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Fotografia

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Ping´An

Ping-An_BlogA norte da cidade de Guilin – pode encontrar mais aqui – tive a oportunidade de visitar os extraordinários terraços de arroz de Ping´ An onde encontrei visões do paraíso, comi divinalmente e tive encontros muito animados.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Ping´an – Haikou? Naaaaaaa… Sanya!

A longa viagem começou às 9.30 em Ping´An com a team da noite anterior a apanhar um pequeno autocarro completamente apinhado – tanto de turistas como de camponeses. Assim que chegámos à estrada principal, apanhámos um novo autocarro, desta feita para Guilin, que apesar de bem preenchido ainda tinha lugar para nós – mas mesmo à conta, pois a partir daí só sentados em bancos de plástico! 😛 Na chegada à cidade despedimo-nos, pois os quatro “magníficos” estavam todos de partida para destinos diferentes, e felizmente para mim ainda fui a tempo de comprar o bilhete para HaikouQuando entrei no autocarro, fiquei contente porque o mesmo tinha camas e apesar de ter apanhado vários meios de transporte na China, esta era a primeira – e possivelmente a última – vez que iria viajar deste modo. Antes de entrar tive de descalçar-me e o ambiente era gelado – fruto de um A/C fortíssimo – em contraste com o ar extremamente abafado da rua.

IMG_5147 (FILEminimizer)Durante a viagem aproveitei para escrever no caderno, observar a verde paisagem e dormir três ou quatro horas, pois pensava que o autocarro iria ser conduzido até ao destino final, porém… às duas da manhã estancámos e fomos mandados sair. Neste momento pensei que íamos mudar de autocarro e por gestos pedi ao motorista para abrir a bagageira para tirar a mala, mas nada. Voltei  a apontar e a fazer sinal de bagagem e… nada! Nesta altura comecei a ficar um bocado stressado e voltei a insistir que queria a bagagem. Com cara de caso, lá levantou o cu do seu assento “real” e contrariado lá abriu a bagageira. Tirei a mala, pû-la às costas e nos entretantos o motorista estava a gozar comigo em chinês. :/ Olhei para ele e para os outros passageiros e transmiti corporalmente algo do género: “Ahahahahaha! Realmente uma graça do c@&%#$£!”.

Depois deste acontecimento, um casal de jovens universitários pôs conversa comigo e então lá me explicaram que a bagagem continuava no autocarro porque íamos apanhar um ferry para a ilha de Hainan e depois já na “outra margem” voltaríamos a seguir viagem no mesmo. A espera pelo ferry foi longa e nesta altura estava cansado e sentia os olhos a quererem fechar, mas lá me consegui ir aguentando. A viagem propriamente dita durou apenas uma hora e uns pozinhos e quando chegámos finalmente ao porto de Haikou eram quase seis da manhã. Quando apanhei um autocarro para o hostel, pensei que a história acabava aí, porém… havia um detalhe muito importante! Para sair da ilha de Hainan em direcção a Beihai teria que marcar um ferry com um par de dias de antecedência… e com esse “pequeno” detalhe tudo mudou. Decidi que não queria ficar a “secar” em Haikou  quando voltasse daí a uns dias, marcaria o famoso ferry e visitaria a cidade nessa altura – por isso e ainda no hostel marquei uma cama em Sanya e segui para uma das estações de comboios da cidade. Aí comprei o meu bilhete para o ”TGV” – não havia outro tipo de comboio – e às 10.35 parti qual uma bala, rumo ao extremo sul da ilha, rumo a Sanya.

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Crónicas Fotografia

Amanhecer no Paraíso

Quando o despertador tocou, acordámos como previamente combinado, mas ao olhar pela janela iniciámos um “debate” prolongado se deveríamos ir ou não, pois o tempo estava muito… muito enfarruscado. Eu e o Fábio já nos tínhamos voltado a deitar, mas o British levantou-se, começou a encasacar-se e ao vermos a sua força de vontade, recuperámos “psicologicamente” e levantámos o rabo da cama de modo a acompanharmos o nosso “irmão de armas”. 🙂

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A verdade é que não vimos o nascer do sol, mas diga-se em abono da verdade, do local onde nos encontrávamos – miradouro dos “Nove Dragões e Cinco Tigres” – mesmo com bom tempo, tal seria sempre impossível devido à sua orientação geográfica relativamente ao vale. 😛 De qualquer modo vimos umas nuvens extraordinárias e houve um momento em que se pôde ver uns reflexos de sol nos socalcos e noutro momento o vale iluminado, vá… parcialmente. Não foi perfeito, mas foi bem melhor que ficar na cama a dormir! 🙂

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Crónicas O 1º Dia

Conversetas e Animação

Depois de um dia tão perfeito, quando regressámos ao hostel, havia mais uma surpresa… na receção encontrei Fábio  um rapaz brasileiro que conheci em Xi Ping, mas com quem apenas falara cinco minutos, pois ele partiu no dia em que cheguei – e o dia fechou com chave de ouro. Entretanto Zheng, juntou-se a nós e quase sem darmos por isso um rapaz de feições asiáticas, mas com um “British” perfeito seguiu-lhe o exemplo. O seu inglês era de tal modo irrepreensível que a certa altura da conversa não me “contive” e perguntei-lhe de onde era e quando ele respondeu que era Britânico, tudo fez sentido. Entretanto, ficámos a conversar e todos – exceto Zheng – bebemos uma “jola”. 🙂 Entretanto o tempo foi passando e descobrimos que estávamos com fome e decidimos jantar no hostel. A verdade é que tive mais uma magnífica refeição: abóbora, arroz, arroz aromatizado dentro de uma cana de bambu, carne de porco e vegetais, outros vegetais e ovo com tomate, e para finalizar a noite, parodiámos com uma frase profunda encontrada numa garrafa de cerveja: ”Se sabes onde ir, o mundo levar-te-á lá…” 😛 e rimos… rimos… rimos, antes de combinarmos acordar cedíssimo para ver nascer o sol. 🙂

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Visões do Paraíso

Depois dessa extraordinária experiência regressámos de papo e alma cheia a Ping´An, sob o signo de uma meteorologia muito mais suavizada e leve, e quando chegámos Milène despediu-se de nós, mas antes teve de “pagar pelo divórcio” – piada inventada, pelo facto de eu ter pago o almoço e as compras dela, tal e qual um bom marido deve fazer! 😛

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Eu e Zheng partimos finalmente para ver os terraços em todo o seu esplendor – ou quase devido à inexistência de sol – e o primeiro miradouro que visitámos chamava-se “Nove Dragões e Cinco Tigres” – os chineses e os seus nomes poéticos. A forma dos socalcos assemelhava-se às costas de um dragão (Longjie) e a visibilidade era total, a cor da água nos mesmos variava entre múltiplos castanhos e cor de prata e as formas eram harmoniosas e belas, como uma sinfonia perfeita criada pelos deuses e tocada pelos anjos. 😀 Senti-me um privilegiado por ter a oportunidade de assistir a um espectáculo tão magnífico e ver uma simbiose inigualável entre a natureza e o ser humano. Estava a ver uma paisagem criada por ambos e que resulta numa das paisagens mais belas e singulares que alguma vez vi. Ter tido a oportunidade de ter presenciado e fotografado este local deixou-me FELIZ e ENCANTADO, pois dei o meu cunho pessoal à paisagem, através dos enquadramentos escolhidos. 😀

IMG_5014 (FILEminimizer)Por sua vez, o segundo miradouro que vimos chamava-se “Sete Estrelas e a Lua” e também se revelou uma ode à beleza, mas “infelizmente” para o mesmo, o meu coração já se tinha apaixonado. 🙂 De qualquer modo, observei e encontrei muita beleza no local, não deixando de continuar a tirar um prazer extraordinário da paisagem, e antes de voltar ao hostel, disse a mim próprio que já tinha tido as minhas visões do Paraíso. 😀

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Vamos Brincar aos Turistas?

No nascer do dia o tempo continuou cinzento, mas a intensidade da chuva baixou consideravelmente e aproveitando esse facto, partimos para a vila de Zhonglu acompanhados de uma rapariga alemã  Milène – que conhecemos na noite anterior. A caminho da vila e apesar da visibilidade reduzida, fruto do nevoeiro, comecei a perceber in loco a fama deste local e a interiorizar a beleza do mesmo, uma vez que à medida que subíamos, os socalcos começaram a ganhar forma, proporção e grandiosidade. 🙂

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Por entre estradas de cascalho, degraus, trilhos em pedra e lama, plantações, camponeses e camponesas, burros e cavalos, seguimos viagem e passado uma hora e meia estávamos no nosso destino. Poucos minutos depois de lá chegarmos uma “nativa”, tomou a Zheng como guia turística de mim e da Milène e perguntou-lhe se queríamos almoçar, apresentando o seu preço. A Zheng entretanto começou a explicar-nos o que se estava a passar e a partir desse momento representámos o papel de um casal de turistas alemães que estava a ser conduzido para a toca da raposa. 😉 No final de muita conversa e discussão conseguimos baixar o preço para metade do valor inicial, em que 2/5 desse valor reverteriam para a Zheng e o restante para a “nativa”. Moral da história: como a Zheng estava a representar o papel de guia, no final iríamos todos comer por um 1/5 do valor previamente acordado… uma bagatela! 🙂 De qualquer modo, foi muito interessante perceber, como este tipo de negócios se processa, em que todos ganham e o turista é depenado! Porém desta vez a presa passou a predador e a raposa não percebeu que estava a ser comida por um lobo com pele de ovelha!

IMG_4872 (FILEminimizer)Fomos então conduzidos até uma casa antiga e aí encontrámos “relíquias” expostas nas paredes de madeira, entre as quais e para mim o ex-líbris do local, um cartaz do “camarada” Estaline. 😛 No segundo piso encontrámos um sótão/depósito de lenha e enquanto a nossa cicerone acendia o lume no piso térreo, nós explorámos o local. Quando descemos, o lume já estava aceso e a nossa cozinheira estava a lavar batatas e a pelá-las. Iniciámos então um momento culinário e de partilha, quando começámos a ajudar na preparação do almoço. 🙂

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Quando terminou toda a confeção, vimos quão barata estava a ser a refeição e como menu tínhamos: batatas novas, carne de porco fumada, grelos, sopa de ovo e tomate e arroz. Para além da quantidade, a qualidade era extraordinária! Tudo fresco, tudo saboroso, tudo… DIVINAL! 😀 Sem dúvida um dos melhores momentos gastronómicos e uma das experiências mais fascinantes da viagem até à data. 😀 Durante a refeição fomos dizendo que até o valor inicial era barato, mas naquele momento a roda já tinha sido posta em marcha.

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Depois do repasto a senhora foi buscar um casaco tradicional e trouxe-nos artesanato barato e artesanato personalizado, nessa altura compensámos um pouco a senhora – do preço do almoço – pois a Milène acabou por lhe comprar uns postais e uma fita bordada, mas claro que pelo meio ainda regateámos um pouco… e finalizámos toda a nossa encenação com as fotografias da praxe, em que ainda deu para rir com a diferença de estatura da Milène e da senhora – David e Golias, versão feminina 😛 . Todo este momento memorável durou aproximadamente três horas, mas foi de tal modo fascinante e singular que o tempo extravasou para o plano subjetivo e deixou de ser real. 😉

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Xing Ping – Ping´an. O Dia da Água

No dia anterior fruto do tempo carregado, eu e o Greg não chegámos a sair da vila, tão pouco conseguimos ver o nascer do sol e a nossa despedida foi efetuada no corredor do hostel. Estavam lançados os dados para o que seria este dia. Às 8.55 eu e a Zheng apanhámos o autocarro para Guilin e depois de percorrido meio caminho, começou a chover. A chegada à cidade foi abençoada por uma chuva torrencial e da estação de autocarros onde parámos – que mais parecia um depósito de autocarros – para a estação Oeste percorremos o caminho num pequeno autocarro local. Aí apanhámos um novo autocarro e durante o trajeto continuou a chover com intensidade.

Ao sairmos do autocarro, perguntaram-nos se queríamos seguir viagem num dos famosos “táxis manhosos”, ao que respondemos que não estávamos interessados e que íamos esperar pelo autocarro regular. O problema é que esse autocarro, deveria ser invisível pois nunca mais aparecia 😛 e depois de muita chuva, um almoço à base de doces, perguntas de quando o autocarro viria, conversas sobre música, muita chuva e… duas horas depois rendemo-nos à fatalidade que tínhamos de apanhar o “táxi”.

O último troço, foi realizado numa estrada esburacada e lamacenta, serpenteando montanha acima com visões de um rio a correr com pujança e vigor e de zonas onde tinham ocorrido deslizamentos de terras. :/ Para ajudar à festa, continuou a chover mas diga-se em abono da verdade, nunca mais tinha parado de chover. Nunca! A chegada a Ping´An foi feita sob o signo da chuva e da névoa e naquele final de tarde quase que podia jurar que estávamos numa vila fantasma, onde apenas circulavam dois ou três “fantasmas” de capas plásticas transparentes e um silêncio tão pesado que se ouvia cada passo dado.

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