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Crónicas Fotografia Reflexões

Pandas, os Adjectiváveis. Estupidez, a Axiomática.

Para chegar ao centro de proteção dos pandas foi-me necessário apanhar dois autocarros. Nada de muito complicado, a não ser que…o vosso hostel vos dê uma informação errada! Assim, no jardim zoológico de Chengdu – local onde tinha de apanhar o segundo autocarro – andei a “patinar” durante uns minutos até me valerem: a boa vontade nativa, um papel e uma caneta. 🙂

         

Relativamente ao centro de proteção, o local é bastante agradável. Tem um lago com peixes e patos, caminhos verdes e tranquilos, flores, pavões e claro: Pandas! Gordos, peludos, pachorrentos, fofos, traquinas, engraçados, pretos e brancos, comilões, dorminhocos. Principalmente as crias. Um must!!! 😀

      
       

Para quem nunca contactou com eles, este é de facto o local certo, uma vez que é pedagógico e oferece-nos uma excelente oportunidade de aprendizagem.  A experiência foi por isso diferente e engraçada e só não achei muita piada aos rugidos que alguns chineses faziam para os chamar! Esses sim, uns autênticos animaizinhos! :/ Mas vamos ser justos: A estupidez é axiomática e é uma das poucas constantes desta vida, estando presente independemente do estrato social, da educação ou do país.

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Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Quando a Bota, não bate com a Perdigota

Quando cheguei a Chengdu dirigi-me à zona dos autocarros para apanhar o BUS número 57, como “mandavam” as indicações tiradas da Internet para chegar ao hostel, e qual não é o meu espanto quando começo a procurar e… não existe nenhum BUS número 57 (pelo menos naquele local). “Oh diabo! Começamos bem!” Com os caracteres chineses na mão dirigi-me a um rapaz e mostrei-lhe o papel e apesar dele não falar inglês lá percebeu o que eu queria. 🙂 Com uma rapidez super-sónica a comparar caracteres, indicou-me um autocarro que parava naquele local. Entrei e mostrei o papel ao motorista que acenou que sim com a cabeça.

Começamos a viagem, autocarro cheio e eu posicionado estrategicamente para sair quando recebesse sinal. O problema é que o tempo foi passando, passando, passando e nada…”Oh diabo! Mas o hostel é assim tão afastado do centro?”. Quarenta minutos depois já pensava: “Mal por mal, acho que já prefiro que se tenham esquecido de mim.” Uma hora depois o autocarro estancou já só comigo a bordo e nessa altura, dirigi-me ao motorista que olhou para mim e fez uma cara que dizia tudo: “Epá! Esqueci-me completamente de ti!” A moral da história é que tive de sair do autocarro, apanhar outro com o mesmo número mas com outro motorista e… voltar a pagar o bilhete! Tempo e dinheiro perdidos na chegada a Chengdu, capital da província dos Pandas.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Xi´an – Huashan. À Nora!

Na partida para Huashan (a minha primeira montanha na China e uma das cinco montanhas sagradas do Taoísmo) a primeira mini-aventura ocorreu logo na partida, quando em plena estação de autocarros e com o bilhete já na mão, andei qual barata tonta a mostrá-lo a revisores e motoristas para me indicarem qual o autocarro a apanhar, uma vez que existiam apenas caracteres chineses e não existiam indicações legíveis para leigos do chinês, nomeadamente número do autocarro e local da partida. 😛

A viagem durou sensivelmente uma hora e quarenta minutos e uma vez que Huashan não era a paragem terminal, tive que ir super-atento para perceber o momento exato em que tinha que sair do autocarro pois não há indicações do sítio onde estamos, apenas se ouve a voz do motorista a anunciar o nome do local e digamos que para quem não percebe chinês, nem sempre é tarefa fácil. 😛

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Crónicas

Pedalando em Pingyao

Ao terceiro e último dia na cidade resolvi alugar uma verdadeira “bomba chinesa” com direito a cestinho e tudo. 😉

Me and my RideAto I – Odisseia até ao Templo de Shuanglin

Sai da cidade muralhada pronto a enfrentar o trânsito meio-louco da parte nova da cidade: motas, motoretas, bicicletas, carros e camiões. Porém quando digo enfrentar, quero dizer, seguir o meu caminho com cuidados redobrados e tentar manter as distâncias ao máximo para não levar com nenhum bólide “em cima”.

Chegar ao templo de Shuanglin foi uma verdadeira odisseia e se em condições normais o templo dista a sete quilómetros da cidade (apenas tinha umas vagas luzes sobre a direção e distância), eu devo ter conseguido (arredondando as contas quilométricas por alto) percorrer mais do dobro. 😛 Pior que a inexistência de indicações!! Foi a falsa informação providenciada por uma placa de trânsito, sendo necessária muita resilência e abegnação para não desistir a meio do caminho, pois até as tentativas de esclarecimento dadas pelas pessoas, eram imprecisas e vagas.

Perdido e na companhia da minha “bicla”, numa rotunda encontrei finalmente um menino que me escreveu os caracteres do local. Sim! Novamente um papel a salvar o dia. 🙂 Munido do papel lá consegui comunicar com duas pessoas que me confirmaram que estava no  rumo certo e levei o meu propósito a bom porto, concluindo a odisseia ao atingir os  muros do templo que desejava conhecer. 😀

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Garrafa de Água à Chinesa

O dia começou com a minha primeira incursão mais complexa no mundo do chinês. E qual o objetivo? Muito simples, comprar uma simples garrafa de litro e meio e não ser enganado no preço (que já sabia previamente ser 3Y). Deste modo:

– “Ni hao. Duoshao qian?” (Olá. Quanto custa?)
-“San” (três)
Acenei que sim com a cabeça, paguei e disse:
– “Adeus” (Zaijian)

No final e muito mais importante que a garrafa de água, o que obtive foi o prazer psicológico de não ser enganado e de pelo menos ter conseguido encadear três palavras e meia de chinês. 😛

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Mai Piao

Durante a tarde desloquei-me à estação Este de comboios de Pequim para comprar o meu bilhete para Pingyao, apesar de apenas ter a viagem daí a três dias. A questão é que na China o comboio é o meio de transporte mais popular para percorrer distâncias longas (havendo por isso, o sério risco de venda total de bilhetes, principalmente para as “camas rijas” – ying wo) e como por dia há apenas um comboio que passa por este local, comprei o bilhete com esta antecedência.

Na fila, aguardava ansioso pela minha vez. Afinal era a primeira vez que ia comprar um bilhete para mudar de cidade e já sabia – fruto da experiência dos dias anteriores – que o forte dos chineses não era o inglês. Esperava por isso, problemas de comunicação! Chegou a minha vez e munido do meu papel com caracteres que indicavam PingYao e com a data para a qual pretendia o bilhete, e com umas fotocópias do Guia da Lonely Planet, lá pronuncie as palavras mágicas: “Mai Piao” (comprar bilhete) e mostrei o papel. A rapariga pronunciou sons incompreensíveis e eu mostrei as fotocópias com a parte que dizia “camas rijas” – Ying Wo, passando uns momentos – uns segundos valentes ou mais – percebi que ela me estava a pedir o Passaporte e finalizámos o processo com a entrega do dinheiro, apesar de eu entregar umas notas sem perceber bem o preço do bilhete.

Todo o processo de compra do bilhete demorou uns cinco minutos, mas a verdade é que no final estava super orgulhoso por ter conseguido comprar sozinho, sem intermediários e taxas extra por serviços prestados (como o hostel cobrava), o meu primeiro bilhete nas terras do Império do Meio.

P.S. E se quero viajar neste país pelo período longo que espero conseguir, é melhor começar já a habituar-me às questões de logística.

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Sr. Agente Ajuda-me a Regatear?

Após um feliz regresso à poluição e tendo em conta a falta de nutrientes essenciais, o meu organismo pobre diabo, estava com larica. Na zona de Qianmen encontrei o que procurava, uma vendedora de “farturas” chinesas, ou seja, massa frita bem ensopadinha em óleo. Como a cavalo “encontrado” não se olha o dente, que se lixe o colesterol, os lípidos, as glicoses, frutoses, sacaroses…e tretas do género. Vamos é comer qualquer coisinha. 😛

A minha querida Vendedora

A bancada apenas tinha informação em chinês (pelos vistos, o rapaz ainda não percebeu que está na China) e como não queria ser enganado aproveitei a passagem circunstancial de um Sr. Agente da autoridade, vulgarmente denominado polícia, bófia…e em algumas circunstâncias mais fogosas de filho da !$#% para cima. Parei o Sr. Agente e tentei falar-lhe em inglês, mas não surtiu grande efeito. Por gestos consegui mostrar-lhe que queria comprar uma farturinha e ele tal e qual um pai que acompanha a criancinha, lá foi comigo até à banca da senhora perguntar quanto custava o abençoado frito. A vendedora olhou para mim e fez-me sinal de 6Y e eu que já tinha preparado umas notinhas para regatear, tirei as minhas 4 notas de 1Y do bolso e mostrei que não tinha mais (claro que tinha, mas na carteira). Ela acenou que não, eu insisti que só tinha aquele dinheiro e com a mediação do Sr. Agente, que deve ter ficado com pena de mim, venci mais uma batalha no jogo do regatear. Quando comecei a comer, o óleo escorria frito abaixo. Mas naquele momento a fomeca fazia com que aquela “fartura” fosse a mais refinada à face da Terra. 😀

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Crónicas Em trânsito

Visita à Grande Muralha

Ato I – O Papel, qual Papel?

A visita à muralha começou após uma noite mal dormida. Motivos!? Efeitos do Jet Lag? Ansiedade? A verdade é que às 5.30 já estava acordado e às 6.00 e pouco já estava no metro, munido com o meu papel em caracteres chineses que dizia: Mutianyu, com destino a Donzhigmen onde apanhei o autocarro – não para a muralha mas para uma cidade que ficava próxima da muralha. Mas antes de o conseguir, tive de andar às voltas na estação, qual galinha decapitada porque não via nenhum ticket office, apenas quando vi alguém semelhante a um revisor é que consegui comprar o bilhete – graças claro, ao papel. 😛

No autocarro era o único ocidental e como estava a caminho de um local super-turístico fiquei um pouco surpreendido, com esse facto. Durante a viagem vi um pouco da cidade fora do seu centro turístico, ou seja muitas torres modernas e bastante construção em andamento. A viagem que devia ter durado duas horas e meia como li previamente, durou uma hora e meia e passado esse tempo o motorista mandou-me sair do autocarro porque tínhamos chegado à estação terminal. Quando saí, estava baralhadíssimo só via caracteres chineses – grande novidade – e não fazia a mínima ideia onde estava. Meio perdido, dirigi-me a um local que dizia – em inglês – fazer transfers para o aeroporto de Pequim, esperançado que aí alguém falasse o sagrado inglês. No entanto, ninguém falou mas após ter mostrado novamente o papel, levaram-me para uma sala onde cinco chineses estavam a trabalhar em frente ao computador e um deles escreveu-me numa folha um número de um autocarro e algo em chinês.

Dirigi-me para a estação de autocarros com esse número e enquanto esperava fui abordado por um chinês e mostrei-lhe… mistério? Claro o papel. Ele olhou para mim e apontou para uma carrinha meio corcomida, nesta altura já eu tinha tirado um papel e um lápis, ele escreveu 50 e eu escrevi 40, durante um breve momento ele ponderou a proposta e acabou por acenar que sim com a cabeça e dizer algo que em português seria: “Vamos lá, C@#%&*+!”. O acordo foi firmado com um aperto de mão e quando dei por mim já estava no banco de trás rumo ao desconhecido. Nesta altura, estava ansioso e comecei a pensar que se calhar não tinha sido muito inteligente, afinal estava a uma hora de distância da suposta cidade que ficava no sopé de muralha e se a partir dessa cidade um táxi custava entre 20 e 30 Yuans, como raio é que conseguira um negócio tão vantajoso? Das duas uma, ou estava prestes a ser vítima de um esquema qualquer ou então estava mais perto do que julgava. A resposta veio quando vi uma placa castanha com a informação Mutianyu 17 km. Nessa altura fique felicíssimo porque a) percebi que iria chegar à Muralha, b) estava na cidade certa apesar da informação lida não ter correspondido à informação real. O resto da viagem foi feito com um sentimento totalmente diferente de até aí, um misto de alívio e de felicidade, mais um pouco e a carrinha transformar-se-ia num carro alado rumo ao Éden. 😀

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Primeiro Dia em Pequim

O primeiro dia em Pequim correspondeu ao primeiro dia da viagem (vá, vamos excluir os aeroportos e os aviões, porque esses pouco se alteram em qualquer lugar do mundo, correspondendo a um modelo previamente standarderizado). Quando aterrei o dia estava cinzento e enevoado. “Oh diabo! Welcome to smog my friend?” A ver vamos. No aeroporto, para sair para a zona das bagagens foi necessário aguardar numa fila o controlo dos passaportes e de um “cupão” que é importante para o controlo de emigração e deve ser entregue à entrada e à saída do país. Mas não se pense que o controlo dos passaportes só é aplicado aos ocidentais, não senhor! Aplica-se também aos próprios cidadãos. Ora muito bem! Cá temos um primeiro cheirinho a burocracia. Quando ia a caminho do metro passou por mim um ocidental e na zona de comprar os bilhetes meti conversa com ele. Para minha sorte calhou-me na rifa um italiano (Stefano) que já vive na cidade há sete anos e durante a nossa viagem até ao centro de Pequim, contou-me coisas sobre si e deu-me algumas dicas.

Já na hostel (que foi bastante fácil de encontrar) e apesar do cansaço (esquecer-me recorrentemente de objetos antes de sair, acho que foi a faceta mais visível) o meu objetivo passou por continuar acordado e manter o ritmo o mais normalizado possível. Desse modo, o corpo é forçado a começar a habituar-se ao horário do destino. O resto do dia foi passado a deambular por Pequim de forma errática e sem grandes objetivos definidos. Acabei por seguir até aos muros exteriores da Cidade Proibida por uns hutongs (ruas e vielas que formam um bairro, em que as casas tem tradicionalmente pátios interiores) e seguidamente dirigi-me ao parque Jingshan (no seu interior este parque alberga alguns pavilhões chineses, que se localizam no topo de uma colina e proporcionam uma bela panorâmica sobre a Cidade Proibida, mas não neste dia) onde andei tranquilamente a passear com um chinês que pôs conversa comigo quando estávamos sentado num banco do jardim.

Saí do parque e continuei a deambular por avenidas monumentais e por mais hutongs. Aqui, pela primeira vez entrei numa mercearia e sem falar uma palavra de chinês e só com comunicação gestual consegui comprar uma garrafa de água de litro e meio (que inicialmente custava 5Y) por 1Y, percebendo automaticamente a importância que o regatear tem na cultura deste país. De rua em rua, viela em viela fui parar à rua principal do hutong mais antigo da cidade (Nanluogu Xiang) e lembrei-me de uma citação de Theroux: “É axiomático que logo que um lugar ganha a reputação de ser um paraíso se torna um Inferno” – a rua era um misto de discoteca pirosa e de um circo. Enfim demasiado turístico e demasiadas pessoas para o meu gosto, mas se calhar é melhor começar-me a habituar e rapidamente ao turismo de massas aqui na China.

Quando saí desta zona de hutongs, não sabia onde é que andava e o melhor foi quando abri a mala para ir buscar o mapa e verifiquei que não o tinha, a cereja no topo do bolo veio quando me apercebi que nem sequer o nome da rua ou localização do hostel tinha comigo. Nesta altura, tentei recorrer à ajuda de algumas pessoas que passavam na rua ou que trabalhavam em lojas ali nas imediações mas comecei a perceber que o inglês continua a ser pouco falado (mesmo em pessoas mais jovens). Moral da história: cansado, perdido (durante mais ou menos hora e meia) e sem perceber uma única letra que me rodeava ou palavra que me diziam comecei a ficar nervoso e a pensar como raio me ia livrar daquela situação incómoda que tinha criado. Após uns momentos de reflexão lembrei-me de ir a um hotel grande (em que aí falam inglês) pedir um mapa e para marcarem onde estávamos. Com base no mapa e na minha bússola lá me consegui orientar e voltar à base – apenas por curiosidade, diga-se que estava aproximadamente a três quilómetros na direção Noroeste.

Quando ia a chegar ao hostel estava esfomeado e encontrei um famoso mercado de rua noturno com comida, porém para o dia acabar em beleza paguei 17Y por um pratito de noodles mal-amanhado e reaprendi que antes de concluir qualquer negócio só mostro o dinheiro depois de acertado o preço (nem que seja por mímica). Já no hostel confirmei que na China o Facebook está bloqueado (tinha quase a certeza deste facto) e a má surpresa veio quando percebi que nem no blog conseguia entrar (também bloqueado). Depois de avisar que estava tudo bem (via skype, o telemóvel desde Barcelona que não tinha rede) finalizei a preparação para Muntianyu e às 20.00 já estava a dormir o merecido sono dos viajantes.