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Pedalando em Sukhothai

Depois da semana dourada em Chiang Mai, chegaram a primeiras viagens no norte da Tailândia e com elas as visitas a locais arqueológicos que foram o coração do seu antigo reino e império. 🙂  

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Sukhothai foi o nosso primeiro destino e tendo em conta a vasta dimensão do parque arqueológico alugámos umas bicicletas para partir à sua descoberta. O mesmo está dividido em três áreas distintas: Central, Oeste e Norte e se em tempos era possível comprar um bilhete global, hoje em dia tal já não é possível e cada zona vende os bilhetes separadamente. Comprámos então o bilhete para a zona central e a mais importante, e na entrada o controlo foi de tal modo ridículo, que só não entrámos sem bilhete porque já o tínhamos comprado! Uma lição para o futuro.

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Num dia completamente farrusco e cinzento, pedalámos com tranquilidade e percorrendo o verde parque fomos vendo: inúmeros templos, colunas e estupas em forma de sino construídas em tijolo; incontáveis estátuas de Buda nas diferentes posições – a caminhar, em pé, sentado…; árvores e as suas densas e impressionantes raízes superficiais; lagos que se assemelhavam a pântanos. 🙂 O dia foi sereno como o local que visitámos e quando chegámos à guesthouse e apesar do dia de chuva e encoberto, houve “alguém” que conseguiu queimar-se! Incrível não!? Mas é verdade! 😛

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Chiang Mai? Uma Semana Dourada!

A semana passada em Chiang Mai, foi escrita na memória e no coração com a cor da cidade… a cor do ouro e existiram vários momentos que contribuíram para a sua riqueza. 😀 O primeiro deles, foi encontrar uma guesthouse – Banjai Garden – que fruto do acaso – um reencontro com Sam, um rapaz francês que encontrei pela primeira vez, em Nong Khiaw  acabou por se transformar na minha primeira casa em viagem. Durante quase uma semana, eu o Kristian ficámos aí hospedados e sentimos o calor de Franck e Izze, os nossos queridos anfitriões.

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Juntamente com o Kristian e montados numa scooter, fizemos um loop de cerca de uma centena de quilómetros, em redor da cidade. Durante a viagem, para além da visita ao reino dos tigres, visitámos as cascatas de Tatman e Tatluang – água de cor barrenta – observámos uma paisagem verde de florestas, montes e vales e fomos “abençoados” por uma chuva torrencial que fez a estrada ficar quase invisível e nos fez parar para comer um delicioso corneto de chocolate, que soube a “nozes”. 🙂

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Tive a oportunidade, de pela primeira vez saborear a maravilhosa e barata comida tailandesa e participar numa memorável e deliciosa aula de culinária, que não se esgotou nesse dia. Uma vez que nela, eu e o Kristian conhecemos duas “kiwis” – raparigas neozelandesas – e uma “uncle Sam” – rapariga americana – com as quais – e juntamente com Sam – tivemos duas noites inesquecíveis de: convívio, música, conversa, partilha e copos. Obrigado, amigos! Obrigado, Kristian! 😀

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E principalmente, recebi a visita que tanto aguardava e pela qual esperei desde a minha ida a Portugal, não sem antes nos desencontrarmos e reencontrarmos no pequeno aeroporto de Chiang Mai, com um sorriso nos lábios e um abraço muito apertado. 😀

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Juntos, visitámos os múltiplos e ricos templos da cidade, dos quais a grande maioria são dourados, entre eles o excessivamente famoso Doi Suthep e que se localiza a dezassete quilómetros do centro. Na maioria desses templos maravilhosos, vimos: sumptuosos altares; inúmeras estátuas de buda; fitas e bandeiras presas nos tetos; sinos; guarda-chuvas; incensos e velas a arder; e monges a orar e a receber o seu ordenado, tais como funcionários de qualquer empresa! :/

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Experimentámos pela primeira vez o prazer indulgente duma massagem tailandesa – sem malícia – pelas mãos de massagistas experientes e durante uma hora fomos bem esticados, puxados, repuxados, comprimidos e apertados. Ficando no final uma sensação de leveza e “desenferrujamento” muscular. 🙂

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Na despedida da cidade, passeámos pelo enorme e vastíssimo Sunday Market. E posso afirmar que nunca tinha visto um mercado a “tomar de assalto” uma cidade daquela maneira, com várias ruas principais a fecharem o acesso ao trânsito e a serem invadidas por hordas de vendedores, turistas e nativos. Aí pode-se encontrar um pouco de tudo: vestuário – T-shirts, calças, vestidos, roupa interior, lenços; calçado – chinelos, sapatos…; artesanato – brincos, anéis, carteiras, bolsas; bugigangas variadas e cheias de cor e claro comida, muita comida – grelhados, sopas, sumos de fruta, doces, saladas. O ambiente da cidade assemelha-se ao de uma grande romaria popular descontraída e até ao seu encerramento – cerca das 22.00 – os templos continuam abertos, sendo fantástico observar o seu dourado a resplandecer sob a iluminação dos holofotes. Tudo brilha, tudo parece ouro e existe uma aura de riqueza e ostentação. Aqui não há privações. Bem vindos à face rica da Tailândia! 😀

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No Mundo da Cozinha Thai

Ato II – Culinária

Quando voltámos às nossas bancadas individuais, a primeira coisa que fizemos foi pôr o nosso avental vermelho e com as indicações da nossa instrutora pôs-se a cozer arroz de jasmim e um segundo tipo, sticky rice – um arroz que é peganhento, devido à goma existente no bago – que serviriam de acompanhamento para os pratos que iríamos confecionar.

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Começámos por fazer uma pasta de caril e no meu caso que escolhi a verde, a base eram chilis verdes – quanto mais compridos e maiores, menos picantes – cebola, alhos, cebolinho e gengibre. Tudo para dentro de um almofariz e depois foi pôr o pilão a bombar. À medida que os ingredientes iam sendo esmagados, o cheiro intensificava-se, um cheiro a chili fresco invadia o meu olfato. 🙂 Depois destes primeiros ingredientes já formarem uma pasta grosseira, juntou-se umas folhas verdes de outras plantas que não consegui fixar o nome, e continuei a esmagar até a pasta ficar mais uniforme, homogénea e pastosa. Tirei a pasta do almofariz e pus o máximo que consegui numa tigela, para a mesma apurar o seu sabor.

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Findada esta tarefa, voltámos a nossa atenção para as sopas, no meu caso: Tom Kaa com galinha. Numa pequena caçarola juntei leite de coco e ervas em lume brando – para aromatizar – depois piquei cebola, tomate e cogumelos e juntamente com uns bocados de galinha coloquei tudo dentro da caçarola e aumentei o lume até ao ponto de fervura e assim ficou durante cinco minutos, altura em que retirei a sopa do lume e a pus numa tigela.

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O segundo prato, tinha como base a pasta de caril previamente feita e o primeiro passo foi pô-la a fritar. Quando o cheiro se começou a intensificar, juntei-lhe leite de coco e galinha e passados poucos minutos as abóboras – uma amarela e outra verde. Depois de se apagar o lume juntei-lhe mais umas “plantas” e deixei tudo a apurar na caçarola. O meu terceiro prato foi galinha com cajus – cebola, cenoura, feijão verde, galinha, cogumelos, cajus e um molho que resultava da junção de outros dois – que foi feito num wook.

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Quando acabámos, partimos para a fase de degustação e a mesma foi espetacular pois tivemos a oportunidade de nos deliciar com os saborosos pratos confecionados. 😀 Foi um almoço farto: uma sopa, dois pratos principais, salada  e muito arroz. Quando acabei a refeição estava “grávido”! Ou quase… 😉 Depois do repasto tivemos meia hora para relaxar e durante esse período, aproveitei para conversar com uns holandeses. Ainda “grávido” voltei à minha bancada e quando me preparava para fazer a sobremesa e “fechar a loja”, vi que afinal faltava a confeção de mais um prato! Pad Thai. “Ok… sem problemas, vou cozinhar e depois peço um recipiente para levar para a guesthouse.” 😛 A verdade é que nem foi preciso. Terminado o prato, pusemos o mesmo num saco de plástico e ensinaram-nos a técnica Thai do empacotamento. “Porreiro pá! O jantar também está garantido.” 🙂

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Chegou-se finalmente ao último prato do dia, a sobremesa. A minha era manga com arroz pegajoso (sticky rice) e umas sementes. Deliciosa! Ah e como o Kristian não conseguiu acabar de comer a sua sobremesa – abóbora em leite de coco – eu fui em seu auxílio e dei-lhe uma ajudinha. Os amigos são para as ocasiões. 🙂 Depois de deixarmos as bancadas arrumadas e desimpedidas, despedimo-nos da nossa instrutora e partimos de regresso a Chiang Mai de papo, coração e memória cheios. 😀       

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No Mundo da Cozinha Thai

Ato I – Os Ingredientes                                                                                    

Novo dia, nova experiência. Desta feita eu o Kristian fomos participar numa das famosas aulas de culinária Thai, disponíveis em Chiang Mai. Depois de nos virem buscar à guesthouse e de andarmos a recolher os outros participantes, a nossa primeira paragem foi num mercado tradicional onde conhecemos a nossa monitora/instrutora e onde tivemos uma introdução aos ingredientes fundamentais da cozinha Thai.

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Inicialmente a monitora, pareceu-me pouco natural e com um sorriso forçado, mas passado pouco tempo mudei de opinião. Ela era mesmo meio doida, divertida, hiperativa e repetia n vezes: “It is good for your men” – com um sorriso maroto. 😛 Bem dispostos começámos a ver os múltiplos molhos e óleos utilizados – uma panóplia vastíssima – passámos para os diferentes bagos de arroz – alongados, achatados, mais brancos, negros – coco, vegetais, ovos, chilis e terminámos nas carnes.

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Do mercado voltámos a montar na carrinha e a caminho da quinta biológica onde o curso decorreu, escolhemos individualmente os pratos que queríamos confecionar – existiam três pratos à escolha em cada uma das diferentes seções. Quando chegámos, fomos encaminhados para o nosso anexo que era um espaço amplo, alto, arejado, limpo e com todos os utensílios necessários para a confeção dos nossos pratos – existiam três anexos gerais distintos, com três cursos a serem realizados em simultâneo, mas com um monitor para cada um deles. Antes de começarmos a cozinhar, passámos primeiro pelo jardim e aí tivemos a oportunidade de ver e provar algumas ervas aromáticas, frutos e plantas que são utilizados na confeção dos pratos Thai. Os ingredientes estavam apresentados. 🙂

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Tiger Kingdom

A dez quilómetros de Chiang Mai, eu e o Kristian começámos a avistar umas placas a assinalar Tiger Kingdom e antes de chegarmos à entrada estivemos a conversar durante uns minutos, para decidir se entrávamos ou não. Eu disse-lhe que pela descrição de Max  – um alemão que conhecemos em Pak Beng  não tinha muita vontade de ir, mas caso fosse, era para ver o local com os meus olhos e depois relatar a minha experiência. O Kristian por sua vez disse que tinha curiosidade de ver os pequenos tigres, pois uma amiga tinha-lhe relatado maravilhas desse encontro.

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Depois de esgrimidos os nossos argumentos, dirigimo-nos à entrada onde verificámos que para entrar na jaula dos mais pequenos tínhamos de pagar o bilhete mais caro, mas como entrar nas jaulas dos maiores e fazer-nos passar por hércules” não era o nosso objetivo, fomos visitar as crias sem nos importarmos com essa diferença – que diga-se em abono da verdade não era assim tão elevada. No entanto antes de entrarmos tivemos de assinar uns papéis de termos de responsabilidade e seguros. Já na zona dos benjamins tivemos de lavar as mãos, descalçar-nos e ler uma série de regras e avisos que devíamos cumprir enquanto, estivéssemos em contacto com eles, por exemplo: podíamos tocar-lhes, mas não na cabeça; não devíamos brincar com eles e “atiçar” o seu lado mais selvagem; fotografias sem flash.

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A experiência foi engraçada. As pequenas crias são de facto adoráveis e as suas patas felpudas e gordas um must! 🙂 É giro ver como mesmo as crias têm patas tão poderosas e como o seu instinto já está vivo mas sem grande controlo. Nos quinze, vinte minutos que estivemos mais próximos deles deu para sentir a patita felpuda e “gorda”; vê-los brincar/praticar com os seus pares – mordiscar orelhas, ferrar os dentes, agitar as patas, engalfinharem-se uns nos outros de forma caótica e desordenada; observar o seu belo e lustroso pêlo e os seus olhos vivos. Apenas houve um momento que me deixou com uma sensação estranha e não muito confortável e aconteceu quando observei os olhos de uma cria enquanto ela estava no limbo entre dormir e acordar. Os seus olhos pareciam ausentes, baços e vazios como se a cria estivesse perdido toda a sua alma e vitalidade. Foi estranho! :/ Mas como foi caso único penso, quero pensar que a cria estava apenas a dormitar e que não estava drogada!

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Quando saímos da mini-jaula voltámos a calçar-nos e a lavar as mãos e seguimos pelo reino dos tigres apenas observando os tigres maiores do exterior das jaulas. Alguns deles pelo seu comportamento – andar repetidamente ao longo da jaula – apresentavam sinais claros de uma doença mental típica de espaços confinados; outros tinham os olhos vivos e brilhantes e estavam tranquilos, e outros brincavam com um tronco de aproximadamente três metros de comprimento, dentro de água. 🙂

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Os tigres são animais com uma envergadura impressionante e uma presença poderosa e massiva, impondo na mesma dose e proporção, respeito e admiração. Acredito que ver uma criatura destas no seu habitat seja capaz de gerar emoções suficientes capaz de ressuscitar um morto, vê-los assim em cativeiro a servir de adereços para “hércules e herculinas” humanas provarem a sua “bravura e coragem”, não me agrada, fascina, atrai ou tem qualquer significado. Aliás, até significa mas no pólo negativo, porque está-se a reduzir um animal magnífico a um momento egocêntrico e de puro exibicionismo. 😦

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E para mim o relato do Reinos dos Tigres acaba aqui, porque a questão dominante de: os tigres estão ou não drogados? É complexa e de difícil ajuizamento. Houve alturas que pensei que sim, outras que não e no final saí sem certezas relativamente à questão. O que posso afirmar é que não gostei da “energia/vibração” do local, mas não me arrependo de lá ter ido, pois nem sempre uma pessoa paga e obtém uma boa experiência. Paguei, vi com os meus olhos e senti a atmosfera do local e isso foi suficiente para fazer valer a pena a ida ao Reino dos Tigres e dos Hércules.

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Ato II – Pak Beng – Huay Xai. Pânico Matinal  

A viagem entre Pak Beng e Huay Xai, já na fronteira com a Tailândia decorreu com normalidade e foi em tudo uma fotocópia, do dia anterior. Mesma paisagem, mesmo preço do bilhete, mesmo número de horas de viagem, mais conversa com as mesmas pessoas, procura da guesthouse e jantar em grupo. 🙂

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(Através do olhar do Kristian)

Porém, houve um momento que ativou o meu modo de pânico e fez esta viagem ficar ainda mais memorável. Mas vamos aos factos: estava já no interior do barco a falar com um casal de americanos sobre fronteiras e vistos quando mecanicamente pus a mão no bolso lateral dos calções e… caiu-me tudo ao chão! Principalmente as bolas! Não tinha comigo as bolsas dos cartões e documentos – passaporte, cartões MB e de crédito – e onde estava todo o dinheiro tailandês que tinha arranjado no Laos – 35.000 Bath! Cerca de 875€!. Tinha ficado tudo debaixo da almofado no quarto! Fiquei em pânico e disse ao meus companheiros de viagem para não deixarem sair o barco enquanto não regressasse – isto com as mochilas a bordo. :/

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Larguei a correr encosta acima até ao local da guesthouse e quando lá cheguei as portas estavam todas fechadas! “Eu não acredito nesta m#%£@! Logo hoje é que tinha de encontrar uma guesthouse que funciona a meio gás!?”. Dirigi-me ao piso do quarto… Tudo fechado! Entrar pela janela? Impossível. Grades na mesma! “Ai a P%#@ da minha vida!”. Voltei a descer ao piso térreo e mesmo com um cadeado na porta – metálica e de correr – comecei a tentar abrir a mesma. Passados dois minutos desisti, nada feito! “E agora?”. Quando me preparava para procurar alguém nas redondezas, chegou uma carrinha com parte da família que geria a guesthouse. Muito rapidamente e freneticamente tentei explicar-lhes que me tinha esquecido do passaporte no quarto e num minuto deram-me a chave do mesmo. Galguei os degraus à velocidade da luz, abri a porta, dirigi-me à cama e ao levantar a almofada… lá estavam as famosas bolsas! 🙂 Deitei-lhes uma mirada rápida e pû-las no bolso. Tranquei o quarto, desci as escadas a voar, entreguei as chaves e voltei a correr desalmadamente encosta abaixo. Desta feita com a “santa” gravidade a ajudar-me no caminho de regresso ao barco.

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Quando lá entrei, disse aos meus companheiros de viagem que estava tudo bem e sentei-me dez minutos num banco, sozinho, a respirar e a deixar o meu corpo regressar a um ritmo normal. Durante esses minutos o barco acabou mesmo por partir e agradeci à boa sorte o facto de quase todos os transportes no Laos, atrasarem. Ai boa sorte, fortuna, estrela, destino, fado… ou outro nome que tenhas. Agradeço-te novamente, salvaste-me o pêlo! 😀

P.S. – A viagem de dois dias foi longuíssima, mas perfeita e o Mekong merece uma viagem destas. Porém ouvi relatos que a viagem feita na direção inversa, Tailândia – Laos, pode por vezes transformar-se num verdadeiro inferno e tormento, devido à lotação completamente esgotada dos barcos. 

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Ato I – Luang Prabang – Pak Beng. O Grupo Reúne-se

Na chegada a Prabang apanhei um tuk-tuk para o centro da cidade e durante a viagem conheci uns nativos que me informaram que para apanhar o barco para Huay Xai, deveria ir até um cais que ficava a doze quilómetros – geralmente, a informação fornecida pelos habitantes locais é imbatível. 🙂 Às sete da manhã estava no cais, à espera que a bilheteira abrisse e depois de esperar uma hora, comprei finalmente o bilhete rumo a Pak Beng.

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O barco partiu numa manhã de cinza e prata e ao longo do dia, fomos zingue-zagueando Mekong acima. Durante a longa viagem, que durou quase dez horas, observei a paisagem e a vida a bordo: as margens estavam cheias de vegetação e a inexistência de aldeias era quase total; o desembarque das pessoas era feito com estas a saltar para as margens cheias de lama; o rio era largo, castanho e barrento e nalgumas zonas cheio de rochas; de vez em quando viam-se os famosos e mortíferos barcos rápidos a passarem por nós quais balas – eu diria que fazer a viagem num barco desses e num rio com tantas rochas submersas é quase uma loucura; no barco havia uma mescla de turistas e nativos, as crianças sorriam e famílias inteiras dormiam no soalho; o barco estava carregado com sacas, caixas de cartão, bagagens e mochilas; os assentos eram muito confortáveis – poltronas de dois lugares – e em abundante número. Mas principalmente conheci e falei com muitas pessoas entre as quais um casal de estudantes polacos (Marcin e Agata), um assistente de cirurgia e aspirante a cirurgião alemão (Kristian) e um advogado israelita, quarentão e solteiro (Niro).

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Antes de desembarcarmos, convidei o Kristian para partilhar quarto e na chegada a Pak Beng, o grupo que se formou durante a viagem manteve-se unido. Juntos procurámos uma guesthouse, juntos jantámos num restaurante indiano, juntos passámos o serão num barzito em animada converseta. Estava feliz! E penso que essa felicidade provinha de depois de ter viajado com o Zhou durante tanto tempo, estava grato por continuar a encontrar outros viajantes com os quais podia partilhar experiências e aprendizagens. 🙂

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Vientiane? M.M.E.D.G.Z.

Muitas pessoas associam a capital do Laos, às palavras: tédio e desinteressante. Porém e ao contrário dessas pessoas, Vientiane, foi para mim uma cidade cheia de boas recordações e memórias. 🙂 E terá sempre algumas palavras chave, associadas: o todo poderoso Mekong e os finais de dia de sonho; a estranha sensação que tive ao Meditar pela primeira vez na vida – observar que a mente/cérebro/pensamento não param! Aliás, aprender que é impossível parar de pensar e apenas podemos abrandar esse fluxo e observar o que se está a pensar. É quase como se nos tornássemos espetadores do nosso pensamento/mente – acompanhado pelo Zhou; na Embaixada da Tailândia, apliquei pela primeira vez um formulário para obter o visto de entrada no país; ganhei algum Dinheiro, fruto de câmbios sucessivos entre o Kip e o Dólar – economia paralela e aqui me despedi do Zhou. Goodbye, Zhou! Goodbye, my “crazy” friend! Goodbye, my good friend! 😀

MEKONG

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MEDITAÇÃO

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     EMBAIXADA

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DINHEIRO

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     GOODBYE ZHOU

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Vang Vieng. Grutas e Presunções

Depois dos magníficos dias na planície dos jarros, eu e o Zhou partimos para Vang Vieng, vila/cidade onde estivemos quatro dias. O local, está cheio de bares; restaurantes; vendedores de crepes e sumos de fruta, a cada dez metros; guesthouses; agências de viagens e empresas de aventura. A cidade é feia, desinteressante e está completamente virada para o turismo e para o turista ocidental… porém e à sua volta existe o rio Nam Xang e formações calcárias – montanhas e grutas – que a salvam do Inferno. 🙂

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Ao longo dos dias que aí estivemos, comi inúmeros e deliciosos crepes; comprámos dez ananases de uma assentada; visitei pelo menos três ou quatro grutas espetaculares e numa das quais fiz tubing  andar numa caverna cheia de água e fazer parte de uma centopeia humana luminosa – pessoas em cima de bóias, com lanternas na cabeça em fila indiana, foi algo de especial e singular; escrevi para o blog; fiz canoagem; passeei nos arredores da vila; molhei-me – fruto de tempestades tropicais e das atividades aventura; entediei-me… deu para tudo. 😉

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E para refletir que existem experiências que se têm ou coisas que se fazem em viagem que são turísticas? Certamente! Muito mesmo! Podem ser especiais? Sem dúvida. Por isso um pequeno lembrete para os “viajantes” puros ou snobes que não fazem isto ou aquilo porque é turístico. Deixem-se de tretas e complexos! Nós só não somos turistas na nossa terra Natal. De resto, até no nosso país, Portugal o somos!

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Por isso o meu conselho para todas as pessoas que viajam é: “Façam tudo o que quiserem, o que vos der prazer. Tudo o mais são balelas de pessoas que pensam que são especiais, quando na realidade são iguais a todos os outro que viajam”. O ego é tramado e gosta de nos fazer acreditar na nossa “individualidade”, mas o que realmente importa é sentirem-se bem, em paz, tranquilos e felizes. Sejam felizes, vivam felizes, só assim vale a pena viver a vida, a única que temos. Agarrem-na bem e não a desperdicem!”

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Pedalando em Phonsavanh

Ato VI – Sítios número 2 & 3. A Surrealidade Continua

Após este percalço seguimos viagem e às sete e pouco avistámos a placa que anunciava “Plain of Jars Site 3”. Desmontámos das bicicletas, prendemo-las e seguimos a pé por um trilho que nos conduziu por um arrozal adentro até nos depararmos com o local arqueológico propriamente dito no topo de uma colina verdejante. Os jarros estavam dispostos no meio de árvores, havia vacas a pastar no meio deles e a paisagem circundante era magnífica: céu azul, nuvens cinza e prata, campos, colinas e montanhas verdejantes alternando o verde escuro com o verde claro e alguns retalhos castanhos! 🙂

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Depois da visita, decidimos aproveitar e tomar o pequeno almoço num pequeno “tasco” colado ao local arqueológico e quando já estávamos à mesa, apareceu então o porteiro, que nos vendeu o bilhete do local que acabáramos de visitar! Surreal! 😛 Já com a barriguita mais composta, seguimos viagem para o sítio arqueológico número 2 e o único que nos faltava, para darmos por concluída a nossa visita à Planície dos Jarros e regressarmos a Phonsavanh.

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O caminho que uniu o sítio número dois ao número três não foi o mais espetacular mas ainda deu para passar por uma manada de vacas que estava no meio da estrada, ter de desmontar várias vezes da bicicleta, ver arrozais e aldeias e visitar a cascata de Tad Lang que foi uma desilusão. Eram quase dez da manhã quando literalmente pulei a cerca para entrar no sítio arqueológico número dois, pois mesmo pagando bilhete esta era a única forma de entrar! Eu já disse que este local é surreal, não disse? 🙂

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Desta feita fiz a visita sozinho, pois o Zhou já estava cansado e depois de subir uma “escadaria” de tijolo e terra, cheguei ao topo de uma colina onde encontrei o menor número de jarros, mas os mais bizarros, com árvores a brotar literalmente do seu interior. O que se via era um jarro já completamente partido ao meio, ou em mais bocados devido à pressão exercida pelo tronco da árvore. 🙂 Na segunda colina, deste local deparei-me com mais uns jarros no meio da relva verde e de algumas árvores, mas principalmente, deleitei-me com a paisagem que se avistava do local: rios, campos, montanhas e colinas, mosaicos de arrozais, ilhas de múltiplos verdes, enfim uma belíssima panorâmica na despedida, deste local mágico que é a planície dos Jarros. 😀

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