Este lago e toda a sua área envolvente formam um local magnífico, que se localiza na periferia da cidade. Cheio de vegetação frondosa, água – lagos, riachos, cascatas, fontes – pontes, pavilhões, flores, um templo budista e uma estupa que imita Beihai, criaturas hediondas caídas do nada, vestígios arqueológicos e o museu de Penjing – arte que concilia a rocha, as árvores, o “vaso” e a base. 🙂 Foi um belo e longo passeio apesar do dia fresco e bastante cinzento.
Categoria: Fotografia
Passeio Noturno ao Anoitecer
Fotografias Made in Nanquim
Confucius Confusius
Depois de ter sido esmagado, senti que precisava de me animar um pouco e andei “confusius” em busca de Confúcio e do seu templo. No caminho encontrei o ser mais inergume de toda a espécie chinesa – pelo menos até à data: antipático, ordinário, por pouco não me acertou nos pés quando escarrou – talvez fosse esse o seu objetivo… resumindo um autêntico FDP! Após esse encontro muito desagradável, lá cheguei ao meu destino e percebi que o que procurava era afinal uma área super-turística (Qinhui River Scenic Area) de ruas, canais, edifícios residenciais antigos, pontes e o Templo de Confúcio.
Hoje em dia esta zona está cheia de lojas, turistas e excursões de bandeirinha em riste, luzes a piscar, dragões luminosos, Macdonald´s e KFC, enfim a brutalidade do turismo chinês em todo o seu esplendor! 😛 E por esta altura pensei que Confúcio estará de certo confusius na sua tumba secular. 😉
Nanquim e o Massacre
O dia ainda estava a meio, mas já tinha havido muitas emoções. Porém eu queria mais e achei que a minha viagem em Nanquim devia começar pelo Museu do Massacre, que é o local que homenageia os 300.000 mortos da cidade durante o período que antecedeu a segunda Guerra Mundial. Em 1937 o Japão invadiu a China e tomou de assalto grande parte do vasto território chinês e durante um “curto” período de seis semanas – 13 de Dezembro de 1937 a final de Janeiro de 1938 – a cidade foi reduzida a escombros e a população vítima da brutalidade de grande parte do exército japonês: violações – individuais e em grupo – fuzilamentos indiscriminados, abusos sobre a população, decapitações… enfim o lado negro do ser humano em todo o seu ”esplendor”. 😦
A experiência começou na porta de entrada com a observação de uma gigante “massa” chinesa à espera de entrar, mas felizmente depois de uns minutos a situação foi desbloqueada. Assim que entrei no recinto vi que o complexo está dividido em duas zonas: exterior – Parque e Memorial e interior – Museu e Arquivo.
Porque via o relógio a andar depressa e a hora de encerramento a aproximar-se fui primeiro à zona interior e logo de início tomei a resolução de não tirar fotografias, não sentia aquele lugar como turístico, apesar da quantidade de pessoas que por lá circulavam. Antes como um grande memorial da tragédia e um local para preservação da memória histórica e colectiva de uma cidade, de uma nação, da humanidade.
Na primeira sala, a entrada tinha o molde de uma mão e coloquei a minha mão lá, não sei se para sentir o metal se o peso da história. A sala ampla estava pouco iluminada. No teto o fatídico número 300.000 brilhava, no chão um ponto luminoso por cada vítima. Nas paredes o nome das vítimas gravado em relevo. Não aguentei, fiquei comovido e soltei duas lágrimas furtivas. A visita continuou e sala após sala vou observando o museu e as pessoas que lá circulavam e encontro de tudo: semblantes carregados, graves e sérios, sorridentes (?), atentos e comovidos até às lágrimas – mulheres. O museu vai pintando os negros acontecimentos e eu sigo por aquele espaço, tornando-me menos ignorante. Um dos momentos mais surpreendentes surge quando vi uma suástica nazi pintada das cores da cruz vermelha e ao lado deste, outros dois momentos me ficam particularmente na memória, o da grande parede dos arquivos e a zona dos 12 segundos: 300.000 mortos em seis semanas. A cada 12 segundos o som de uma gota a cair e o retrato de uma das vítimas a iluminar-se – durante essas fatídicas seis semanas, uma vida desapareceu a cada doze segundos na cidade de Nanquim!
Na zona exterior circulei pelo parque e pelos memoriais, e o momento mais marcante ocorreu quando vi as ossadas humanas encontradas numa escavação arqueológica. A diferença aqui foi saber que não morreram há milhares ou centenas de anos, foram mortas durante o século XX e enterradas em valas comuns. Tão distante e tão próximo…
Guerra e Paz
A chegada ao hostel foi complicada, pois se a viagem de autocarros decorreu sem problemas, a partir do momento em que comecei a andar as coisas complicaram-se, pois a tradução da morada que tinha era “manhosa” e os chineses não sabiam onde ficava aquela rua. Finalmente encontrei um rapaz chamado Lou e este com um pouco mais de tempo e muito boa vontade levou-me até ao mesmo. Aleluia! 🙂
Já no hostel, verifiquei que os preços caso marcasse ao “vivo” eram mais caros que na internet! E com acesso ao wi-fi do mesmo, marquei a minha noite de Domingo. Porém era Sábado e naquele momento, aquele hostel apenas tinha quartos individuais, ou seja o dormitório estava cheio e eu não tinha lugar onde ficar! Para além disso estava com alguns problemas com a rececionista que estava a ser inicialmente antipática e depois muito desagradável. Eu não me fiquei e disse-lhe que ela estava a ser desagradável e pouco educada. Entretanto andava no booking.com a ver se me safava – no preço da dormida sim, na localização nem por isso – e como não tinha nada a ganhar com aquele ambiente, enterrei o machado de guerra e perguntei-lhe se havia algum hospital nas imediações e se ela me guardava a bagagem, pois nessa noite iria lá dormir. Ela ficou admirada e surpreendida e foi então que ela me falou na possibilidade de dormir numa cama extra que o quarto tinha, por 50Y – antes de eu falar em hospitais esta cama não existia! Estranho? No mínimo, bizarro! Aceitei imediatamente, pois afinal e depois daquela viagem interminável apenas queria um local para dormir e tomar banho. 🙂
Com a questão da dormida resolvida tornámo-nos os “melhores amigos” e veio então o período de paz e prosperidade, no qual ela me ajudou a definir a rota até Xangai – escolha de cidades mais “pequenas” até lá chegar – deu-me um livrinho com detalhes de todas as pousadas da juventade chinesas – extremamente útil e fez-me um briefing sobre Nanquim. Perfeito! 😉
Na chegada a Fenghuang estava bastante abafado e calor. Para chegar ao hostel foi preciso muita sorte e perseverança, pois as indicações providenciadas na internet eram completamente rídiculas e desprovidas de qualquer sentido. Desse modo e assim que finalmente cheguei ao mesmo, libertei parte da minha irritação na rececionista, mesmo assim tentei controlar-me pois sabia que a culpa não era dela, mas como ela era a face visível do hostel…
Depois de me levar aos meus aposentos, convidou-me a mim e ao meu companheiro de quarto – um rapaz mexicano – para subirmos com ela até ao topo da pequena montanha de Fenghuang por caminhos alternativos e assim evitarmos o pagamento de 128Y! (mais de 15€). A caminhada montanha acima foi agradável pela companhia e pela conversa, quanto à montanha em si? Mais uma “chulice” chinesa! Que desta feita, foi contornada! 😛
Entretanto “Linda” – nome ocidental da rececionista – regressou ao hostel e eu continuei a passear com o Juan – nesta altura o meu companheiro de quarto, já tinha nome 🙂 – e ficámos a saber que para entrar em certas zonas da cidade antiga tínhamos de pagar bilhete! Outra vez, os chineses a abusar dos turistas. Porém e quando entrámos na parte antiga e mais cénica da cidade, ninguém nos cobrou nada e pudemos ver sem problemas o rio, as pontes, o sol dourado, as casas à beira rio e os monumentos antigos. Enquanto isso, assisti a mais um momento em que os Hans se mascaram de etnias minoritárias, neste caso de Miaos e achei tal facto caricato, pois a maioria dos Miaos que vi só queriam vestir-se de forma casual e passar por Hans. 😉
WulingYuan Floresta de Pedra
Ato VI – Trilho Final e Circularidades
Depois desse momento curioso apanhei um autocarro que me levou até à vila de Wulang. A parte inicial do trilho foi percorrida numa estrada de terra e só passado uns momentos é que recomeçaram os degraus e a primeira visão da vila foi bastante diferente de tudo até aquele momento, pois à distância parecia que a construção estava completamente embutida na pedra. 🙂 Segui na sua direção e a partir de certo momento o caminho era feito por entre “frinchas” dos rochedos. Depois de visitar a zona da mansão de Tianbo senti que aquele foi um local especial, por vários motivos: a “ponte suspensa” de cordas e um parvalhão a saltar nela que foi imediatamente empurrado (“Queres saltar?Salta! Mas não enquanto eu estiver em cima dela!”); as escadas verticais e de declives acentuados; os locais de passagem muito estreitos e a excelente panorâmica sobre os picos. 😉
Quando saí de lá, parti na direção de outro trilho e ao percorrê-lo, fiquei com a certeza que este também era bastante selvagem e se inicialmente parecia que iria ser outro trilho deserto, o tempo encarregou-se de me mostrar que nem por isso. 😛 Este trilho levou-me a locais espectaculares entre os quais One step to the Heaven e o mágico Corridor in the Cliffs que terminou num espaço aberto magnífico e com umas vistas esmagadoras. 😀 A partir de certo momento e apesar de ter sido aconselhado a voltar para trás – pelas recomendações que recebera das pessoas do hostel e que me ajudaram a organizar os dias no parque – continuei o caminho em sentido descendente até encontrar uma bifurcação. Nesse momento tinha como opções continuar a descer até à saída do parque ou alternativamente voltar a entrar na floresta, por um trilho que não fazia a mínima ideia aonde me conduziria e… optei pela segunda opção. 🙂
A floresta estava demasiado convidativa com as suas sombras e os seus reflexos verdes. O início do trilho foi bastante duro, uma vez que o sentido foi sempre ascendente e com inclinações bastante acentuadas, mas depois e mais perto do topo acabou por suavizar-se aos poucos. Quando lá cheguei não sabia onde me encontrava, apenas que o trilho seguia para Este e que tinha o sentido descendente. Exatamente o que pretendia! 🙂 Quando encontrei umas placas confirmei que estava no direção correta e com a ajuda de um pouco de céu azul e sol – finalmente! Pois os dias anteriores foram sempre muito pardacentos – o caminho tornou-se mais agradável. O trilho desembocou em Zicao Pool e no trilho no qual comecei a minha viagem em WulingYuan. Na despedida optei por percorrer o trilho no sentido que não conhecia e depois percorrê-lo em sentido inverso em toda a sua extensão. Durante o caminho pensei que este trilho era muito mais desinteressante sem a variação que fizera no primeiro dia e a partir de certo momento lembrei-me do meu “amigo” Theo Angelopoulos, dos seus travellings circulares e da circularidade do espaço com a acentuação do fator tempo. E para a minha visita acabar de uma forma perfeitamente circular, ainda fui a tempo de encontrar um rapaz que meteu conversa comigo quando estava sentado no início do trilho a tomar o pequeno almoço no primeiro dia! Curioso, não?! 😉
WulingYuan Floresta de Pedra
Ato V – Reencontro na Montanha
O último dia começou quando apanhei o autocarro e fui largado exactamente no mesmo local onde tinha chegado na tarde/noite anterior e logo no início do trilho, a primeira ponte estava guardada por macacos que felizmente não me arreliaram. 🙂 Desta vez o caminho foi feito em sentido ascendente, sendo por isso mais duro, mas ao mesmo tempo mais relaxado, pois já não havia a pressão do tempo associada e durante a ascensão fui observando com atenção o verde da “selva” e os picos que me rodeavam.
A ascensão durou hora e meia e quando cheguei ao topo dei de caras com a chinesa do dia anterior. 🙂 Quando nos reencontrámos, rimo-nos da coincidência e ficámos a conversar um pouco. Vim a saber que ela era de Suzhou e ao trocarmos os e-mails ficou combinado encontrarmo-nos lá e que ela seria minha cicerone na cidade. 😉
WulingYuan Floresta de Pedra
Ato IV – Enganos e Aposta Arriscada
Durante o percurso tentei encontrar o caminho que me levaria à zona inferior da montanha, sem sucesso e quando perguntei a um funcionário do parque o preço do teleférico e ele me respondeu: 22Y (quase 3€) pensei que o mesmo era razoável e por esse motivo apanhei um autocarro que me levou até à zona do mesmo. Porém quando lá cheguei, surpresa das surpresas o preço era 72Y (aproximadamente 9€). Fiquei chocado! Era muito dinheiro por um teleférico e no meio de uma excursão de chineses dirigi-me até à sua entrada com duas pequenas esperanças: não pagar; perceber quais eram as minhas alternativas. Não obtive nem uma, nem outra e num cenário de stress – fruto da hora já avançada, 18.00 – apanhei o autocarro de volta à zona dos Avatares. Aí tentei voltar a encontrar o trilho, mas esse devaneio apenas durou três minutos pois percebi que estava a queimar tempo útil e precioso. Comecei a raciocinar muito rapidamente sobre as minhas opções e ao olhar para o mapa, percebi que a minha melhor hipótese era apanhar um autocarro para o topo da montanha e zona do pavilhão Tianzi – onde tinha estado durante a manhã – e a partir daí descer até encontrar a estrada.
Era arriscado e um tiro incerto, mas naquele momento não havia tempo para mais. Para além disso já estava a improvisar! E muuuuuuuito! 😛 Apanhei então o autocarro – ainda estive dez/quinze minutos à espera que partisse, o que complicou ainda mais o cenário – que me levou de volta ao topo da montanha e fiz uma viagem que me pareceu interminável – mas que durou apenas meia hora – sozinho com o motorista, o que àquela hora não era de estranhar! Assim que o autocarro parou, sai disparado a correr em direção à descida e nesta altura as probabilidades de sucesso eram diminutas, uma vez que já eram 18.47 e os autocarros no parque páram às 19.30. Comecei a andar com um ritmo elevado e mesmo apertadíssimo de tempo, o caminho e a paisagem eram de tal modo apelativas que não resisti a tirar duas ou três fotografias. 😉 À medida que fui descendo, a luz do dia foi-se esvanecendo e o trilho tornou-se mais verde, mais húmido, mais escorregadio. A partir de certa altura tive de abrandar o ritmo pois pensei: “O mais importante é não cair, porque senão fico aqui estatelado e não sei quando é que me encontram” – o trilho estava de tal modo com tanto musgo e “verdete” que parecia não ser utilizado por ninguém há já algum tempo.
No final do trilho passei por umas pontes antigas que me agradaram, por umas casas abandonadas e comecei a descer finalmente em direção à estrada, sem saber onde me encontrava e qual a direção da saída do parque. Atingi a mesma às 19.27 já de noite. Passados poucos momentos comecei a ouvir o som de um autocarro e quando lhe vi os faróis comecei a agitar os braços freneticamente. Parecia uma galinha esbaforida! 😛 O autocarro que tinha apenas os faróis ligados, estancou, o motorista abriu a porta e perguntou: “WulingYuan?” eu acenei que sim com a cabeça e o autocarro que estava na mais completa escuridão foi subitamente iluminado e vi então, que estava cheio de pessoas que olharam para mim com um ar completamente aparvalhado, intrigado e curioso, algo do género: “Mas de onde é que este tipo saiu?”. Quando o autocarro arrancou estava orgulhoso de ter conseguido, mas ao mesmo tempo ciente da minha boa sorte. 😀 Durante a viagem o corpo foi descomprimindo e enquanto percorria o caminho até à entrada do parque pensava que se não tivesse apanhado este autocarro estava bem lixado porque a distância era longa, muuuuuito looooonga! Quando cheguei à entrada do parque tive a oportunidade de ver a sua bonita iluminação e na despedida de mais um dia, observei as típicas coreografias chinesas – comuns a quase todos os parques e praças do país. 🙂



























































