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Hot Pot

Quando chegámos a Xi´an, fui levado pelos meus dois amigos chineses ao meu primeiro Hot Pot na China. Mas não se pense que foi um Hot Pot qualquer, não! Fomos a um com um serviço Sete Estrelas! 😀 Antes do jantar e enquanto esperávamos foram servidos aperitivos de borla, na casa de banho havia um empregado para nos abrir a torneira, pôr-nos a espuma nas mãos e passar o papel para as secar!? Havia uma pequena creche, consolas para os míudos; manicure para as senhoras e serviço de massagens (sem encargos), panos para limpar óculos, toalhas quentes para as mãos (várias vezes durante a refeição), aventais para as pessoas não se sujarem. Abismado por todo o sem fim de comodidades e luxos fornecidas aos clientes, o mais importante seria mesmo a comida! Comida de excelente qualidade, fresquíssima e muito saborosa.

Como se fazem os NoodlesComo se toda esta descrição não fosse suficiente para um jantar memóravel, no final e irredutivelmente ainda me pagaram o jantar! Um resumo perfeito e do mais alto calibre, do que significa ser-se anfitreão nas terras do Império do Meio. 😀

Hot Pot

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Huashan a Primeira Montanha

Ato III – O Nascer do Dia, os Chineses e a Ratoeira Dourada

O Nascer do Dia

Acordei às 5.30, ainda de noite com o objetivo de ver nascer o sol e às 6.05 já estava a caminho do Pico Este (2096 m), o qual atingi às 6.20. Durante cinco/dez minutos observei o “terreno” e às 6.30 já estava instalado e pronto para o acontecimento. O sol nasceu algures entre as 6.50 e as 7.00, porém consequência das nuvens, para os espectadores de Huashan, apenas às 7.05 o astro rei se revelou. A partir desse momento e com o passar dos minutos uma luz dourada invadiu progressivamente a face oriental dos Picos Este e Sul, tornando a montanha num local mágico. Durante uma hora andei a passear no Pico Este e nesse tempo fotografei, vi um casal de “doidos” andar junto à beira de penhascos durante 5 minutos (!) :/ e estive no vai não vai para ir ao pavilhão Xia Qi Ting, o qual só é acessível se passarmos um penhasco, com uma corda de rappel.

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Os chineses

Às 8.00, uma vez que a temperatura estava a subir muito rapidamente parei para um mini-striptease e para tomar o pequeno-almoço. Nesse momento conheci dois rapazes chineses de Guangzhou, que escalaram a montanha durante a noite e iriam seguir para Xi´an nessa tarde –  tal como eu. A partir dai ficámos juntos o resto do dia: fomos até ao Pico Sul; mostrei-lhes o exterior das tendas onde dormira, voltei a encontrar as nobres gentes do dia anterior e tirei uma fotografia com/e ao “avô” – que já tinha as minhas luvas postas 😀 e eles foram meus intérpretes num agradecimento com mais palavras; visitámos o escarpado Pico Oeste e começámos a descer a montanha (10.40). Sem nos apercebermos, durante a descida (11.30) fomos levados a seguir o trilho que conduz ao portão Este e a uma ratoeira dourada! Às 14.00 estávamos no portão Este.

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A Ratoeira Dourada

A ratoeira dourada consiste em conduzir as pessoas (durante a descida), para o portão Este, em vez de as conduzir ao portão Oeste. Esta diferença à primeira vista insignificante, conduz as pessoas a um trilho – trilho dos soldados – desinteressante e monótono em que o objectivo é apenas descer degraus! :/ Porém a questão principal nem é essa e se fosse, já era grave! Uma vez que impede as pessoas de ver a verdadeira beleza da montanha durante a descida e no caso de alguns infelizes também na subida. O cerne da questão é que o portão Este fica a oito quilómetros do centro da pequena cidade de Huayin (华阴市), da estação de autocarros, da estação de comboios… enfim fica longe de tudo! E nesse momento, se as pessoas não tiverem carro – a grande maioria – é obrigada a apanhar um mini autocarro para regressar. Ou seja, sem o desejarem as pessoas são conduzidas a uma ratoeira da qual não conseguem escapar! 😦

Podíamos pensar, que ninguém é realmente obrigado a apanhar esse mini autocarro. Errado! A estrada que conduz ao centro de Huayin (华阴市) não tem bermas para peões e está cheia de curvas e contra-curvas, tornando-se um verdadeiro perigo para eventuais caminhadas! Toda esta questão, que eu considero abusiva por parte do parque natural, ganha requintes de ESCÂNDALO, quando no autocarro – operado por uma empresa independente – de regresso a Xi´an (西安) se pode ler um ALERTA  – em mandarim – que as pessoas que apresentarem o bilhete de entrada no parque natural antes de entrar nesse mini autocarro – todas as pessoas o têm – não teriam de pagar o bilhete do mesmo. Porém esta informação não existe em nenhum lugar, a não ser… já no interior de um autocarro que nos leva de regresso à grande urbe. Ou seja, o parque natural e a empresa de autocarros andam a encher os bolsos à conta das pessoas, por sonegação de informação. É legal? É…mas que não passa de um mais um esquema made in China, disso não restam dúvidas!

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Huashan a Primeira Montanha

Ato II – A Nobreza das Pobres Gentes

Quando entrei na tenda, estava um radiador em forma de parabólica ligado e dois homens descalços a aquecer os pés. O meu anfitrião pronunciou algumas palavras para os restantes e entretanto apontaram-me um lugar para me sentar e pousar a mochila, enquanto vários pares de olhos me olhavam com curiosidade. Dentro da tenda o espaço era rectangular e alto, a temperatura era agradável (fruto do radiador e do calor humano) e havia algum fumo. Para além disso, fora construída uma plataforma elevada em madeira e contraplacados em forma de U invertido que servia para manter as pessoas afastadas do solo enlameado e gelado. Esta plataforma estava cheia de edredons, sacos de viagem, ferramentas e pessoas sentadas ou deitadas a esfumaçar, a jogar às cartas ou pura e simplesmente silenciosas. Existia ainda, nesta plataforma uma subdivisão feita com outros painéis e panos de tenda, tal e qual uma segunda mini tenda.

Enquanto estava sentado fui dizendo várias vezes xìe xìe (obrigado) e apontei para mim e disse Putaoya (Portugal), entretanto já tinha tirado do bolso do softshel as notas que tinha comigo (cerca de 80Y) e passei-as para as mãos de um deles, que as passou para as mãos de outro e sempre a acenarem que não com a cabeça, foram passando as notas de mão em mão até elas me serem todas entregues. Nesta altura senti-me comovido com a nobreza das pobres gentes.

Ofereceram-me então uma garrafa da qual bebi uns goles para aquecer a garganta e para matar o bicho e tirei da mochila a comida para o jantar. Depois de a oferecer aos presentes (ninguém aceitou) comecei a comer com satisfação e apetite. Terminado o repasto, comecei a rearrumar a mochila e a tirar peças de roupa à vez: gorros, luvas, meias, polar, camisola e calças térmicas que fui mostrando às pessoas (sabendo que eram gente pobre) para ver se alguém aceitava alguma coisa. De tudo o que mostrei apenas aceitaram umas luvas polares, nada mais quiseram! Toda esta situação, comoveu-me. A generosidade, a simplicidade, a honestidade destas pessoas. Após a mostra de roupa ofereceram-me cigarros, mais álcool e fizeram-me uma cama com roupa que lá tinham, resumindo… Deram-me tudo o que tinham, sem esperar nada em troca e foram o espelho perfeito da bondade e da nobreza de carácter. 😀

Antes de nos deitarmos para dormir cerca das 21.30, ainda deu para: perceber o motivo de existência da mini-tenda (havia um casal entre os presentes); ver as luvas a serem entregues ao trabalhador mais velhinho (meio-dente e que fumava cachimbo); ver os passos de dança de um chinês mais extrovertido, ao som de um telemóvel 🙂 ; observar jogos de cartas; fumaradas; notar que as várias pessoas utilizavam o mesmo telemóvel (possivelmente para contactarem com a família); entender que aquelas pessoas eram trabalhadores da construção civil.

Adormeci pensado na minha felicidade e boa sorte. Adormeci a pensar que mesmo que a vida seja bastante dura, apesar da necessidade, da privação, das condições em que cada um trava a sua luta diária, da pobreza… o carácter, o bom carácter pode estar sempre bem presente e vivo na vida das pessoas… é ele que nos torna verdadeiramente nobres. 😀

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Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

Huashan a Primeira Montanha

Ato I – A Ascensão e a Procura

A ascensão da montanha iniciou-se por volta do meio dia e os primeiros quatro quilómetros foram bastante simples e sem dificuldades de maior. Destacando-se os templos e altares taoístas em que fui entrado e os malabarismos de um chinês no topo de um rochedo – há gente muuuuuuuito marada! :/ Após esses momentos de passeio e lazer e a partir do momento em que apareceram os primeiros cadeados com fitas vermelhas – representação simbólica dos desejos das pessoas – presos nas correntes laterais – correntes essas que nos auxiliam na ascensão e nos separam da zona dos penhascos – começaram as dificuldades em Huashan.

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Às 14.00 estava a almoçar na companhia de uma árvore milenar nas traseiras de um templo taoísta 🙂 e às 14.35 a subida complicou-se exponencialmente com seções de inclinações absolutamente diabólicas – Thousand foot Precipice e Hundred foot Crevice. Às 16.00 estava oficialmente no topo do Pico Norte – podia ter chegado antes, mas decidi percorrer uns trilhos alternativos para conhecer mais facetas da montanha – e nessa altura posso dizer que estava verdadeiramente FELIZ por ter chegado ao primeiro pico de Huashan e por ter a oportunidade de ver algo belo depois de o ter conquistado.

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Reflexão: Os montanhistas, alpinistas e praticantes de trekking devem experienciar algo semelhante e quanto maior o esforço ou a provação, maior esse sentimento.


O Pico Norte tem uma altitude de 1614 m e é o anfiteatro de eleição para os restantes quatro picos. Sim! Huashan é uma montanha de cinco picos: Norte, Sul, Este, Oeste e Central. O Pico Norte foi o primeiro a ser conquistado e aí acabei de almoçar aproveitando para descansar um pouco antes de recomeçar a ascensão, o que aconteceu por volta da hora coca-cola light. Nesta altura, porque o tempo estava super-agradável e porque via a quantidade de roupa quente que ainda tinha na mochila, comecei a pensar seriamente em dormir ao relento, nalgum lugar abrigado e o mais próximo possível do Pico Este (local de excelência para ver o nascer do sol na montanha). 🙂

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Às 17.00 estava na base do Jin Sue Guan, a seção que liga o Pico Norte à entrada para os restantes picos principais e posso afirmar que este trecho não é nenhuma pêra doce e que puxa pelo nosso corpo e mente. Cinquenta minutos depois estava no Pico Central (2037 m) e vinte minutos volvidos, cerca das 18.10 atingi o Pico Oeste (2082 m), do qual avistava a face do Pico Sul iluminada pela bela luz dourada do pôr do sol. 😀 Uns momentos antes desse belo acontecimento encontrei um americano e um neozelandês com que estive uns minutos à conversa e comecei a sentir-me desanimado relativamente à possibilidade de dormir ao relento (falaram do vento, do frio – temperaturas que podiam atingir os graus negativos… 😦 ) e comecei a olhar ainda com mais atenção para possíveis abrigos, notando que em alguns locais ainda existia neve.

Às 18.37 já estava a caminho do Pico Sul, o mais elevado da montanha (2155 m) o qual atingi já ao cair da noite, só para tirar a fotografia da praxe (no dia seguinte podia voltar mais calmamente). Quando comecei a descer do Pico Sul em direção ao Pico Este já as luzes dos trilhos da montanha estavam ligadas e iluminavam na medida do possível os degraus. Entretanto, continuava à procura de um abrigo, equacionando várias possibilidades, entre elas ficar num templo que estava a ser reconstruído…quando a meio da descida me deparei com duas grandes tendas.

Instantaneamente parei e comecei a vasculhar a mochila à procura de um papel (escrito em caracteres) que tinha a pergunta: “Quanto $ pela estadia?”. Nesse momento, saiu um homem da tenda e eu fiz-lhe sinal para esperar (enquanto continuava a minha procura pelo papel). O homem ficou completamente imóvel a olhar para mim, enquanto eu tirava papéis, papéis, papéis, papéis… mais pápeis e finalmente passados quatro minutos interminavéis lá achei o tal papel. 🙂 Ao mostrar-lho ele fez-me sinal para entrar com ele para dentro da tenda

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No Quarteirão Islâmico

Andava a deambular pelo centro da cidade com o intuito de ir ao quarteirão islâmico, mas como não sabia onde se localizava, limitei-me a andar e a observar o que a cidade me estava a oferecer (principalmente, muito movimento), quando… nas imediações da Torre do Tambor e por mero acaso encontrei o que procurava: o afamado quarteirão islâmico de Xi´an. 🙂

Quarteirão Islâmico

Quarteirão Islâmico (2)Imediatamente enveredei por umas ruelas, deambulando e sentindo o ambiente. Luzes a piscar, multidões, comida… muita comida, cheiros espalhados pelo ar, frutos secos, quinquelharia, roupa, óleos e incensos… Enfim, uma atmosfera completamente preenchida de sensações e bastante diferente das ruas chinesas tradicionais, como se de repente entrássemos noutro país. Um país das “Arábias” e com cheiro a Mil e Uma Noites. 😉

À saída do quarteirão Islâmico

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Símbolos e Deturpações na Pagoda

Ao visitar a Dayan Pagoda, o ambiente é de oração, serenidade e silêncio. Mas tal como no dia anterior (nos soldados de Terracota) fiquei com a sensação que o seu valor está inflacionado, de qualquer modo, no seu interior existem uns templos agradáveis de cores suaves (numa zona amarelos, na outra brancos). 

Pagoda DouradaDayan PagodaPara mim a surpresa ocorreu, quando numa janela vi uma “suástica” e relembrei-me de uma conversa que tivera com o Adam (Palestiano que conhecera em Pequim) sobre o facto da Cidade Proibida estar cheia de súasticas. Mas a questão é esta: este símbolo na China tem conotações associadas à felicidade e ao dinheiro. Deste modo, foi para para mim super-interessante aprender que os Nazis pegaram e deturparam um símbolo Budista, transformando-o na sua bandeira e imagem máxima.

Qual o significado

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Despedidas no Museu

No dia seguinte e último dia do Xiang em Xi´an consegui finalmente comer um saboroso pequeno- almoço chinês: Tofu doce (tien) e um frito delicioso. Partimos para o museu de Xi´an e na entrada fui barrado (o bilhete é gratuito mas é obrigatório levar um documento de identificação). Por esse motivo tivemos de nos despedir aí, o Xiang nesse dia voltou para Luoyang e eu fui obrigado a voltar ao hostel para ir buscar o passaporte. :/

      

Quanto ao museu, posso dizer que gostei muito, principalmente da seção de cerâmica e que vale bem a pena passar aqui um par de horas do nosso dia e aprender um pouco mais sobre a cultura Chinesa. 🙂

      No museu     No museu (2)

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Lights & Music

Quando voltámos dos soldados de Terracota, apanhámos um autocarro para as imediações da Dayan Pagoda e aí passeámos durante um bocado. Quando parámos, o Xiang explicou-me que queria ver um espetáculo numas fontes ali nas imediações e aguardámos durante duas horas e meia o seu início. Mas afinal o que me levou, a ficar à espera durante todo esse tempo? Bem ao que parece Xi´an tem nas imediações da Dayan Pagoda a maior fonte da Ásia e todos os dias e pontualmente às oito da noite, ocorre um espectáculo de luz, água e música. Viver e aprender! 😉

O espectáculo é verdadeiramente um espectáculo e valeu todo o tempo de espera! 😀 Naqueles momentos senti-me verdadeiramente feliz e durante instantes percebi que pertencia ao Mundo e que podia estar em qualquer lugar do nosso planeta. 

          

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Os Famosos Soldados de Terracota? So What?

Depois do malfadado pequeno-almoço, dirigimo-nos para a estação de comboios, onde apanhámos o autocarro (8Y) para o local arqueológico (sensivelmente, a quarenta quilómetros da cidade), onde estão “sepultados” os famosos soldados de Terracota. Porém e antes de o conseguirmos fazer, haveria que ultrapassar uma multidão de pessoas e de esquemas, para finalmente sairmos daquele covil de leões e ladrõesQuando chegámos ao destino, o primeiro impacto veio com o preço do bilhete, 150Y!? Dassssssss, é caro!!! :/ Após a compra, e já quando nos preparávamos para entrar pediram-nos mais 5Y de transporte para nos levar até à entrada dos pavilhões. Nessa altura, em que já estava a achar o “roubo” demasiado, disse ao Xiang que podíamos andar e desse modo víamos a área à volta dos pavilhões arqueológicos, ele concordou e passados quinze minutos estávamos a entrar pelo próprio pé num dos locais mais turísticos do país.

       

A ordem que escolhemos para visitar os pavilhões foi completamente aleatória, mas acabou por ser determinante no nosso “humor” geral e final – pavilhão 3, pavilhão 2 e pavilhão 1. Ao fazermos este percurso fomos em crescente e acabámos por deixar o local mais monumental e impressionante para último! 🙂 Para além da grandiosidade do espaço e da quantidade de soldados, o que foi achei mais fantástico, foi observar as singularidades de cada soldado: a sua altura, feições, armadura e postura.

            

Este é de facto um local único no mundo, isso para mim é claro, mas penso que o preço a pagar é demasiado elevado. Mesmo com as características únicas associadas ao espaço e ao que encerra, não querendo resumir tudo a números, o valor certo seria 80Y-100Y. Deste modo, a relação custo/qualidade não correspondeu de todo à realidade e saí do local, a pensar: os famosos soldados de Terracota? So what?

Hordas e destroços

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Em trânsito: Pingyao – Xi´an. O Passageiro Fantasma

Depois de Pingyao o meu próximo destino seria Xi´an na província de Shănxī, antiga capital do Império do Meio e casa dos famosos soldados de terracota. A minha viagem começa às 8.30, quando um táxi/motoreta (já incluído no preço do bilhete de autocarro) me vem buscar ao hostel. Iniciámos então um curto mas ruidoso périplo, pelas ruas da cidade nova (neste momento estou maravilhado pela novidade do meio de transporte) e sou largado na entrada da auto-estrada, nas portagens! O meu taxista faz-me sinal para esperar e parte ruidosamente de volta à cidade. Fico então sozinho a olhar para a estrada, com um sentimento misto de surpresa, nervosismo e ansiedade. Tudo é novo! Tudo é novidade! E sinto-me uma criança a aprender as regras básicas do “jogo”.

Passados uns vinte minutos, vejo um autocarro a sair da auto-estrada e a dar a volta logo ali nas imediações da portagem. Regras de trânsito? No pasa nada! 😛 O autocarro pára, apanha-me e segue viagem. Neste momento e como ninguém me deu bilhete, posso afirmar que sou um passageiro fantasma e o único ocidental a bordo. Durante a viagem aproveitei para actualizar o meu diário (escrever sobre os dias em Pingyao) e aproveitei para registar factos: território seco; algumas montanhas e topografia mais acentuada; meias a secar. O autocarro volta e meia pára na berma da auto-estrada para largar e apanhar passageiros; 396 km para Xi´an e a terra continua seca; fábricas e centrais de energia; buzinadelas em algumas ultrapassagens; atravessar de uma ponte de tirantes… A província de Shănxī dá as boas vindas com indústria e fumo (o ar parece poluído), atravessamos uma zona de socalcos super demarcados e a terra seca é intercalada com terra verde. No andar da “carruagem” colei todos os bilhetes no diário; comi dumplings frios e simultaneamente observei uma placa a indicar Xi´an: 87 km. Algumas ultrapassagens manhosas na auto-estrada, fizeram o motorista travar com intensidade, que lá está a escarrar novamente (RRRRRRRRRPU…). Na berma da auto-estrada pessoas com cartazes em chinês possivelmente com o destino escrito, esperam boleia. E pensei para mim: “Por vezes dou por mim a olhar para a paisagem ou para as coisas e não parece que estou na China, parece que podia estar em qualquer lado (sentimento de alienação), mas não! Cá estou eu, a chegar a Xi´an. Até já!”

              Primeiro Autocarro