, os homens envoltos em sarongs negros, a sonoridade profunda do mamodang  cântico fúnebre em honra dos mortos; fumando e apreciando a grande oportunidade que estava a ter para aprender mais sobre aquela tribo.

Na manhã seguinte foi-me explicado que o búfalo sacrificado no dia anterior tinha-o sido à maneira muçulmana e que aquela não era a forma tradicional. Entretanto, foram aparecendo progressivamente mais pessoas, as crianças envergavam trajes tradicionais – os rapazes listas verticais vermelhas e lenços na cabeça e as raparigas vestidos brancos decorados com rendilhados de missangas. Sem aviso prévio, foram sacrificados mais dois búfalos, desta feita, de modo tradicional – o búfalo assente na suas quatro patas, recebe uma pancada seca com uma faca muito afiada no pescoço, e tal como no dia anterior, sangra até à morte. É sem dúvida uma tradição sangrenta! Mas é cultural e nós nos países ibéricos temos touradas por isso… e tal como em Lamalera, os animais são mortos por motivos perfeitamente válidos. Ao longo da manhã, a cerimónia continuou: música tradicional com flautas, desfiles de pessoas conduzidas pelo mestre de cerimónias, crianças trajadas, pessoas a fumarem, rirem e conversarem. O funeral é uma grande mescla de reunião familiar e romaria popular, sendo o ambiente geral, alegre mas respeitoso. Para além de ter tido a feliz oportunidade de ter presenciado tudo isto e ter continuado a conversar com muitos dos presentes, fui fazer umas pequenas explorações nas imediações, onde encontrei uma caverna cheia de ossadas, caixões e estátuas. Já de regresso à cerimónia fúnebre, subi ao local de honra onde estava o caixão e fiz uma oferta – monetária – à viúva e depois de almoço voltei a Rantepao numa carrinha de transporte de animais, que me pareceu o veículo apropriado… 🙂 mas antes de partir, ainda me consegui despedir da família que me acolheu. Terima Kasih – obrigado -, foi um privilégio e uma honra ter assistido ao funeral do vosso avô. 😀  

Uma Geografia. Uma Fotografia: Rantepao

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No meu primeiro dia em Tana Toraja, uma das tribos mais interessantes e singulares da Indonésia, o meu primeiro passo foi tentar arranjar um mapa da área, para me poder orientar. Em redor da cidade de Rantepao, tive a minha primeira experiência dentro de uma pequena aldeia, onde observei com atenção os famosos telhados em forma de cornos de búfalos – os animais mais sagrados para os Tana Toraja – ou alternativamente de cascos de navios – os antigos antepassados, que segundo a mitologia Toranja se acredita terem vindo do mar – e onde ela primeira vez, encontrei inúmeros cornos de búfalos – vinte e três! – pregados a um poste em frente a uma das casas percebendo que aquela era a casa dominante e do poder. De regresso ao centro da cidade, rumei à colina de Singk donde pude avistar a cidade – mesquitas, igrejas, casas… -, os muitos arrozais que a “cercam”, o rio, as verdes colinas e montanhas em redor, e todo aquele cenário natural, tornaram a área um local muito aprazível e agradável…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kawah Ijen

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Em Kawah Ijen, conheci Mr. Bain, que ao longo da noite revelou ser um dos melhores guias que tive no país e possivelmente em toda a viagem, e me levou a percorrer três quilómetros, sempre a subir em direção à cratera em ritmo Plan Plan”  devagar. Já na zona da cratera e a partir do local onde nos encontrávamos vimos ao longe um fogo azul bruxuleante, fruto da extração do enxofre. Entusiasmado, segui Mr. Bain, cratera abaixo e nessa altura recebi uma máscara, do género “Darth Vader” para suportar o fumo e os gases tóxicos – caso necessário. À medida que nos aproximámos, as chamas eram cada vez maiores e em redor, vi algo único e singular à minha frente… fogo azul a arder, no meio da escuridão! Espetacular! Belo! Na altura, em que observava aquele “fogo de artifício” natural, tive bastante sorte pois o vento estava a soprar o fumo noutra direção, ou será que não foi sorte, mas antes um feitiço de Mr. Bain, o feiticeiro branco do Ijen!? No caminho de regresso ao topo da cratera, vi alguns grupos de turistas a descer qual uma centopeia luminosa e senti-me muito satisfeito pois enquanto os outros grupos estavam a caminho, eu já estava a regressar. De regresso ao topo, fomos para um ponto mais elevado e aí, no silêncio quase absoluto da noite, vimos o progressivo aparecimento da luz do dia, as chamas azuis a arderem, o fumo a sair da cratera, o lago azul a ganhar cor, as estrelas a desaparecerem e o vulcão a passar do negro absoluto para vermelhos e castanhos! Belo! Belíssimo! Grandioso! E se o vulcão Bromo no dia anterior, já tinha sido monumental, o Ijen nesse dia deu “cabazada”. No regresso, o amanhecer estava carregado de cores suaves, e na despedida pude encontrar outros vulcões em redor, entre eles o Gunung Raung, que na primeira vez que estive em Yogyakarta, fez kabuuuuuuum! Obrigando-me a seguir mais cedo do que o previsto para a ilha de Kalimantan. Na despedida de Java posso afirmar que a ilha é de facto abençoada, pelos deuses dos vulcões e o Kawah Ijen um local magnífico. Observar as chamas azuis noturnas, foi sem dúvida, uma das MAIORES experiências que tive na Indonésia e em toda a viagem… e se existe algum lado negro a apontar, só posso referir a face “social” do vulcão e dos homens que carregam cestos de aproximadamente oitenta quilogramas de enxofre aos ombros e costas, mais do que uma vez por dia… recebendo cerca de 0,50€ por cada kg transportado! Trabalho pesadíssimo, que não dá saúde a ninguém…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Monte Bromo

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O meu primeiro primeiro encontro com o Monte Bromo ocorreu por volta das 4.00 no miradouro de Pananjakan – 2706 m – em que na chegada me deparei com uma espessa cortina de nevoeiro que cobria todo a paisagem. De qualquer modo e sem nada poder fazer acabei por não me “irritar” com a situação, afinal a natureza é soberana nos seus tempos. A realidade é que com um cenário inicial tão “negro”, as melhores expectativas foram largamente superadas, uma vez que a visibilidade apesar de imperfeita, permitia ver o imponente Gunung Semaru – 3676 m -, a enorme e larguíssima cratera do Bromo  – 2392 m -, o pico do Gunung Batok – 2440 m -, a bruma a correr velozmente no céu e a paisagem a alterar-se a cada segundo. Misterioso! Belo! A beleza do “mistério”! Depois de deixar o miradouro, parti para as proximidades da enooooooooorme cratera do vulcão Bromo. Quando cheguei ao local, já existiam inúmeros jeep´s estacionados na bela e desolada planície de areia negra, rodeada de montes verdes seco. Em alegre romaria rumei à cratera, juntamente com outros turistas que se deslocavam a pé ou a cavalo e subi os degrau que levavam ao topo. Aí, apesar do vulcão não ser muito elevado, encontrei uma cratera larguíssima e fumegante, e vi múltiplas dunas de areia negra. Os muito turistas que se encontravam em redor, ajudavam a perceber a grandiosidade e a dimensão da paisagem e quando me preparava para subir ao ponto mais elevado da cratera, o vento começou a soprar vapores sulfurosos, obrigando-me a voltar para trás, sendo relembrado pela natureza e pelos deuses do fogo, que um vulcão é isso mesmo… um vulcão! E não um parque de diversões montado, para belo prazer do ser humano.