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Gunung Gading. Raflésia e Jungle Trek

Depois dos acontecimentos “obscuros” de Kapit 😛 , fiz uma grande viagem para Kuching. Primeiro regressei a Sibu no barco das 9.00 e já nessa cidade apanhei um autocarro que me transportou por quatrocentos e sessenta e dois quilómetros e oito horas de viagem até à cidade dos gatos. Depois da noite em Kuching, acordei bem cedo e fui até ao centro dos parques naturais, aí quando me preparava para marcar a estadia no Parque Nacional de Bako, vi um aviso sobre o Parque Nacional de Gunung Gading e da existência de uma raflésia em flor – extremamente rara. 🙂 Desse modo, alterei um pouco a minha rota e parti imediatamente para esse parque natural.


Na estação central, apanhei um autocarro para Lundu e depois de uma curta viagem de hora e meia, cheguei à pequena cidade onde me abasteci de mantimentos e água. A caminho da entrada do parque, carregado com sacos e com uma pequena mochila, apanhei uma boleia de scooter e a viagem foi uma risada, pois o meu condutor era muito bem disposto. 😀

Já no parque e depois de largar os mantimentos e a mochila parti para ver a famosa flor, uma vez que a mesma estava muito próxima de um dos trilhos, porém e até a encontrar andei aos “papéis” durante meia hora. 😛 Passado esse tempo, consegui vislumbrá-la e quando me aproximei da mesma fiquei impressionado com o seu tamanho (cerca de meio metro de diâmetro). No entanto a flor, já estava a morrer e a ficar enegrecida e desse modo este encontro, não foi assim tão memorável e espetacular… :/

Muito mais especial e ainda durante essa tarde, foi o momento em que reencontrei o casal de espanhóis que conheci no Brunei e quando apanhei uma mega trovoada nas imediações da cascata número 7! Quando fiz o caminho de regresso ao HQ, a água escorria por todos os lados e tive a sensação que descia não um trilho, mas um rio! E a verdade é que em dois locais do trilho foi isso que encontrei. Rios criados pela água da chuva e que transformaram de tal modo a paisagem que só acreditei que aquele era o caminho de regresso pois as árvores continuavam pintadas com as mesmas cores. Surreal! 😀 E senti-me muito feliz por ter tido a oportunidade de experienciar e viver, a força da natureza sem quaisquer filtros ou barreiras.

Espetacular e memorável em Gunung Gading, foi o trekking na selva que fiz desde o HQ até Rock Well e o caminho de regresso (aproximadamente dezassete quilómetros). Inicialmente a caminhada estava para ser feita apenas até Gudung Gading (três quilómetros e seiscentos metros), porém como cheguei ao “topo” em apenas duas horas e fiquei admirado com a facilidade da “ascensão” – as estimativas do parque apontavam para três/quatro horas – decidi continuar e embrenhar-me na selva e ir até Batu Berkubu. E… ainda bem que o fiz! Pois essa opção revelou-se um desafio físico intenso e apaixonante. 😀 O trilho estava bem marcado e só havia que manter a concentração para não cometer nenhum erro, uma vez que estava completamente sozinho e não havia ninguém que me pudesse ajudar num raio de quilómetros. Sozinho no meio do trilho, no meio da selva, lá fui seguindo. Intenso! Ainda para mais, porque havia algumas zonas do trilho que estavam cheias de pequenos obstáculos, troncos caídos e vegetação densa que intensificavam ainda mais a experiência! A verdade é que às 11.30 já estava no final do trilho, em Rock Well, uma zona de formações rochosas interessantes. Já mais relaxado, mas sempre concentrado fiz o caminho de regresso ao HQ! E o parque de Gunung Gading, ficará para sempre associado às palavras… JUNGLE TREK! 😀

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Crónicas Fotografia

Mulu. Back to the Primitive

Ato V – Guiado por Lucas a Caminho das Alturas

Durante a noite acordei múltiplas vezes e às 5.30 já estava a tomar um pequeno-almoço reforçado. A partida para os Pináculos ocorreu às 6.35 e a caminho do topo, andámos no meio de uma selva de rochas e raízes de árvores em que estes dois elementos combatiam entre si pela supremacia da paisagem. 🙂 Aliás, às vezes, sentia que estava mais a observar uma fusão ou uma mescla perfeita entre os elementos, do que uma batalha! Surreal, belo e escorregadio! 😀 Durante a ascensão fui quase sempre a sombra de Lucas, o nosso guia e desse modo pude observar a sua tatuagem na “barriga” da perna direita: “Jesus is the Lord”. Ao imaginar que fui guiado por um “apóstolo” a caminho das alturas, não pude deixar de sorrir. 😛

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O caminho em distância percorrida foi curto, apenas 2400 metros mas em altitude fomos de uma cota quase nula até aos 1200 metros, ou seja o declive era muuuuuuuuuito acentuado e os últimos 400 metros de distância transformaram-se mais num desafio de escalada, com recurso a escadas, cordas e busca de bons apoios para os pés e para as mãos. Neste momento a minha concentração estava no “pico”, pois a rocha que nos rodeava mais parecia um mar de lanças e facas afiadíssimas prontas para ao mínimo descuido nos partir facilmente um osso, ou cortar a pele, a carne, os músculos e os tendões. Aliás nessa altura fui pensando várias vezes: “Como raio vou voltar para baixo!?” :/

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Atingi o pico por volta das 10.40 e a paisagem foi de facto algo de totalmente novo e inesperado. Estávamos num miradouro de onde víamos uma floresta de picos de rocha, a emergir do meio das árvores e suplantarem estas em altura. Ver para crer! A natureza criadora na terra da magia e dos espíritos selvagens. 😀 No topo estivemos cerca de uma hora e durante esse tempo aproveitámos para almoçar, para tirar fotografias (nesta altura o casal de romenos tirou-me alguns retratos) e observar uns esquilos verdes que por lá passeavam.

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Perto do meio-dia iniciei a minha descida e nos primeiros 400 metros a concentração estava novamente elevadíssima e à medida que ia descendo fui procurando os melhores apoios possíveis. Nesta altura, agradeci à boa sorte ter optado por fazer o trekking com os sapatos de borracha, uma vez que os mesmos são muito mais flexíveis e menos largos e escorregadios do que as botas, pois a sola é completamente deformável. Deste modo, consegui encaixar os pés em quase todos os nichos existentes na rocha, a única desvantagem era sentir todas as variações da superfície na planta dos pés, principalmente porque as rochas eram completamente afiadas! :/

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Lentamente, o caminho foi sendo percorrido e aos poucos e poucos os obstáculos e desafios ultrapassados. Quando cheguei ao final da secção dos 400 metros, estava contente pois a parte mais problemática estava ultrapassada. Porém… o São Pedro pregou uma partida ao seu amigo Lucas e respetivo rebanho pois quando estava a chegar à placa que indicava, 1900 metros começou a chover torrencialmente! “Bonito! Agora é que vão ser elas!” E infelizmente não me enganei! :/

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O caminho em condições normais já é escorregadio e como se pode deduzir, a chover tornou-se num ringue de patinagem no gelo e cada passo começou a requerer concentração absoluta, pois o mínimo descuido poderia revelar-se catastrófico. A energia necessária para manter a concentração foi de tal modo elevada, que o caminho não me trouxe quase nenhum prazer… :/ o esforço físico tornou-se irrelevante quando comparado ao esforço mental associado ao “jogo” do sempre em pé e quase no final do trilho só desejava que esta aventura terminasse de vez, pois estava entediado e cansado de manter a concentração. Felizmente consegui descer sem me magoar e por volta das 16.20 cheguei finalmente ao campo 5, onde respirei de alívio… sem mazelas, os Pináculos de Mulu estavam conquistados. 😀

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Dicas Reflexões

Kinabalu. Ascensão Infinita

Epílogo

Em termos turísticos Kinabalu é um dos grandes negócios dourados de Sabah e nenhum agente turístico no seu perfeito juízo, irá promover a ascensão num dia, afinal os pacotes turísticos giram à volta da estadia super dispendiosa em Laban Rata, que em termos de esforço físico – mas não distância – fica sensivelmente a meio caminho do cume da montanha. Para além disso e já no interior do parque natural também não há ninguém que promova esta possibilidade, contudo se já partirmos informados, ninguém nos irá mentir acerca da mesma.

Para quem não gosta de fazer planos com meses de antecedência, quer gastar uma exorbitante maquia e gosta de desafios físicos, o que posso dizer é… a ascensão de Kinabalu num dia é possível mas depende de vários fatores. Alguns dependem de nós e outros – tais como as condições meteorológicas – estão completamente fora do nosso alcance, desse modo… para completar a ascensão não é necessário ser nenhum super herói ou heroína, porém é preciso estamina, força de vontade e alguma sorte.

Mesmo que se cumpram as “barreiras” temporais: três horas para chegar a Laban Rata e se atinja o pico antes das 13.00 – cinco horas desde o início do trekking – tal não significa que a ascensão esteja garantida. Basta que os rangers do parque decidam que as condições meteorológicas não são aceitáveis e… fim do “jogo”. Basta o nosso guia decidir que estas mesmas condições se degradaram muito rapidamente – vento, chuva, nevoeiro – e… fim do “jogo”. Enfim, existe um enorme leque de variáveis desconhecidas na equação de Kinabalu que podem ditar o fim da ascensão e caso exista cancelamento durante a mesma, não há direito a reembolso. Por isso é fazer “figas” e esperar o melhor… mas quem estiver disposto a arriscar, a recompensa será de certo grandiosa… 😀

P.S. – A ascensão num dia é um assunto sério e deve ser feito sob a supervisão de um guia. Nem sequer pensem em fazê-lo sem o mesmo e por conta própria. Tal representa uma monumental falta de respeito para com a montanha e para com a vossa vida.

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Crónicas Fotografia

Kinabalu. Ascensão Infinita

Ato II – Kinabalu? Montanha Surreal!

Ao longo da noite acordei inúmeras vezes, fruto da preocupação de ter de me levantar de madrugada e simultaneamente ansioso com o trekking que me aguardava. Afinal, há alguns meses que esperava este encontro com a montanha e foi principalmente Kinabalu que me fez  rumar à ilha do Bornéu. Este era o dia D.

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Antes de sair da guesthouse tomei um super pequeno almoço: dois ovos, seis torradas e café e parti para a receção do parque, onde às sete da manhã conheci o meu guia, Eddie, que me conduziu até ao Timpohon Gate (1866 m) e a primeira etapa do percurso ligou esta entrada a Laban Rata (3273 m).

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O início do trilho realizou-se no meio de uma floresta tropical muito verde, que a partir do quarto/quinto quilómetro desapareceu totalmente e o caminho seguiu no meio de rocha amarelada/alaranjada pontuada aqui e acolá por arbustos. Em duas horas chegámos a Laban Rata – quilómetro seis – bem dentro da barreira temporal definida pelo parque, porém enquanto aguardava pela decisão do ranger – o responsável que define se existem condições de segurança – senti progressivamente um nervoso miudinho, uma vez que existia um nevoeiro que nos envolvia. Felizmente recebemos a confirmação que podíamos continuar a ascensão 🙂 e quando atingimos o sétimo quilómetro, a montanha…

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Transformou-se! A vegetação extinguiu-se quase na totalidade, as faces ficaram mais escarpadas e a rocha adquiriu uma cor metalizada e brilhante. Até começámos a ter direito a uma corda para nos auxiliar na ascensão das zonas mais inclinadas e escorregadias. Passo a passo fomos subindo e em nosso redor apenas víamos rocha em todas as direções. Em certo momento, a visibilidade aumentou progressivamente e comecei realmente a ver os diferentes picos de Kinabalu à nossa volta (St. Jonh´s Peak – 4091 m; Donkey Ears Peak – 4054 m; Ugly Sister Peak – 4032 m).

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Hora e meia volvida, estávamos no oitavo quilómetro, à cota de 3929 m e quase, quase no pico. 🙂 Porém para percorrer os 166 metros de cota que faltavam para chegar ao Low´s Peak (4095 m) e o ponto de altitude máxima precisei de mais meia hora! :/ Aqui senti realmente o “peso” da altitude e parte da energia já despendida. Quatro horas – desde o início do trekking – estávamos no pico de Kinabalu e nessa altura a visibilidade estava perfeita! Céu azul, nuvens abaixo e acima de nós, rocha e picos! Surreal! Espetacular! No pico apenas estivemos quinze minutos e completamente sós… Nada! Nem ninguém! Apenas o vento e o silêncio… 😀

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Começámos então a descida e os primeiros vinte minutos foram mais lentos, pois aproveitei as excelentes condições atmosféricas para tirar algumas fotografias. Porém e pouco tempo depois o vento começou a soprar mais intensamente, tendo de  colocar o keffiyeh a proteger a cabeça. A descida que esperava mais rápida, veio a revelar-se mais lenta que a ascensão e tal aconteceu devido às pedras serem roladas, o trilho estar cheio de água e bastante escorregadio e… a partir do abrigo Layang Layang começou a chover com intensidade, o que aumentou a dificuldade, pois o trilho tornou-se ainda mais escorregadio. :/ O relógio marcava a hora coca-cola light quando regressámos ao Timpohon Gate, nove horas depois encerrei o capítulo de Kinabalu, a montanha surreal. 😀

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Crónicas Em trânsito Fotografia O 1º Dia

Kinabalu. Ascensão Infinita

Ato I – Viagem e Preparação

Na viagem para a montanha Kinabalu no Bornéu – Sabah – houve um misto de tristeza e alegria, por um lado a despedida da M. estava bem presente, pelo outro estava a caminho de um local que se encontrava no meu imaginário graças à descrição de Andy, esse mágico da vida que conheci nas terras do Império do Meio.

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Depois do voo matinal que me levou de Kuala Lumpur até Kota Kinabalu, apanhei uma boleia semi atribulada – o meu “condutor” não sabia onde era a estação de autocarros – com o John Ho, um médico que trabalha em operações de salvamento e que estava na cidade há poucas semanas. Depois de uma hora de viagem e muitos pedidos de desculpa, fui finalmente deixado na estação de carrinhas, onde apanhei o meu meio de transporte para a montanha. 😛

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Na chegada às imediações da montanha, fui largado perto de uma placa que indicava o meu alojamento – Kinabalu Mt Lodge – e de mochila às costas andei um quilómetro até chegar ao destino, uma casa no topo de uma colina, voltada para um vale verde e de onde se via a névoa a correr no meio de árvores e vegetação, comovente. 😀 Nos meus aposentos conheci uma alemã que tinha regressado da montanha nesse dia e quando lhe contei que o meu objetivo era fazer a ascensão e descida num dia, olhou para mim com olhos esbugalhados e exclamou: ”A sério!? Acho que não vais conseguir, mas se o fizeres tens o meu respeito!”. Oh diabo! Comentário animador. Minutos depois apareceu um americano, que é capitão de um barco nas Filipinas, que por sua vez disse: “É apenas uma montanha. Hás-de chegar ao topo!”.

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Com estas duas opiniões tão distintas parti para o HQ (headquarters) do parque natural e na receção disseram-me que antes de preencher os formulários de inscrição, tinha de falar com o Mr. Dick, o responsável do parque. No centro de conservação tive um pequeno meeting, onde falámos sobre a ascensão num dia e como a mesma é considerada um caso “especial”, existem regras muitos específicas, tais como limites de tempo e afins. Na despedida apertou-me a mão, desejou-me boa sorte e uma boa ascensão…

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Crónicas Fotografia

Aranhas & Silver Beach

Apesar do dia anterior ter terminado com alguns excessos, este começou com uma caminhada saudável em Guantauling Mountain, nas imediações de Beihai onde o mais impressionante foram as aranhas, o seu tamanho e as suas magníficas teias. 🙂

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Depois do passeio matinal, voltei ao centro da cidade (hostel) para trocar de indumentária e parti para Silver beach. E o que se pode dizer, acerca da mesma? Que não desiludiu, bem pelo contrário! 🙂 O seu areal era vastíssimo e de cor acinzentada (silver), a água estava de tal modo quente, que mais parecia uma sopa e fruto dum calor dos diabos fui cozendo ao longo da tarde. Para além disso, ainda deu para conhecer uns pescadores com os quais petisquei, bebi uma “zurrapinha” e para terminar em beleza, vi um final de tarde mágico proporcionado pelo pôr do sol, cor de sangue e por umas nuvens fabulosas que corriam no céu. Foi um dia muito agradável e o complemento ideal do dia anterior e só posso dizer: ”Saio de Behai de papo e alma, cheios!”. 😀

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Crónicas Fotografia

Lushan? Água, outras Palavras e Hemorróida

Os dias em Lushan podem ser resumidos em poucas palavras, mas as principais serão sempre água, muita água associada a riachos, rios, lagos, cascatas, chuva, neblina e nevoeiro… muito nevoeiro :P; rochas associadas a vales, montanhas e escarpas; verde associado às árvores centenárias e à densa vegetação; e claro dores no “assassociadas a uma hemorróida incomodativa e persistente. :/  

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Tangkou – Lushan. Caminho entre Montanhas

A viagem para Lushan decorreu em duas fases distintas, a primeira durou seis horas e decorreu entre Tangkou e JiuJiang  e na mesma aproveitei para acabar de ler o livro a Arte da Viagem de Paul Theroux. A segunda fase decorreu entre JiuJiang e Lushan numa mini-van e antes de subirmos a montanha, tivemos de comprar um bilhete na base da mesma e só então pudemos arrancar, para o reino das florestas e da água. 🙂

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Estão a Abusar da minha Boa Vontade

Terminado o trekking, jantei no restaurante do costume, mas infelizmente senti que as pessoas do mesmo agiram de má fé quando me tentaram vender muito mais comida do que a que conseguia realmente comer – um prato de carne, um prato de vegetais, arroz e um prato de peixe! Para apenas uma pessoa?!. Na altura de verificar quantos pratos tinha à minha frente, discuti com eles durante alguns minutos e tive inclusivamente de dar um murro na mesa, porque ninguém me parecia ouvir! :/ Durante esse período tirei o peixe da minha frente – pelo menos umas cinco vezes, ao mesmo tempo que fui fazendo sinais de forma veemente que não iria pagar o upgrade. Felizmente no final correu tudo bem e a conta não veio inflacionada, mas senti que aquele momento desagradável era absolutamente desnecessário. 😦

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Huangshan, Montanha Amarela

Ato V – Dureza na Ascensão

Apesar das poucas horas dormidas, acordei com o objetivo de continuar o meu passeio em Huangshan. E se em Tangkou o tempo estava cinzento, quando cheguei ao “portão” da face Este da montanha, em YunGu estava um nevoeiro cerradíssimo. :/ A ascensão até ao White Goose Ridge foi muito, muito dura! E ao cansaço físico – as pernas não se queriam mexer – associou-se o cansaço mental – a cabeça só pensava que não se via nada e qual o objetivo de visitar a montanha naquelas condições atmosféricas, quando podia estar muito bem no hostel deitado num verdadeiro “ninho”. :/

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A verdade é que arrastando-me montanha acima, cheguei ao White Goose Ridge em noventa minutos e a partir daqui o dia melhorou consideravelmente, tanto em termos físicos e mentais, como meteorológicos. O meu primeiro destino foi o Seeing is Believing Peak, mas a verdade é que relativamente à questão de ver para acreditar a ironia era de facto elevada, pois na realidade via-se pouco ou nada e senti-me qual um comandante de um navio, a navegar na bruma, mas sem acesso a GPS. 😛 Daí segui até ao Tiger Pine e a melhor visibilidade da manhã foi entre esse local e o Lion Peak, pois via-se a neblina a circular velozmente entre os picos, belo! 😀

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Do Pico do Leão parti para o Purple Cloud Peak (1700 m) mas o panorama não se alterou, nevoeiro cerradíssimo! Com umas condições assim, a melhor parte do dia foi sem dúvida nenhuma percorrer a zona do Xihai Grand Canyon, uma vez que mesmo com um nevoeiro intenso, foi espectacular! 🙂 A atmosfera do local é verdadeiramente singular, descidas e subidas vertiginosas, faces escarpadas, trilhos estreitos e pelo menos uma ponte completamente louca – os guardas eram tão baixos que mais parecia uma ponte para crianças – num precipício! 😛

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No caminho de regresso falhei uma bifurcação e consequentemente a ligação entre o Cloud Dispeling Hotel e o Brigth Top Peak, não vendo por esse motivo a famosa Flying rock. O caminho de regresso foi exatamente igual ao do dia anterior, porém com a agravante que neste segundo dia não se via nada! Por isso o objetivo foi apenas um: andar, andar… andar! Até sair de Huangshan de papo cheio de trekkings e fisicamente, extenuado. 🙂

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