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Haikou!? A Real!

A viagem de regresso a Haikou, foi igualmente feita de “TGV”… Vrummmm! 😛 Depois de chegar e colocar a bagagem no hostel, a primeira coisa que fiz foi tentar comprar um bilhete para o “famoso” ferry de Beihai, porém e devido ao mau tempo o mesmo foi cancelado e desse modo tive que arranjar uma alternativa – viagem de autocarro. E agora sim, vamos falar desta cidade.


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Durante os dias que aqui estive, aproveitei para comprar muita e deliciosa comida de rua e deambular sem planos. Numas dessas deambulações acabei por ir parar à zona nas imediações de Bo´ai Nanlu e dos seus prédios de fachadas degradadas, dos seus negócios de rua, do seu movimento fervilhante e dos seus mercados de peixe seco. 🙂

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Enfim, senti uma China totalmente diferente, talvez como não sentia desde os hutongs de Pequim, ou será que alguma vez senti uma China tão real, tão viva, tão bruta? 🙂 Não sei responder. Sei que a cidade com a sua face não lapidada – a China das pessoas e não a China dos destinos turísticos – me encantou e fiquei com a certeza que aqui, em Haikou, a degradação é um exercício de estilo. 😀

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Xing Ping – Ping´an. O Dia da Água

No dia anterior fruto do tempo carregado, eu e o Greg não chegámos a sair da vila, tão pouco conseguimos ver o nascer do sol e a nossa despedida foi efetuada no corredor do hostel. Estavam lançados os dados para o que seria este dia. Às 8.55 eu e a Zheng apanhámos o autocarro para Guilin e depois de percorrido meio caminho, começou a chover. A chegada à cidade foi abençoada por uma chuva torrencial e da estação de autocarros onde parámos – que mais parecia um depósito de autocarros – para a estação Oeste percorremos o caminho num pequeno autocarro local. Aí apanhámos um novo autocarro e durante o trajeto continuou a chover com intensidade.

Ao sairmos do autocarro, perguntaram-nos se queríamos seguir viagem num dos famosos “táxis manhosos”, ao que respondemos que não estávamos interessados e que íamos esperar pelo autocarro regular. O problema é que esse autocarro, deveria ser invisível pois nunca mais aparecia 😛 e depois de muita chuva, um almoço à base de doces, perguntas de quando o autocarro viria, conversas sobre música, muita chuva e… duas horas depois rendemo-nos à fatalidade que tínhamos de apanhar o “táxi”.

O último troço, foi realizado numa estrada esburacada e lamacenta, serpenteando montanha acima com visões de um rio a correr com pujança e vigor e de zonas onde tinham ocorrido deslizamentos de terras. :/ Para ajudar à festa, continuou a chover mas diga-se em abono da verdade, nunca mais tinha parado de chover. Nunca! A chegada a Ping´An foi feita sob o signo da chuva e da névoa e naquele final de tarde quase que podia jurar que estávamos numa vila fantasma, onde apenas circulavam dois ou três “fantasmas” de capas plásticas transparentes e um silêncio tão pesado que se ouvia cada passo dado.

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Crónicas Fotografia

Xing Ping. Búfalos & Camponeses

Como combinado na noite anterior, o Greg apareceu de manhã no nosso hostel  e juntamente com a Zheng e uma rececionista – que eu nunca tinha visto – partimos para um terreno nas proximidades de Xing Ping e o mesmo era tão grande que podia ser utilizado para se jogar futebol de onze! 😛 Porém o pensamento geral foi piqueniques, barbecues e acampamentos.

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O terreno estava colado ao rio e havia uma mini cascata com uma ligeira névoa na superfície da água barrenta. Era de facto um local idílico 🙂 e aí estivemos sentados tranquilamente, a falar e mandar pedras rente à água, até chegar um búfalo para pastar e ele se aproximar, aproximar… aproximar até estar – sensivelmente – a vinte metros de nós! Nessa altura e para pintar o quadro com cores mais garridas, apareceram dois camponeses muito rústicos e castiços – o mais novo tinha ar de gozão e não tinha os dois dentes da frente e o mais ancião era muito magro, de pele escura, tinha um dente de ouro, cabelo prateado e cortado à “escovinha” e usava uns calções cinzentos, uma camisola rosa-choque muito gasta e um cajado – acompanhados de mais um búfalo! 😉

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Os búfalos foram até o rio e os camponeses ficaram ao pé de nós a falar com Zheng e com a rececionista, claro que eu e o Greg nesta altura aproveitámos para tirar fotografias – o momento era demasiado “rico” para não ser aproveitado – tanto retratos, como detalhes: mãos, porta-chaves, “adereços” e ao quadro geral… foi um momento espectacular e dos mais engraçados que tive no país, que terminou quando fomos semi-expulsos/afugentados como quem enxota o gado… 😛

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Crónicas

Os Alemães, o Belga e a Chinesa

Depois da chuva torrencial, fomos jantar ao mesmo restaurante da noite anterior e gostaria de ressalvar a falta de criatividade gastronómica dos restaurantes locais: arroz frito, noodles e pouco mais do que isso, parece que nem estou na China! :/ Antes de irmos para o terraço passei por momentos de indefinição e como não consegui decidir se partiria para Yangshuo ou Guilin, resolvi tomar a minha decisão apenas na manhã seguinte. Já no terraço, estava em amena cavaqueira com a “parelha” alemã, quando apareceu uma chinesa – Zheng Shaoqin – que pôs conversa connosco e nos entretantos, chegou mais um ocidental que se juntou à conversa… As conversas começaram a cruzar-se e eu mudei de lugar para junto do recém-chegado, Greg de seu nome, belga e fotógrafo que estava na região há seis meses! 🙂 A conversa estava animada, mas os alemães tiveram de abandonar o “barco”, pois no dia seguinte teriam de partir muito cedo e fiquei na companhia do belga e da chinesa, quando… recebi um convite do Greg para no dia seguinte dormir nos arredores da vila e depois fotografarmos o nascer do sol. 😀 Por essa altura a Zheng disse-nos, que daí a dois dias partiria para os terraços de arroz a norte de Guilin e eu perguntei-lhe se podia acompanhá-la. Foi assim, que os planos para o meu futuro imediato me foram “revelados” nessa noite. 😉

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Crónicas

A Compra do Telemóvel

Antes de ir comprar o telemóvel, muni-me de “artilharia pesada” e preparei-me para o “combate”, trocado por miúdos, pedi à rapariga do hostel para me escrever num papel (em caracteres, pois claro): a) “Este cartão tem de ser detetado pelo telemóvel”; b) “Venda-me o telemóvel, mais barato que tiver na loja”. Com o papel mágico, comecei a minha peregrinação por todas as “capelinhas” de Xing Ping, antes de decidir que “vela” comprar. No final a escolha recaiu sobre um dual-SIM laranja e a cores, uma autêntica pérola do Oriente! 😛 Ou como me disse a rececionista do hostel: “Esse é um telemóvel para velhos”. Sim minha querida, sem dúvida, mas o importante é que este assunto está encerrado e eu tenho novamente acesso a um relógio, a um despertador e a algo que possa ser utilizado numa eventual emergência. Mission accomplished! 🙂

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Em trânsito: Guangzhou – Xing Ping. Welcome to the Countryside!

Logo no início da viagem para Yangshuo, conheci um rapaz sueco com quem estive a falar durante uma hora. Depois disso adormeci, mas num estado de semi-consciência senti o autocarro a oscilar em estradas secundárias, a acelerar por entre camiões, arrancar qual um carro de rally e a parar longamente devido a engarrafamentos e obras na estrada. A meio da noite e sem qualquer aviso prévio, tivemos de mudar de autocarro e depois desse momento made in China só voltei a acordar quando o dia já rompia por entre as trevas, e fruto da bela paisagem que me rodeava, comecei a deleitar-me com a visão de montes/colinas verdes que brotavam do solo, quais árvores de rocha. 🙂 Como curiosidade, refiro que quando abri os olhos pensei que era noite cerrada, porém passados poucos momentos e quando vi os primeiros raios matinais, percebi que acordara num túnel. 😛 Assim que cheguei a Yangshuo parti para Xing Ping e a viagem foi efetuada numa estrada de terra batida, cheia de buracos, camponeses, campos e montes verdes e água, muita água… Xing PingWelcome to the countryside, my friend!

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Em trânsito Reflexões

Em trânsito: Lisboa – Hong Kong. Back on Track

Para além de escrever sobre os dias em Portugal, durante os três voos e as duas escalas (Amesterdão e Pequim) aproveitei para dormir, escrever no computador, enviar e-mails e ver diferentes paisagens do alto, qual uma águia imperial. 🙂 Na entrada na China voltei a ser controlado com papéis, carimbos e… lérias! :/ E refleti sobre a segurança nos aviões, os lobbies e a estupidez associada a essa falsa noção de… segurança. E tudo isso, foi despontado quando tive a oportunidade de observar que os talheres que são utilizados em primeira classe nos aviões são de metal e com base nesse facto pergunto-me: “Será que apenas os não terroristas, viajam em primeira classe?” e “Porquê tanta alarido à volta de mini-tesouras e outros metais nas bagagens de bordo, quando esse metal é fornecido pelas próprias companhias aéreas?” Enfim… contradições do mundo moderno, assético e seguro em que vivemos. :/

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Reflexões

Dias em Portugal

Durante os dezanove dias em que estive em solo Luso, fiz uma grande surpresa a toda a gente e fiquei radiante por ter proporcionado alegria à minha família, M. e amigos. Como não ficar FELIZ por proporcionar felicidade a quem nos ama? 😀 Para além de distribuir felicidade, passei o máximo tempo com as pessoas, comi a deliciosa comida do nosso país, o meu organismo resolveu o problema da malfadada hemorróida  após uma segunda consulta já em Lisboa – fui ao dentista, toda a bagagem levou uma limpeza profunda e foi reestruturada ligeiramente, engordei um par de quilos, resolvi algumas burocracias que tinham ficado pendentes aquando da minha partida, acabei de escrever o meu primeiro diário da viagem, fiz um backup das fotografias e instalei programas em português, apanhei uma multa – por ausência de documentos – soube que uns amigos meus iriam ser pais e outros casar e… amei e fui amado. 😀 Esta viagem foi completamente inesperada mas muito, muito gratificante e só posso dizer: “Obrigado por TUDO! M., família e amigos!”

 P.S. – Escrito no voo de regresso a Hong Kong (Lisboa – Amesterdão).

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Hong Kong – Lisboa. Viagem a Portugal

A viagem para Portugal, começou no autocarro que me levou do centro de Hong Kong para o monumental, limpo e assético aeroporto da região. E o meu primeiro passo foi fazer o check-in da bagagem diretamente para Lisboa e continuar a escrever no caderno. A viagem Hong Kong – Lisboa teve múltiplos voos. Três para ser exato e duas escalas. No voo Hong Kong – Pequim, conheci um casal de brasileiros com quem falei durante quase toda a viagem. Na escala em Pequim, troquei yuans por doláres de HK com eles e mais uma vez pude observar a burocracia chinesa no seu melhor – confusão de selos para passaporte e bilhetes de avião; e esperei loooooongameeeeente pelo segundo voo.

No voo Pequim – Amesterdão, houve ligeiro atraso na partida, andei de autocarro… muuuuitooooooo tempo e com isso tive a noção da imensidão do aeroporto. Dormitei durante algumas horas, escrevi no caderno, vi uma paisagem que me deixou muitas dúvidas para perceber o que estava a ver – nuvens ou montanhas geladas e ainda hoje me questiono se seria real 🙂 e tive uma aterragem mágica, com nuvens de diferentes texturas e densidades – algodão doce, fiapos, superfícies geladas, pináculos quais florestas de lanças – reflexos do sol dourado, o mar de cor negra, as casas, as florestas escuras, as plantações viçosas, as estradas, as fábricas e o fumo. 😀 Já em terra o espetáculo continuou e vi uma fábrica em contra luz, fumo e nuvens, o céu azul, múltiplos e incontáveis cinzentos com dourados em alguns pontos… Foi uma das paisagens mais belas que alguma vez presenciei! 😀

Quando cheguei a Amesterdão era meio-dia e um quarto, porém fruto da diferença horária entre Pequim e Amesterdão tive que voltar às 6.15. Portanto, neste dia fui como o John Stewart, o homem que viveu duas vezes, no meu caso duas vezes, seis horas – das 6.15 ao 12.15 – 😛 e na escala de Amesterdão, aguardei mais uma vez pela passagem do tempo. No voo Amesterdão – Lisboa, tive a última etapa da viagem. Escrevi no caderno, percebendo que apenas o iria conseguir acabar de atualizar já em solo Luso e  tive uma aterragem cheia de vento e turbulência. Na chegada não tive a noção que realmente tinha regressado e que naquele momento o solo que pisava era o do nosso país, Portugal. Acho que só comecei a perceber tal facto quando comecei a ouvir a nossa língua e tudo escrito em português e… mesmo assim… lentamente.

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Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

Skyline Made in Hong Kong

Depois da deambulação, segui para a avenida das estrelas e escolhi um local para ver a transição entre o dia e a noite, e o espetáculo de luz e som que estava marcado para as 20.00. O tempo foi passando, algumas vezes arrastando-se, outras acelerando… 

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De vez em quando, lembrava-me que no dia seguinte iria começar a minha viagem de regresso a Portugal e esse facto pareceu-me um pouco irreal, como se só quando entrasse no avião tivesse a noção real de tal acontecimento. 🙂 Não que houvesse desagrado da minha parte. Não. Apenas a sensação que tudo fora rápido, muito rápido – uma semana entre a decisão e este momento… qual um meteorito que atinge a Lua.

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O espetáculo começou pontualmente e havia alguns edifícios com a iluminação a mudar e alguns lasers a cruzar os céus, mas sinceramente esperava mais. Não que o skyline da cidade me tivesse desiludido, mas senti que houve demasiado alarido à volta de algo que não cumpriu as expetativas. No final a montanha pariu um rato!

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Quanto aos edifícios em si gostei do que observei e se Xangai pode ser considerada um novo rico, Hong Kong fruto da sua linhagem (aristocrática/inglesa), cumpre pela sobriedade e “classicismo” mais do que pelo “fogo-de-artifício”. Os arranha-céus são belos mas não são espampanantes e na minha opinião brilham mais quando se mantêm fiéis a si mesmos e não se maquilham falsamente com excesso de iluminação pindérica, para representar aquilo que não são. Por isso quando o espetáculo terminou, foi um “alívio” pois tudo voltou à normalidade, os fingimentos acabaram e o skyline da cidade, voltou a tratar-me com respeito.  🙂

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