Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Sanya

Sanya_BlogNa odisseia asiática, Sanya – pode encontrar mais aqui – marcou o meu primeiro encontro com o oceano, tanto de dia como de noite, mas principalmente foi aí que encontrei e conheci o Monsieur Didier, esse mago da Vida.

Dá um Mergulho

No segundo dia em Sanya depois de voltar da praia e do jantar falei com o Peter´s que me contou que mesmo de noite as pessoas, ainda estão: a) na praia, b) dentro de água. Assim que ouvi isso fiquei de pulga atrás da orelha e decidi que tinha de ir experimentar, afinal o tempo era quente (30 ºC), a água morna e o mar uma piscina de fundo liso… why not? 🙂

Desse modo, eram 22.00 quando peguei na toalha e dirigi os meus passos para a praia. A noite estava quente, tal e qual como o dia e os bares da praia, cheios. E pensei: “serão os chineses de Hainan uma “classe” à parte dentro da China?” Fica a questão. A praia estava iluminada pela luz dos bares e a quantidade de pessoas tanto no areal como na água surpreenderam-me, pois eram muito mais do que eu imaginara. 🙂

Larguei as poucas coisas que tinha e fora da “caixinha de controlo” (área delimitada no mar com cordas) dei o meu mergulho no mar e senti-me feliz por ter a oportunidade de fazer algo assim. 😀 Do mar viam-se os prédios da linha costeira da baía iluminados pela luz dos bares e o mar não era uma massa escura. Queria mais, queria uma massa mais negra e opaca, e menos pessoas nas imediações. Por isso voltei a pegar nas minhas coisas e comecei a andar pelo areal até encontrar um lugar com as características acima referidas. A meio da praia, apesar de não existir uma escuridão total encontrei uma ausência total de pessoas e aí, sozinho no mar fiquei a boiar, a olhar o céu e senti-me livreprivilegiado, por aquele momento de paz e serenidade, proporcionado pelo mar quente do sul da China. 😀

O Asteróide, Didier!

Esta história passou-se na Captain´s House, no dia em que conheci o Peter´s e tudo começou quando chegámos da rua com uma cerveja na mão e nos dirigimos para o terraço onde ficámos um bocado à conversa, quando… a Terra foi atingida por um asteróide, chamado Didier e o mesmo teve consequências quase catastróficas! 😛 Mas, afinal o que/quem será Didier? Didier era o tio do Robert e um party animal de um calibre bastante elevado! 😀

IMG_5163 (FILEminimizer)      IMG_5165 (FILEminimizer)

Assim que se sentou ao pé de nós começou logo a oferecer cervejas, depois ofereceu uma “zurrapinha” e mais uma cerveja, depois uns noodles absolutamente divinais -talvez os melhores que comi na China – ovos com tomate e carne – para ensopar – e mais… umas cervejinhas! 😀

IMG_5169 (FILEminimizer)

Ao que parece Didier fora cozinheiro, professor e agora estava reformado. Eu e o Peter´s estávamos deliciados com aquela recepção – o Peter´s então estava nas nuvens, talvez por ter sido a primeira vez que estava a sentir a bondade dos desconhecidos, pelo  menos com aquela intensidade! – e a única coisa que pudemos fazer foi entrar no ritmo e “dançar” com leveza. O tempo foi passando e foram aparecendo e desaparecendo pessoas, um casal de gays (polaco), uma inglesa e uma americana e o próprio Robert. Foi um serão de magnífico, proporcionado pelo asteróide, Didier! 😀

IMG_5185 (FILEminimizer)

Sanya? A Praia, os Russos e o Americano

A Praia

Os meus dias em Sanya podem ser resumidos em poucas palavras: praia de manhã, praia à tarde e… praia à noite. Como vêem muita diversidade. Pronto. OK! A localização da mesma variou entre Dadong Bay – uma zona com muitos prédios, do género de Portimão e com uma baía tipo praia da Rocha, sem falésias mas com palmeiras – e Yalong Bay que dizem ser a praia mais bonita da zona mas que mesmo assim não me ficou na memória – à volta existe vegetação, mas o areal apesar de extenso em comprimento é pouco largo e mais curto fica, quando existem muitos hotéis de luxo com áreas privadas dentro do areal, mas vá, ao menos a água é limpa, apesar do barulho incessante de motas de água. De qualquer modo e não podendo classificar Sanya, como um local de antologia foi interessante ver o ambiente geral das praias: a grande quantidade de pessoas, as brincadeiras dos graúdos quais miúdos, os chapéus de chuva a servirem de sombrinhas, a água morna.

IMG_5153 (FILEminimizer)     IMG_5194 (FILEminimizer)

 Os Russos

Pode-se descrever Sanya numa palavra? Bem numa talvez não… mas duas consegue. Praia e Rússia! É verdade cheguei a uma China “mixada” de Rússia. As placas das ruas, os menus dos restaurantes e afins estão escritas em chinês e em cirílico, só se vê chineses e russos nas ruas, nas praias, nos restaurantes… enfim, das duas uma: a) os russos emigraram todos para Sanya; b) perdi o sentido de orientação e em vez de vir em direção ao sul da China entrei sem me aperceber na “Santa” Rússinha.

IMG_5198 (FILEminimizer)
E o Americano

Porém, houve alguém que me recordou que não tinha perdi o Norte e que ainda estava na China e essa pessoa foi… o Americano! Peter´s de seu nome, cinquenta e cinco anos, sem filhos, nunca casou e atualmente ensina chinês… na China e fica inequivocamente ligado à ”minha” Sanya! Conheci-o na Captain´s House – um cafunfo que apenas se salva pelo gerente/dono “Robert” que é uma pessoa tão boa, tão boa… tão boa, que até faz “confusão” – hiper-prestável e com um coração de ouro! – e daí saímos para o magnífico hostel Sanya Backpackers onde partilhámos um quarto twin ao preço de um dormitório. Nos meus dias na cidade, conversámos, passeámos, jantámos e fomos atingidos por um “asteróide”… 😉  

IMG_5188 (FILEminimizer)

Em trânsito: Ping´an – Haikou? Naaaaaaa… Sanya!

A longa viagem começou às 9.30 em Ping´An com a team da noite anterior a apanhar um pequeno autocarro completamente apinhado – tanto de turistas como de camponeses. Assim que chegámos à estrada principal, apanhámos um novo autocarro, desta feita para Guilin, que apesar de bem preenchido ainda tinha lugar para nós – mas mesmo à conta, pois a partir daí só sentados em bancos de plástico! 😛 Na chegada à cidade despedimo-nos, pois os quatro “magníficos” estavam todos de partida para destinos diferentes, e felizmente para mim ainda fui a tempo de comprar o bilhete para HaikouQuando entrei no autocarro, fiquei contente porque o mesmo tinha camas e apesar de ter apanhado vários meios de transporte na China, esta era a primeira – e possivelmente a última – vez que iria viajar deste modo. Antes de entrar tive de descalçar-me e o ambiente era gelado – fruto de um A/C fortíssimo – em contraste com o ar extremamente abafado da rua.

IMG_5147 (FILEminimizer)Durante a viagem aproveitei para escrever no caderno, observar a verde paisagem e dormir três ou quatro horas, pois pensava que o autocarro iria ser conduzido até ao destino final, porém… às duas da manhã estancámos e fomos mandados sair. Neste momento pensei que íamos mudar de autocarro e por gestos pedi ao motorista para abrir a bagageira para tirar a mala, mas nada. Voltei  a apontar e a fazer sinal de bagagem e… nada! Nesta altura comecei a ficar um bocado stressado e voltei a insistir que queria a bagagem. Com cara de caso, lá levantou o cu do seu assento “real” e contrariado lá abriu a bagageira. Tirei a mala, pû-la às costas e nos entretantos o motorista estava a gozar comigo em chinês. :/ Olhei para ele e para os outros passageiros e transmiti corporalmente algo do género: “Ahahahahaha! Realmente uma graça do c@&%#$£!”.

Depois deste acontecimento, um casal de jovens universitários pôs conversa comigo e então lá me explicaram que a bagagem continuava no autocarro porque íamos apanhar um ferry para a ilha de Hainan e depois já na “outra margem” voltaríamos a seguir viagem no mesmo. A espera pelo ferry foi longa e nesta altura estava cansado e sentia os olhos a quererem fechar, mas lá me consegui ir aguentando. A viagem propriamente dita durou apenas uma hora e uns pozinhos e quando chegámos finalmente ao porto de Haikou eram quase seis da manhã. Quando apanhei um autocarro para o hostel, pensei que a história acabava aí, porém… havia um detalhe muito importante! Para sair da ilha de Hainan em direcção a Beihai teria que marcar um ferry com um par de dias de antecedência… e com esse “pequeno” detalhe tudo mudou. Decidi que não queria ficar a “secar” em Haikou  quando voltasse daí a uns dias, marcaria o famoso ferry e visitaria a cidade nessa altura – por isso e ainda no hostel marquei uma cama em Sanya e segui para uma das estações de comboios da cidade. Aí comprei o meu bilhete para o ”TGV” – não havia outro tipo de comboio – e às 10.35 parti qual uma bala, rumo ao extremo sul da ilha, rumo a Sanya.