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Último Grande Passeio, My Friend?

No dia anterior e antes nos deitarmos, o Xiaoling transmitiu-me que iria ficar em Lijiang durante os próximos quatro dias. Motivo? Tinha que esperar por uma amiga e ao mesmo tempo iria aproveitar para descansar. Confesso que não fiquei triste com o facto, uma vez que já existia algum cansaço mútuo acumulado e com toda a lógica estava a chegar a hora da despedida!

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Nesse dia passeei com o Xiaoling e tive a plena consciência que estávamos a ter possivelmente o nosso último dia juntos. Primeiro, passeámos em Lijiang mas fora da zona histórica e o que vimos foi uma cidade normalíssima mas que continuava a dar a sensação de pequena vila.  Apanhámos então o autocarro Nr. 11 que nos deixou “à porta” de Shuhe, uma aldeia que fica a cinco quilómetros do centro e que é bastante turística. Tal como em Lijiang o negócio do turismo está completamente implementado e enraizado na vida desta aldeia histórica: comércio, restaurantes, bares, cafés e hostels dominam quase todas as fachadas e os turistas acorrem aqui como enxames de abelhas. 😛 Porém ao circular nas suas ruas e ruelas foi-me possível apreciar o verde da paisagem, os canais que muitas vezes servem de lavadouros ou frigoríficos, as hortas, os músicos de rua e com os quais tive a oportunidade de “batucar” uma música, o sol e as nuvens, os desenhos feitos por estudantes e aspirantes a artistas e claro… pousar para a fotografia com uma chinesa trajada a rigor.

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Quando saímos de Shuhe, finalizámos o nosso passeio na zona “velha” de Lijiang primeiro de dia, onde continuámos o passeio do dia anterior. À noite e não houve melhor dia para tal, houve um jantar convívio com uma das chinesas que esteve connosco em Niubeishan, com o seu namorado e com um rapaz chinês que conheci em Qiong Hai e que gostava de filmes italianos. 🙂 Depois de jantar foi possível observar o transformismo da cidade e apreciar a iluminação nas fachadas, as incontáveis lanternas e o movimento incessante e frenético das pessoas que por lá passeavam.

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Cirandar em Lijiang

Quando entrámos em Lijiang e apesar desta ser cidade, parecia que tínhamos chegado a uma vila pacata, tal a aparente paz e serenidade. Depois de termos posto a bagagem no hostel, cirandámos pela cidade “velha”, património da UNESCO e por um dos locais que melhor, nos transporta de volta aos tempos da China Antiga. Aqui e após quinze dias passados numa China mais desconhecida, voltei a encontrar alguns ocidentais  principalmente franceses – e turistas chineses às “pazadas”.

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Porta sim, porta sim, as ruas estavam minadas de hostels, bares, cafés, restaurantes e lojas de comércio. A cada rua, a cada esquina, a cada beco, não havia um momento em que estivessemos sós. Porém e felizmente também se viam pequenos canais, pontes, casas antigas, flores e árvores. Tudo isto, sob o signo da delicada Primavera. 🙂 

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Magnífico Lú gū hú

Ato II – No Rebanho

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No meio de não termos local para pôr a bagagem, a estória do dia continuou quando apareceu uma carrinha turística com um condutor e três raparigas a bordo, que estava a dar a volta ao lago e a parar nos pontos mais cénicos. Quando saíram da carrinha, o Xiaoling foi falar com elas e como queríamos ir para Lǐgé, e podíamos em qualquer momento mandar parar a carrinha, aceitámos o “convite” que elas nos endereçaram e seguimos viagem – as carrinhas que andam à volta de Lú gū hú em passeios turísticos têm a tarifa fixa de 200Y e quanto mais cheia a carrinha estiver, menos paga cada ocupante – ou seja, o “convite” das raparigas não foi genuíno, tratou-se sim de uma forma de baixar o preço a pagar por cada uma delas. 😛 Poucos quilómetros depois de sairmos de Luowu, apanhámos mais duas ocupantes, o preço da viagem continuou a baixar – nesse momento, o valor já se cifrava em 28Y por pessoa – e a quantidade do rebanho a aumentar. 😉

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Partímos então em direção a Zhawoluo e durante a curta viagem vi uma zona do lago de águas mais paradas e rasas, que davam a noção da existência de pequenas ilhas. Quando chegámos à aldeia, esta era completamente dominada pelo turismo: passeios a cavalo e de pónei, vendedores de postais e de imitações baratas de artesanato, bancas de comida com preços inflacionadíssimos, enfim nada de interessante. Porém e felizmente, bastava sairmos vinte/trinta metros do trilho para observar uma face mais rural com campos de cultivo, barcos a recolher vegetação, árvores, flores delicadas e camponeses nos seus afazeres. 🙂 No final da aldeia cruzámos a ponte do matrimónio e na outra margem do lago voltámos a dar de caras com bancas de comida, desta feita com “manjares” exóticos, sendo o sapo  pronto para virar churrasco – uma das iguarias. 😛

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Daí rumámos a Shekua, onde entrámos oficialmente na província de Yúnnán e sem grandes delongas seguimos para Sanjia. Aqui, fizemos uma paragem mais prolongada para dar um “tradicional” passeio de barco em que os remadores de serviço eram maioritariamente mulheres e que vestiam trajes aparentemente tradicionais. Do cais partimos em direção à ilha de Liwubi (tartaruga) e durante o trajeto pudemos ver pássaros brancos que “atacavam” ao primeiro sinal de comida na água e o imenso lago azul petróleo a transformar-se progressivamente em verde azeitona e nas margens a ficar transparente. 🙂 Quando desembarcámos na ilha, recebemos a indicação que tínhamos aproximadamente trinta minutos para a visita e desse modo aproveitámos o pouco tempo disponível para ver a pequena ilha, mas principalmente o seu bonito templo budista. Quando findou esse tempo, voltámos ao barco e fomos conduzidos de regresso a Sanjia onde o nosso “jarbas” nos aguardava.

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Em Luòshui, a refeição degustada em rebanho e graças às nossas companheiras de viagem que comiam como piscos, eu e o Xiaoling pudemos comer mais à vontade. 🙂 Esta aldeia revelou ser maior que as anteriores e aqui verificámos que o autocarro para Lijiang – nosso próximo destino – partia a múltiplas horas com particular incidência na manhã. Até Lǐgé, foi um pulinho e nesse trajeto em que fizemos três paragens bastante rápidas, fruto dos aguaceiros intensos, pude observar as profundas mudanças no lago. A topografia do terreno alterou-se radicalmente e passámos de planícies para montes e vales, a cor do água também mudou e os azuis e verdes ficaram ora  mais esbatidos ora mais profundos. Na chegada a Lǐgé pagámos ao nosso “jarbas” e balímos a despedida. 😀

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Niubeishan no Anfiteatro das Montanhas

Ato V – Nevoeiro e Esperança

Ao terceiro dia, a montanha acordou parcialmente gelada e novamente coberta de um manto de nevoeiro espesso e impenetrável. Nesse momento percebemos que era impossível partir e fazer a descida – pelo menos naquele dia. Em conversa decidimos que no dia seguinte, com ou sem nascer do sol tínhamos de deixar Niubeishan, uma vez que aquela seria a terceira noite e estávamos ali completamente em standby. :/

Durante o dia aproveitei para acabar de pôr o caderno em dia e secar as malfadadas botas que teimavam em gelar.  À  medida que as horas foram passando começaram a chegar pessoas à montanha… mais pessoas… mais pessoas… mais pessoas, parecia uma horda a invadir Niubeishan (牛背山). Curiosamente, à medida que a quantidade de pessoas aumentava o tempo melhorava, e a partir das quatro da tarde as nuvens “abriram” de tal maneira que foi possível voltar a ver a paisagem em nosso redor.  🙂

Crateras e montanhasRumei então a uma zona da montanha que ainda não conhecia e na medida do possível comecei a tirar algumas fotografias, uma vez que por esta altura já andava em contenção de bateria. Foi uma boa surpresa quando encontrei Johny e a “amiga”, um casal que conhecêramos no dia anterior. Aproveitei para passar o resto da tarde com eles e para aprender mais sobre fotografia com o Johny, quando a tarde acabou tinha as mãos completamente geladas. 

Iluminações     

O fim do dia foi um espectáculo extraordinário: as múltiplas nuvens, as cores do pôr do sol, as montanhas, a cor do céu… de tal modo que quando a noite caiu vimos pela primeira vez um céu estreladíssimo. A esperança aumentou exponencialmente para o próximo dia. O dia do tudo ou nada!

      

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O Buda Gigante e o “Monstrinho”

O dia começou no autocarro para Leshan, onde tive mais uma pequena aula de chinês com o Li Xiaoling, um rapaz que conheci na noite anterior já em Chengdu e depois de regressar do parque natural de Jiuzhaigou. Quando chegámos à cidade apanhámos uma carrinha privada – preço idêntico ao autocarro público – que nos levou para zona do Buda, porém a paragem terminal foi feita em frente a um restaurante onde nos tentaram impingir comida e uma viagem para Emeishan. Típico! :/ Neste dia houve uma novidade… Foi a primeira vez desde o início da viagem que carreguei durante todo o dia o meu “monstrinho”, nome com o qual baptizei “carinhosamente” a minha mochilona. E mesmo assim tive sorte porque o Li ajudou-me ao levar a mochila do material eletrónico, que não estava tão leve quanto isso. Lá está, mesmo numa situação menos favorável, o português tem sempre sorte! 😉

      

Durante o dia e passo a passo, visitámos o Buda de Leshan e a área envolvente. E mesmo com o “monstrinho” às costas afirmo que adorei visitar este local. 🙂 Primeiro, recebi o impacto “clorofilino”,  fruto da vegetação luxuriante que nos rodeava. Depois, a extraordinária cor dos templos, pavilhões e muros circundantes de um ocre antigo cheio de profundidade e de textura, a tranquilidade da maioria dos locais, apesar do espaço ser super turístico, as pequenas cavernas, fruto do labor humano e onde me deparei com a frase: “It is easy to draw ghosts, but difficult to draw dogs and horses” (É fácil desenhar fantasmas, mas difícil desenhar cães e cavalos) e que estava relacionada com o facto dos cães e dos cavalos serem os guardiões das almas. Por último e claro, o impacto da presença massiva do Buda.

       

Junto com as multidões chinesas, descemos um penhasco de rocha laranja, abrupta e parcialmente esculpida com relevos, nichos e aberturas e que à distância parece uma aldeia. Observámos o rio verde que corre aos pés do Buda e onde circulam freneticamente barcos turísticos que permitem uma vista frontal do local. E na descida o Buda de Leshan revela-se e agiganta-se. Com setenta e um metros de altura e pontuado pela vegetação que cresce no seu colo, ombros e corpo, como que das suas vestes se tratasse, o grandioso buda molda-se na rocha que lhe dá vida. Quando chegamos à base da estátua, o Buda imponente toma conta de todo o espaço, só temos olhos para a sua dimensão e verificamos que somos mais pequenos que o seu dedo mindinho. É aqui, que sentimos realmente o Buda de Leshan. 🙂

      

Sentir é a palavra certa. O Buda não se vê ou observa, o Buda sente-se! 😀 Penso que não há palavras que consigam realmente definir o que foi estar lá. Mas fazendo uma pálida tentativa, para o leitor não ficar no zero absoluto, posso afirmar que me senti ínfimo, uma partícula mínuscula, algo frágil e fugaz, constituído por ossos, sangue e carne, matéria viva que um dia morrerá. Senti o peso da mortalidade humana. Mas tal não me esmagou. Morte é morte. Vida é vida. E enquanto houver vida, há a esperança e a alegria de podermos sentir. Só assim estamos vivos, só assim somos humanos. 😀

      

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Ato II – O Caos e a Ordem

A resposta às minhas dúvidas, foi-me dada na bilheteira no momento da compra dos ingressos tanto para o parque natural, como para os autocarros que aí circulam, quando comprei o bilhete para o segundo dia por “um valor simbólico”. Os dados estavam lançados! Esperava assim que o parque fosse a minha redenção. Porque no Inferno, já eu estava. Sim! A bilheteira também estava um pandemónio! :/ 

    Na saída do Bus    

Tendo um bilhete de autocarro na mão e dois bilhetes para o parque delinei um plano que me satisfez. No primeiro dia decidi aproveitar o transporte ao máximo para conseguir ver as áreas mais afastadas da entrada do parque e no segundo dia circularia provavelmente sem bilhete de autocarro ou a pé. Assim, e sem perceber uma palavrinha de chinês dirigi-me para a paragem inicial de autocarro com a esperança que fosse na direção certa do “Y”. Ao entrar fiquei contente, porque verifiquei que ninguém controlava os bilhetes (cá está! Assumem-no como um dado adquirido) e daqui até à última paragem demorámos pelo menos quarenta minutos passando de fugida por alguns locais que prometiam!  🙂
       Cascata     Na Floresta

Quando sai na última paragem, estava rodeado de hordas de turistas e cada vez que vinha um autocarro via o seu número a aumentar, a aumentar. “Oh diabo! Mas isto vai ser sempre assim?” :/ Comecei a andar no meio da multidão muito pouco satisfeito com o panorama geral até que… dei de caras com o primeiro lago, um lago de águas azuis translúcidas. “Epá. Isto é bonito!” 🙂 Passados uns momentos quis começar a percorrer algum dos trilhos que ligavam os lagos e cascatas sucessivos, porém fruto de ser época de incêndios quase todos os caminhos estavam fechados! :/ A única solução era ir apanhando os famosos autocarros entupidos de pessoas e ir saindo “nos pontos de interesse. Quando se aí chegava era ver o ver todo o “circo montado” na hora de tirar fotografias, as poses, trajes “tradicionais” para alugar e toda a parafernália existente… Esta foi a descrição do caos. Porém…

        

beleza natural ofusca qualquer um dos detalhes anteriormente referidos, e se em condições normais bastaria apenas um deles para o parque ser considerado penoso ou insuportável, esqueçam! Não estamos em condições normais! Estamos em Jiuzhaigoulocal onde a terra das fadas e da fantasia desceram à terra e onde a beleza natural é tão intensa que passados uns momentos esquecemos todos os problemas. Entramos em estado ZEN e só temos olhos para a Natureza no seu máximo esplendor: cascatas, árvores, cursos de água, aldeias tibetanas (vocacionadas para o turismo de massas é certo), montanhas e lagos… muitos lagos de vários tons de azuis e verdes, cada qual com a sua beleza particular, mas que deixam bem gravada na memória a sua presença. 😀 Fora de série é também o facto de mesmo no final do dia continuarmo-nos a maravilhar, a cada passo, a cada olhar. Comovente! A ordem desceu à terra e eu tive a minha redenção! 😀

Delicadeza

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Aparte

Antes de continuar a relatar os factos, vou apenas fazer um duplo aparte. Para se entender a importância que Jiuzhaigou tem na China e no turismo do país é melhor começar por explicar a realidade. Assim sendo, vamos começar pela economia. O parque cobra em época baixa 80Y de entrada, 80Y para os autocarros e para além disso permite a compra de um bilhete para um segundo dia por um valor simbólico de 20Y. Em época alta, a realidade muda radicalmente. O bilhete de entrada passa a custar 220Y! O custo dos autocarros mantem-se inalterado e deixa de ser possível comprar um bilhete para um segundo dia por um valor simbólico. Resumindo, o parque natural de Jiuzhaigou é de tal modo famoso, que se dá ao luxo de cobrar qualquer coisa como 40€ por dia em época alta! :/

Outro luxo a que Jiuzhaigou se dá é o da imposição! :/ O parque tem a forma de um “Y”, é vastíssimo e da entrada até aos extremos distam qualquer coisa como cinquenta quilómetros! Como ninguém está autorizado a dormir no interior do parque, exceto as populações locais que vivem nas aldeias existentes no seu interior, o staff assume que o turista quer visitar toda a extensão do parque, e como tal, o autocarro mais do que fundamental, torna-se uma obrigação! Desse modo, comprar “apenas” o bilhete de entrada pelo menos para o primeiro dia é algo muito difícil de conseguir.

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Ato I – Estado de espírito? Zero absoluto! 

Apesar da epifania da viagem, quando cheguei ao hostel e seguidamente à vila perdi imediatamente toda essa vontade. O hostel era uma espelunca com quartos na cave, sem janelas, gelados, a cheirar a humidade e com os beliches quase a desfazerem-se. 😦 Para além disso, a casa de banho ao fundo do corredor estava constantemente inundada fruto da escorrência de água pelas paredes. Só faltava mesmo o verdete, porque bolor esse havia em abudância! 😛

A vila por sua vez, era um agregado de casas soturnas ao longo da estrada, com restaurantes de lixo mas com preços de luxo, algumas pousadas e hotéis baratos, mercearias decrépitas que também vendiam quinquilharia turística. Tudo isto enquadrado num vale de árvores altas e verdes escuras e num céu pardacento que também não ajudou a melhorar a minha disposição geral. De qualquer modo e após uma viagem tão longa e cansativa também não me apetecia fazer o que a maior parte das pessoas faz: a visita num dia e no dia seguinte partir para Songpan ou voltar a Chengdu… e com esta realidade na mente fui-me deitar na minha masmorra e esperar por uma aurora redentora.

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Dujiangyan. “Esta é a minha praia!”

      

No dia seguinte, fui até Dujiangyan visitar a obra hidráulica mais antiga do mundo! 🙂 O fabuloso sistema de irrigação construído em 256 a.C. por Lin Bin e pelos seus conterrâneos, que demorou oito anos a concluir. Para lá chegar necessitei de andar duas horas de autocarro, uma dentro da imensa Chengdu e a outra para percorrer os setenta quilómetros que separam as duas cidades.   

       

Durante o dia, observei as visitas turísticas de bandeirinha em riste e senti-me diferente pois era o único ocidental entre multidões. 🙂 Vi um extraordinário exemplo de megalomanismo chinês, quando no topo da colina Yulei me deparei com seções e seções de escadas rolantes! :/ Ao percorrer esta fantástica obra de engenharia, vi a “modelação” operada no rio Min e toda a sua envolvente: as ilhas, as múltiplas pontes, os jardins harmoniosos e super bem cuidados, as margens e a cor da água do rio, os templos grandiosos e majestosos (Erwang e Fulonguan), os pavilhões, as muralhas e torres, a pagoda Yulei e senti-me um privilegiado. 😀 Aliás, foi mais intenso do que isso! Senti-me talhado para viajar! Para a vida de nómada! Se houve quem nascesse para ser pintor, escritor, padeiro, engenheiro, porque não há-de alguém ter nascido para viajar!? Este é o meu habitat, o meu ambiente. Esta é a minha essência. Esta é a minha praia! 😀

            

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Pandas, os Adjectiváveis. Estupidez, a Axiomática.

Para chegar ao centro de proteção dos pandas foi-me necessário apanhar dois autocarros. Nada de muito complicado, a não ser que…o vosso hostel vos dê uma informação errada! Assim, no jardim zoológico de Chengdu – local onde tinha de apanhar o segundo autocarro – andei a “patinar” durante uns minutos até me valerem: a boa vontade nativa, um papel e uma caneta. 🙂

         

Relativamente ao centro de proteção, o local é bastante agradável. Tem um lago com peixes e patos, caminhos verdes e tranquilos, flores, pavões e claro: Pandas! Gordos, peludos, pachorrentos, fofos, traquinas, engraçados, pretos e brancos, comilões, dorminhocos. Principalmente as crias. Um must!!! 😀

      
       

Para quem nunca contactou com eles, este é de facto o local certo, uma vez que é pedagógico e oferece-nos uma excelente oportunidade de aprendizagem.  A experiência foi por isso diferente e engraçada e só não achei muita piada aos rugidos que alguns chineses faziam para os chamar! Esses sim, uns autênticos animaizinhos! :/ Mas vamos ser justos: A estupidez é axiomática e é uma das poucas constantes desta vida, estando presente independemente do estrato social, da educação ou do país.