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Pedalando em Sukhothai

Depois da semana dourada em Chiang Mai, chegaram a primeiras viagens no norte da Tailândia e com elas as visitas a locais arqueológicos que foram o coração do seu antigo reino e império. 🙂  

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Sukhothai foi o nosso primeiro destino e tendo em conta a vasta dimensão do parque arqueológico alugámos umas bicicletas para partir à sua descoberta. O mesmo está dividido em três áreas distintas: Central, Oeste e Norte e se em tempos era possível comprar um bilhete global, hoje em dia tal já não é possível e cada zona vende os bilhetes separadamente. Comprámos então o bilhete para a zona central e a mais importante, e na entrada o controlo foi de tal modo ridículo, que só não entrámos sem bilhete porque já o tínhamos comprado! Uma lição para o futuro.

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Num dia completamente farrusco e cinzento, pedalámos com tranquilidade e percorrendo o verde parque fomos vendo: inúmeros templos, colunas e estupas em forma de sino construídas em tijolo; incontáveis estátuas de Buda nas diferentes posições – a caminhar, em pé, sentado…; árvores e as suas densas e impressionantes raízes superficiais; lagos que se assemelhavam a pântanos. 🙂 O dia foi sereno como o local que visitámos e quando chegámos à guesthouse e apesar do dia de chuva e encoberto, houve “alguém” que conseguiu queimar-se! Incrível não!? Mas é verdade! 😛

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Chiang Mai? Uma Semana Dourada!

A semana passada em Chiang Mai, foi escrita na memória e no coração com a cor da cidade… a cor do ouro e existiram vários momentos que contribuíram para a sua riqueza. 😀 O primeiro deles, foi encontrar uma guesthouse – Banjai Garden – que fruto do acaso – um reencontro com Sam, um rapaz francês que encontrei pela primeira vez, em Nong Khiaw  acabou por se transformar na minha primeira casa em viagem. Durante quase uma semana, eu o Kristian ficámos aí hospedados e sentimos o calor de Franck e Izze, os nossos queridos anfitriões.

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Juntamente com o Kristian e montados numa scooter, fizemos um loop de cerca de uma centena de quilómetros, em redor da cidade. Durante a viagem, para além da visita ao reino dos tigres, visitámos as cascatas de Tatman e Tatluang – água de cor barrenta – observámos uma paisagem verde de florestas, montes e vales e fomos “abençoados” por uma chuva torrencial que fez a estrada ficar quase invisível e nos fez parar para comer um delicioso corneto de chocolate, que soube a “nozes”. 🙂

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Tive a oportunidade, de pela primeira vez saborear a maravilhosa e barata comida tailandesa e participar numa memorável e deliciosa aula de culinária, que não se esgotou nesse dia. Uma vez que nela, eu e o Kristian conhecemos duas “kiwis” – raparigas neozelandesas – e uma “uncle Sam” – rapariga americana – com as quais – e juntamente com Sam – tivemos duas noites inesquecíveis de: convívio, música, conversa, partilha e copos. Obrigado, amigos! Obrigado, Kristian! 😀

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E principalmente, recebi a visita que tanto aguardava e pela qual esperei desde a minha ida a Portugal, não sem antes nos desencontrarmos e reencontrarmos no pequeno aeroporto de Chiang Mai, com um sorriso nos lábios e um abraço muito apertado. 😀

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Juntos, visitámos os múltiplos e ricos templos da cidade, dos quais a grande maioria são dourados, entre eles o excessivamente famoso Doi Suthep e que se localiza a dezassete quilómetros do centro. Na maioria desses templos maravilhosos, vimos: sumptuosos altares; inúmeras estátuas de buda; fitas e bandeiras presas nos tetos; sinos; guarda-chuvas; incensos e velas a arder; e monges a orar e a receber o seu ordenado, tais como funcionários de qualquer empresa! :/

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Experimentámos pela primeira vez o prazer indulgente duma massagem tailandesa – sem malícia – pelas mãos de massagistas experientes e durante uma hora fomos bem esticados, puxados, repuxados, comprimidos e apertados. Ficando no final uma sensação de leveza e “desenferrujamento” muscular. 🙂

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Na despedida da cidade, passeámos pelo enorme e vastíssimo Sunday Market. E posso afirmar que nunca tinha visto um mercado a “tomar de assalto” uma cidade daquela maneira, com várias ruas principais a fecharem o acesso ao trânsito e a serem invadidas por hordas de vendedores, turistas e nativos. Aí pode-se encontrar um pouco de tudo: vestuário – T-shirts, calças, vestidos, roupa interior, lenços; calçado – chinelos, sapatos…; artesanato – brincos, anéis, carteiras, bolsas; bugigangas variadas e cheias de cor e claro comida, muita comida – grelhados, sopas, sumos de fruta, doces, saladas. O ambiente da cidade assemelha-se ao de uma grande romaria popular descontraída e até ao seu encerramento – cerca das 22.00 – os templos continuam abertos, sendo fantástico observar o seu dourado a resplandecer sob a iluminação dos holofotes. Tudo brilha, tudo parece ouro e existe uma aura de riqueza e ostentação. Aqui não há privações. Bem vindos à face rica da Tailândia! 😀

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No Mundo da Cozinha Thai

Ato II – Culinária

Quando voltámos às nossas bancadas individuais, a primeira coisa que fizemos foi pôr o nosso avental vermelho e com as indicações da nossa instrutora pôs-se a cozer arroz de jasmim e um segundo tipo, sticky rice – um arroz que é peganhento, devido à goma existente no bago – que serviriam de acompanhamento para os pratos que iríamos confecionar.

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Começámos por fazer uma pasta de caril e no meu caso que escolhi a verde, a base eram chilis verdes – quanto mais compridos e maiores, menos picantes – cebola, alhos, cebolinho e gengibre. Tudo para dentro de um almofariz e depois foi pôr o pilão a bombar. À medida que os ingredientes iam sendo esmagados, o cheiro intensificava-se, um cheiro a chili fresco invadia o meu olfato. 🙂 Depois destes primeiros ingredientes já formarem uma pasta grosseira, juntou-se umas folhas verdes de outras plantas que não consegui fixar o nome, e continuei a esmagar até a pasta ficar mais uniforme, homogénea e pastosa. Tirei a pasta do almofariz e pus o máximo que consegui numa tigela, para a mesma apurar o seu sabor.

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Findada esta tarefa, voltámos a nossa atenção para as sopas, no meu caso: Tom Kaa com galinha. Numa pequena caçarola juntei leite de coco e ervas em lume brando – para aromatizar – depois piquei cebola, tomate e cogumelos e juntamente com uns bocados de galinha coloquei tudo dentro da caçarola e aumentei o lume até ao ponto de fervura e assim ficou durante cinco minutos, altura em que retirei a sopa do lume e a pus numa tigela.

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O segundo prato, tinha como base a pasta de caril previamente feita e o primeiro passo foi pô-la a fritar. Quando o cheiro se começou a intensificar, juntei-lhe leite de coco e galinha e passados poucos minutos as abóboras – uma amarela e outra verde. Depois de se apagar o lume juntei-lhe mais umas “plantas” e deixei tudo a apurar na caçarola. O meu terceiro prato foi galinha com cajus – cebola, cenoura, feijão verde, galinha, cogumelos, cajus e um molho que resultava da junção de outros dois – que foi feito num wook.

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Quando acabámos, partimos para a fase de degustação e a mesma foi espetacular pois tivemos a oportunidade de nos deliciar com os saborosos pratos confecionados. 😀 Foi um almoço farto: uma sopa, dois pratos principais, salada  e muito arroz. Quando acabei a refeição estava “grávido”! Ou quase… 😉 Depois do repasto tivemos meia hora para relaxar e durante esse período, aproveitei para conversar com uns holandeses. Ainda “grávido” voltei à minha bancada e quando me preparava para fazer a sobremesa e “fechar a loja”, vi que afinal faltava a confeção de mais um prato! Pad Thai. “Ok… sem problemas, vou cozinhar e depois peço um recipiente para levar para a guesthouse.” 😛 A verdade é que nem foi preciso. Terminado o prato, pusemos o mesmo num saco de plástico e ensinaram-nos a técnica Thai do empacotamento. “Porreiro pá! O jantar também está garantido.” 🙂

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Chegou-se finalmente ao último prato do dia, a sobremesa. A minha era manga com arroz pegajoso (sticky rice) e umas sementes. Deliciosa! Ah e como o Kristian não conseguiu acabar de comer a sua sobremesa – abóbora em leite de coco – eu fui em seu auxílio e dei-lhe uma ajudinha. Os amigos são para as ocasiões. 🙂 Depois de deixarmos as bancadas arrumadas e desimpedidas, despedimo-nos da nossa instrutora e partimos de regresso a Chiang Mai de papo, coração e memória cheios. 😀       

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No Mundo da Cozinha Thai

Ato I – Os Ingredientes                                                                                    

Novo dia, nova experiência. Desta feita eu o Kristian fomos participar numa das famosas aulas de culinária Thai, disponíveis em Chiang Mai. Depois de nos virem buscar à guesthouse e de andarmos a recolher os outros participantes, a nossa primeira paragem foi num mercado tradicional onde conhecemos a nossa monitora/instrutora e onde tivemos uma introdução aos ingredientes fundamentais da cozinha Thai.

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Inicialmente a monitora, pareceu-me pouco natural e com um sorriso forçado, mas passado pouco tempo mudei de opinião. Ela era mesmo meio doida, divertida, hiperativa e repetia n vezes: “It is good for your men” – com um sorriso maroto. 😛 Bem dispostos começámos a ver os múltiplos molhos e óleos utilizados – uma panóplia vastíssima – passámos para os diferentes bagos de arroz – alongados, achatados, mais brancos, negros – coco, vegetais, ovos, chilis e terminámos nas carnes.

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Do mercado voltámos a montar na carrinha e a caminho da quinta biológica onde o curso decorreu, escolhemos individualmente os pratos que queríamos confecionar – existiam três pratos à escolha em cada uma das diferentes seções. Quando chegámos, fomos encaminhados para o nosso anexo que era um espaço amplo, alto, arejado, limpo e com todos os utensílios necessários para a confeção dos nossos pratos – existiam três anexos gerais distintos, com três cursos a serem realizados em simultâneo, mas com um monitor para cada um deles. Antes de começarmos a cozinhar, passámos primeiro pelo jardim e aí tivemos a oportunidade de ver e provar algumas ervas aromáticas, frutos e plantas que são utilizados na confeção dos pratos Thai. Os ingredientes estavam apresentados. 🙂

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Crónicas Fotografia Reflexões

Tiger Kingdom

A dez quilómetros de Chiang Mai, eu e o Kristian começámos a avistar umas placas a assinalar Tiger Kingdom e antes de chegarmos à entrada estivemos a conversar durante uns minutos, para decidir se entrávamos ou não. Eu disse-lhe que pela descrição de Max  – um alemão que conhecemos em Pak Beng  não tinha muita vontade de ir, mas caso fosse, era para ver o local com os meus olhos e depois relatar a minha experiência. O Kristian por sua vez disse que tinha curiosidade de ver os pequenos tigres, pois uma amiga tinha-lhe relatado maravilhas desse encontro.

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Depois de esgrimidos os nossos argumentos, dirigimo-nos à entrada onde verificámos que para entrar na jaula dos mais pequenos tínhamos de pagar o bilhete mais caro, mas como entrar nas jaulas dos maiores e fazer-nos passar por hércules” não era o nosso objetivo, fomos visitar as crias sem nos importarmos com essa diferença – que diga-se em abono da verdade não era assim tão elevada. No entanto antes de entrarmos tivemos de assinar uns papéis de termos de responsabilidade e seguros. Já na zona dos benjamins tivemos de lavar as mãos, descalçar-nos e ler uma série de regras e avisos que devíamos cumprir enquanto, estivéssemos em contacto com eles, por exemplo: podíamos tocar-lhes, mas não na cabeça; não devíamos brincar com eles e “atiçar” o seu lado mais selvagem; fotografias sem flash.

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A experiência foi engraçada. As pequenas crias são de facto adoráveis e as suas patas felpudas e gordas um must! 🙂 É giro ver como mesmo as crias têm patas tão poderosas e como o seu instinto já está vivo mas sem grande controlo. Nos quinze, vinte minutos que estivemos mais próximos deles deu para sentir a patita felpuda e “gorda”; vê-los brincar/praticar com os seus pares – mordiscar orelhas, ferrar os dentes, agitar as patas, engalfinharem-se uns nos outros de forma caótica e desordenada; observar o seu belo e lustroso pêlo e os seus olhos vivos. Apenas houve um momento que me deixou com uma sensação estranha e não muito confortável e aconteceu quando observei os olhos de uma cria enquanto ela estava no limbo entre dormir e acordar. Os seus olhos pareciam ausentes, baços e vazios como se a cria estivesse perdido toda a sua alma e vitalidade. Foi estranho! :/ Mas como foi caso único penso, quero pensar que a cria estava apenas a dormitar e que não estava drogada!

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Quando saímos da mini-jaula voltámos a calçar-nos e a lavar as mãos e seguimos pelo reino dos tigres apenas observando os tigres maiores do exterior das jaulas. Alguns deles pelo seu comportamento – andar repetidamente ao longo da jaula – apresentavam sinais claros de uma doença mental típica de espaços confinados; outros tinham os olhos vivos e brilhantes e estavam tranquilos, e outros brincavam com um tronco de aproximadamente três metros de comprimento, dentro de água. 🙂

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Os tigres são animais com uma envergadura impressionante e uma presença poderosa e massiva, impondo na mesma dose e proporção, respeito e admiração. Acredito que ver uma criatura destas no seu habitat seja capaz de gerar emoções suficientes capaz de ressuscitar um morto, vê-los assim em cativeiro a servir de adereços para “hércules e herculinas” humanas provarem a sua “bravura e coragem”, não me agrada, fascina, atrai ou tem qualquer significado. Aliás, até significa mas no pólo negativo, porque está-se a reduzir um animal magnífico a um momento egocêntrico e de puro exibicionismo. 😦

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E para mim o relato do Reinos dos Tigres acaba aqui, porque a questão dominante de: os tigres estão ou não drogados? É complexa e de difícil ajuizamento. Houve alturas que pensei que sim, outras que não e no final saí sem certezas relativamente à questão. O que posso afirmar é que não gostei da “energia/vibração” do local, mas não me arrependo de lá ter ido, pois nem sempre uma pessoa paga e obtém uma boa experiência. Paguei, vi com os meus olhos e senti a atmosfera do local e isso foi suficiente para fazer valer a pena a ida ao Reino dos Tigres e dos Hércules.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Huay Xai/Chiang Khong – Chiang Mai. Nervoso Miudinho!

Quando apliquei o visto da Tailândia em Vientiane havia uma questão que ninguém me tinha conseguido esclarecer: quanto tempo podia ficar no país com o visto que tinha impresso no passaporte? As opiniões dividiam-se: havia os que afirmavam 60 dias, uma vez que era esse o número máximo permitido pelo visto turístico; havia quem referisse, que como estava a cruzar a fronteira por terra esse valor seria reduzido para 30 dias; e havia ainda quem dissesse que dependia do oficial de emigração, enfim… Nada claro! :/ E neste caso específico eu necessitava de clareza, pois estava prestes a receber uma visita muito especial, que já se sabia, teria direito a estar 30 dias no país sem precisar de visto – entrada via aérea. Portanto o número de dias a que teria direito, iria traçar não apenas o meu futuro imediato, mas também o de “alguém”, que estava prestes a viajar milhares de quilómetros para me acompanhar durante um mês por terras do Oriente.

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Ainda no Laos fomos levados ao controlo de emigração e aí tivemos de pagar mais uma vez a famosa “taxa de fim-de-semana”, ou como eu gosto de chamar-lhe corrupção encapuçada! Desta feita a taxa era 10.000 kips ou um dólar – eles são corruptos e espertalhões, uma vez que na saída do país já quase ninguém tem dólares e os dez mil kips valem mais do que um dólar. Paga a taxa e carimbado o passaporte, apanhámos o barquito que nos fez cruzar o Mekong e pisei pela primeira vez solo tailandês.

Na posto de entrada, estava uma grande confusão e concentração de pessoas e para não me separar do resto do grupo pedi a um homem que parecia monitor de um grande grupo de miúdos, se podia passar à frente deles. De óculos escuros, cara inexpressiva e séria disse que não com uma voz seca e gelada e depois de um grande compasso de espera, lá afirmou que estava a brincar. Enfim o axioma da estupidez a funcionar, mais uma vez! Adiante. Na janela do oficial de emigração entreguei o meu passaporte e quando ele me perguntou quanto tempo pretendia ficar no país, expliquei que na próxima sexta feira iria receber uma visita e que por esse motivo os 60 dias seriam muito bem aceites. Ele olhou para mim e começou a folhear o passaporte e passado um minuto, ouvi o som de carimbos a bater. O veredito estava dado, eu é que ainda não sabia o resultado. Recebi o passaporte e enquanto ele fazia o gesto para seguir, senti o nervoso miudinho da incerteza e tinha esperança que a burocracia e o tempo despendidos tivessem valido a pena.

Abri o passaporte e vi o carimbo azul… admitted untill… e a data carimbada a vermelho! Consegui! Tudo valeu a pena! 😀 De sorriso nos lábios dirigi-me ao resto do grupo, que já estava pronto e disse-lhes que tudo correra bem. Juntos esperámos pela nosso táxi/carrinha e passado meia hora arrancámos estrada fora pelas paisagens verdes do norte da Tailândia, rumo a Chiang Mai… a capital dourada do Norte. 🙂

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Ato II – Pak Beng – Huay Xai. Pânico Matinal  

A viagem entre Pak Beng e Huay Xai, já na fronteira com a Tailândia decorreu com normalidade e foi em tudo uma fotocópia, do dia anterior. Mesma paisagem, mesmo preço do bilhete, mesmo número de horas de viagem, mais conversa com as mesmas pessoas, procura da guesthouse e jantar em grupo. 🙂

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(Através do olhar do Kristian)

Porém, houve um momento que ativou o meu modo de pânico e fez esta viagem ficar ainda mais memorável. Mas vamos aos factos: estava já no interior do barco a falar com um casal de americanos sobre fronteiras e vistos quando mecanicamente pus a mão no bolso lateral dos calções e… caiu-me tudo ao chão! Principalmente as bolas! Não tinha comigo as bolsas dos cartões e documentos – passaporte, cartões MB e de crédito – e onde estava todo o dinheiro tailandês que tinha arranjado no Laos – 35.000 Bath! Cerca de 875€!. Tinha ficado tudo debaixo da almofado no quarto! Fiquei em pânico e disse ao meus companheiros de viagem para não deixarem sair o barco enquanto não regressasse – isto com as mochilas a bordo. :/

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Larguei a correr encosta acima até ao local da guesthouse e quando lá cheguei as portas estavam todas fechadas! “Eu não acredito nesta m#%£@! Logo hoje é que tinha de encontrar uma guesthouse que funciona a meio gás!?”. Dirigi-me ao piso do quarto… Tudo fechado! Entrar pela janela? Impossível. Grades na mesma! “Ai a P%#@ da minha vida!”. Voltei a descer ao piso térreo e mesmo com um cadeado na porta – metálica e de correr – comecei a tentar abrir a mesma. Passados dois minutos desisti, nada feito! “E agora?”. Quando me preparava para procurar alguém nas redondezas, chegou uma carrinha com parte da família que geria a guesthouse. Muito rapidamente e freneticamente tentei explicar-lhes que me tinha esquecido do passaporte no quarto e num minuto deram-me a chave do mesmo. Galguei os degraus à velocidade da luz, abri a porta, dirigi-me à cama e ao levantar a almofada… lá estavam as famosas bolsas! 🙂 Deitei-lhes uma mirada rápida e pû-las no bolso. Tranquei o quarto, desci as escadas a voar, entreguei as chaves e voltei a correr desalmadamente encosta abaixo. Desta feita com a “santa” gravidade a ajudar-me no caminho de regresso ao barco.

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Quando lá entrei, disse aos meus companheiros de viagem que estava tudo bem e sentei-me dez minutos num banco, sozinho, a respirar e a deixar o meu corpo regressar a um ritmo normal. Durante esses minutos o barco acabou mesmo por partir e agradeci à boa sorte o facto de quase todos os transportes no Laos, atrasarem. Ai boa sorte, fortuna, estrela, destino, fado… ou outro nome que tenhas. Agradeço-te novamente, salvaste-me o pêlo! 😀

P.S. – A viagem de dois dias foi longuíssima, mas perfeita e o Mekong merece uma viagem destas. Porém ouvi relatos que a viagem feita na direção inversa, Tailândia – Laos, pode por vezes transformar-se num verdadeiro inferno e tormento, devido à lotação completamente esgotada dos barcos. 

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Ato I – Luang Prabang – Pak Beng. O Grupo Reúne-se

Na chegada a Prabang apanhei um tuk-tuk para o centro da cidade e durante a viagem conheci uns nativos que me informaram que para apanhar o barco para Huay Xai, deveria ir até um cais que ficava a doze quilómetros – geralmente, a informação fornecida pelos habitantes locais é imbatível. 🙂 Às sete da manhã estava no cais, à espera que a bilheteira abrisse e depois de esperar uma hora, comprei finalmente o bilhete rumo a Pak Beng.

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O barco partiu numa manhã de cinza e prata e ao longo do dia, fomos zingue-zagueando Mekong acima. Durante a longa viagem, que durou quase dez horas, observei a paisagem e a vida a bordo: as margens estavam cheias de vegetação e a inexistência de aldeias era quase total; o desembarque das pessoas era feito com estas a saltar para as margens cheias de lama; o rio era largo, castanho e barrento e nalgumas zonas cheio de rochas; de vez em quando viam-se os famosos e mortíferos barcos rápidos a passarem por nós quais balas – eu diria que fazer a viagem num barco desses e num rio com tantas rochas submersas é quase uma loucura; no barco havia uma mescla de turistas e nativos, as crianças sorriam e famílias inteiras dormiam no soalho; o barco estava carregado com sacas, caixas de cartão, bagagens e mochilas; os assentos eram muito confortáveis – poltronas de dois lugares – e em abundante número. Mas principalmente conheci e falei com muitas pessoas entre as quais um casal de estudantes polacos (Marcin e Agata), um assistente de cirurgia e aspirante a cirurgião alemão (Kristian) e um advogado israelita, quarentão e solteiro (Niro).

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Antes de desembarcarmos, convidei o Kristian para partilhar quarto e na chegada a Pak Beng, o grupo que se formou durante a viagem manteve-se unido. Juntos procurámos uma guesthouse, juntos jantámos num restaurante indiano, juntos passámos o serão num barzito em animada converseta. Estava feliz! E penso que essa felicidade provinha de depois de ter viajado com o Zhou durante tanto tempo, estava grato por continuar a encontrar outros viajantes com os quais podia partilhar experiências e aprendizagens. 🙂

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Prólogo. Autocarro Noturno para Prabang

Em Vientiane apanhei um autocarro noturno para regressar a Luang Prabang e logo no início da viagem fruto da barafunda reinante, partimos com meia hora de atraso. Preparei o meu kit “dormida”: palas para os olhos, tampões para os ouvidos, a minha rica almofada de ar e encostei-me à janela preparado para dormir.

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A viagem foi passada quase toda a dormitar, mas mesmo assim ainda tive tempo para experienciar duas epifanias. Ambas ocorreram na paragem em Nathong, a primeira quando o autocarro estacionou e chovia torrencialmente. Nesse momento, fiquei a pensar se devia ou não sair do autocarro e balancei entre o sentimento de conforto vS a experiência de vida e os momentos experienciados, ou metaforicamente falando, da possibilidade de ver a vida a passar pela janela ou “saltar” para a estrada. 🙂 A segunda aconteceu no pequeno restaurante onde jantei. Aí encontrei um relógio pregado na parede, parado e tive a certeza que aquela era a metáfora perfeita do país, um local onde o tempo parou e se cristalizou, algures na década de 70 do século XX. 😉

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Vientiane? M.M.E.D.G.Z.

Muitas pessoas associam a capital do Laos, às palavras: tédio e desinteressante. Porém e ao contrário dessas pessoas, Vientiane, foi para mim uma cidade cheia de boas recordações e memórias. 🙂 E terá sempre algumas palavras chave, associadas: o todo poderoso Mekong e os finais de dia de sonho; a estranha sensação que tive ao Meditar pela primeira vez na vida – observar que a mente/cérebro/pensamento não param! Aliás, aprender que é impossível parar de pensar e apenas podemos abrandar esse fluxo e observar o que se está a pensar. É quase como se nos tornássemos espetadores do nosso pensamento/mente – acompanhado pelo Zhou; na Embaixada da Tailândia, apliquei pela primeira vez um formulário para obter o visto de entrada no país; ganhei algum Dinheiro, fruto de câmbios sucessivos entre o Kip e o Dólar – economia paralela e aqui me despedi do Zhou. Goodbye, Zhou! Goodbye, my “crazy” friend! Goodbye, my good friend! 😀

MEKONG

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MEDITAÇÃO

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     EMBAIXADA

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DINHEIRO

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     GOODBYE ZHOU

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