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Huangshan, Montanha Amarela

Ato V – Dureza na Ascensão

Apesar das poucas horas dormidas, acordei com o objetivo de continuar o meu passeio em Huangshan. E se em Tangkou o tempo estava cinzento, quando cheguei ao “portão” da face Este da montanha, em YunGu estava um nevoeiro cerradíssimo. :/ A ascensão até ao White Goose Ridge foi muito, muito dura! E ao cansaço físico – as pernas não se queriam mexer – associou-se o cansaço mental – a cabeça só pensava que não se via nada e qual o objetivo de visitar a montanha naquelas condições atmosféricas, quando podia estar muito bem no hostel deitado num verdadeiro “ninho”. :/

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A verdade é que arrastando-me montanha acima, cheguei ao White Goose Ridge em noventa minutos e a partir daqui o dia melhorou consideravelmente, tanto em termos físicos e mentais, como meteorológicos. O meu primeiro destino foi o Seeing is Believing Peak, mas a verdade é que relativamente à questão de ver para acreditar a ironia era de facto elevada, pois na realidade via-se pouco ou nada e senti-me qual um comandante de um navio, a navegar na bruma, mas sem acesso a GPS. 😛 Daí segui até ao Tiger Pine e a melhor visibilidade da manhã foi entre esse local e o Lion Peak, pois via-se a neblina a circular velozmente entre os picos, belo! 😀

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Do Pico do Leão parti para o Purple Cloud Peak (1700 m) mas o panorama não se alterou, nevoeiro cerradíssimo! Com umas condições assim, a melhor parte do dia foi sem dúvida nenhuma percorrer a zona do Xihai Grand Canyon, uma vez que mesmo com um nevoeiro intenso, foi espectacular! 🙂 A atmosfera do local é verdadeiramente singular, descidas e subidas vertiginosas, faces escarpadas, trilhos estreitos e pelo menos uma ponte completamente louca – os guardas eram tão baixos que mais parecia uma ponte para crianças – num precipício! 😛

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No caminho de regresso falhei uma bifurcação e consequentemente a ligação entre o Cloud Dispeling Hotel e o Brigth Top Peak, não vendo por esse motivo a famosa Flying rock. O caminho de regresso foi exatamente igual ao do dia anterior, porém com a agravante que neste segundo dia não se via nada! Por isso o objetivo foi apenas um: andar, andar… andar! Até sair de Huangshan de papo cheio de trekkings e fisicamente, extenuado. 🙂

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Crónicas Reflexões

Huangshan, Montanha Amarela

Ato IV – Corpo Aqui, Mente Distante

Devo referir que durante a travessia em Huangshan houve períodos que estava com a cabeça completamente noutro lado, ou seja, estava a pensar seriamente na proposta do dia anterior da M. – feita meio séria, meia a brincar – e a pesar os prós e os contras de tal decisão. A verdade é que encontrei muitos pontos a favor e poucos contra, sendo o mais forte destes a questão puramente monetária. Durante esse processo de pensar ir a Portugal não me senti oprimido e receoso, não! Senti-me feliz com essa possibilidade… os dados estavam lançados! E tomei a minha decisão! 😀

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Huangshan, Montanha Amarela

Ato II – Os Heróis da Montanha

Neste período o que mais me desiludiu foi ver o caminho para o Celestial Peak (1810 m) encerrado e o que mais me surpreendeu ao longo do dia foi ver a capacidade do ser humano para ser uma besta de carga, montanha acima, montanha abaixo. Vi homens a carregarem cerca de cinquenta quilogramas aos ombros e fiquei com a certeza que estes homens são uns heróis! E se existem momentos – particularmente nas ascensões – em que me sinto cansado, basta ver um destes homens para pensar que estou a ser piegas!

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Crónicas Fotografia

Huangshan, Montanha Amarela

Ato I – Huangshan. Partida!

O trajeto entre Tangkou e o “portão” da face Oeste da montanha (Templo da Luz Misericordiosa) durou vinte minutos e a estrada era um conjunto de curvas e contra-curvas no meio de uma paisagem verde. 

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Quando comprei o bilhete (aproximadamente 29€!) referi que queria voltar no dia seguinte e recebi uma declaração para o devido efeito, deste modo o bilhete teve a validade de dois dias e não de apenas um como é normal – claro que isto não está escrito em lado nenhum e apenas soube deste “detalhe” graças à rececionista do meu hostel! 🙂 Às 8.10 comecei a ascensão da montanha Amarela e se inicialmente o dia estava bastante pardacento, a verdade é que à medida que o tempo passou, o dia foi-se tornando mais claro, o céu “azulou” e o sol despontou. 🙂 À medida que fui subindo degraus parecia que estava numa mistura de Huashan – faces escarpadas – e de Emeishan – verde, verde… verde – e a primeira parte da ascensão até Groting Guests Pine foi bastante rápida – aproximadamente duas horas. Por esta altura, a ascensão não estava ter a dificuldade que esperava, mas fruto da beleza da montanha, a experiência estava a ser muito boa.

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Crónicas O 1º Dia

Hostel a Estrear

Na chegada ao hostel, ao falar com a rapariga da receção e ao contar-lhe o sucedido, ela confirmou-me que de facto Mr. Hu era da concorrência e que muitas vezes os motoristas dos autocarros páram em frente a determinados restaurantes ou hotéis para receberem umas luvinhas extra. Finalizados os esclarecimentos, coloquei a bagagem no quarto (que cheirava completamente a novo e estava imaculado) e fizemos um briefing (super-esclarecedor e elucidativo) sobre a montanha. 🙂 Aí, percebi que para ter uma boa visão do conjunto geral da montanha iria necessitar de dois dias inteiros de trekking e preparei o “plano de ataque” para os próximos dias.

P.S. – As camas do hostel eram FABULOSAS! Um verdadeiro ninho de conforto e de longe as melhores na China! 😀

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Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Em trânsito: Hangzhou – Tangkou. Ao Deus Dará

No dia anterior despedi-me da Shue e ao trocarmos os e-mails ficou semi-prometido que voltaríamos a encontrar-nos, desta feita em Nachang a cidade onde ela estuda. Antes de partir para Tangkou – vila nas imediações de Huangshan, a montanha amarela – comi o pequeno almoço no mesmo restaurantezito dos dias anteriores, porém como já não tinha as raparigas comigo, enganaram-me no preço da comida! Claro que fiquei irritado, sabendo imediatamente o que estava a acontecer e antes de partir fi-los perceber que eu sabia que o preço estava inflacionado!

Quanto à viagem propriamente dita, esta demorou quatro horas e meia e decorreu de forma serena, numa paisagem verde e na mesma aproveitei para escrever no caderno. O momento alto ocorreu já depois da chegada quando o condutor do autocarro decidiu parar em frente a um restaurante  para receber umas “luvas”, certamente – e tal facto fez com que eu não fizesse a mínima ideia onde me encontrava! 😛 O que valeu é que apesar da sua honestidade duvidosa, foi simpático e prontificou-se a ligar para o meu hostel, para me virem buscar. 🙂

Enquanto esperava, apareceu um carro preto com um condutor que disse ter sido enviado pelo hostel e apesar de não estar 100% certo da veracidade desta informação segui viagem com ele. O facto de ser de dia e não pensar ser raptado ajudaram-me na tomada de decisão. 😛 No caminho recolhemos um casal de alemães e na viagem falámos de estadias no pico da montanha, em diferentes alternativas e fui observando que a cidade era apenas uma estrada com edifícios de ambos os lados e que era de longe o local mais desinteressante que vi na China até esse momento. Pouco depois, fui largado nas imediações do hostel e recebi uma cartão, o senhor mistério acabara de ser batizado, Mr. Hu. No final da viagem tive a certeza que ele era da “concorrência”, mas para mim pouco importava, estava no local certo e não tinha pago nada para lá chegar. 🙂

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Crónicas

Correios Chineses

Com a ajuda de Shue e da amiga, consegui finalmente largar um pouco de lastro da bagagem e numa das estações de correio da cidade, fiz um pacote com três quilogramas – roupa mais quente, mapas e papéis, o diário que terminei na China e mais umas tralhetas – e pus tudo a caminho de Portugal. Goodbye e bon voyage! 🙂

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A Prova do Chá

No nosso primeiro dia a sério em Hangzhou visitámos a zona a sul do lago e aí encontrámos pequenos lagos, cascatas e trilhos de pedra por entre árvores e vegetação frondosa e lembrei-me de Sintra, tais as semelhanças. 🙂 Ao longo do caminho, também fomos encontrando plantações do famosíssimo chá – LongJing  e numa delas a Shue e a amiga falaram com uma camponesa. Partimos então para uma prova de chá e ficou acordado que se quiséssemos no final podíamos comprar o mesmo. 😉

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Andámos até uma aldeia nas imediações e num terraço com vista para os montes e plantações circundantes, tivemos a nossa “degustação” de chá e mais tarde uma pequena “discussão” de preços e qual a quantidade a comprar por cada um de nós – acabei por ficar com cem gramas. Mas durante todo o “processo” o que gostei mesmo, foi da vista e de observar um velhote castiço – que dizia falar japonês – que era o marido da camponesa que encontrámos. 🙂

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Shaoxing – Hangzhou. Separação Forçada, Reencontro e Pandemónio!

Na estação de comboios quando estava para comprar o bilhete para seguir para Hangzhou com a Shue, o comboio estava esgotado e tive de comprar um bilhete para seguir noutro – que partia mais cedo, mas chegaria depois – e ela esperaria por mim na estação durante sensivelmente meia hora. Os pequenos problemas com que nos deparávamos eram: a Shue tem miopia, que não é completamente inofensiva e não usa óculos! :/ A estação de comboios de Hangzhou é “grandita” e com bastante afluência de pessoas – que novidade! – e não havia a possibilidade de telefonarmos – ela com um número chinês e eu com um número português. A verdade é que estava um pouco expetante e por isso arranjámos uma solução com cores fortes: o azul do meu softshell e o cor-de-laranja do saco que lhe pûs nas mãos antes de partir. 🙂

Felizmente correu tudo bem, na estação de comboios de Hangzhou voltámos a reencontrar-nos e nas imediações da estação esperámos por uma amiga da Shue, que veio da cidade onde elas estudam e que iria viajar em Hangzhou e Xitan com a Shue – no dia em que eu seguiria para Huangshan, elas iriam para Xitan. Daí seguimos de autocarro para as imediações do lago Oeste e a viagem para além de cara – preços inflacionados por ser altura de feriados!* – bastante lenta – tivemos de mudar de autocarro e esperar, esperar… esperar – e muito confusa – tanto no interior como no exterior do autocarro, existiam demasiadas pessoas – revelou-se um autêntico pandemónio! Nessa altura, Hangzhou pareceu-me o inferno na terra. :/


*Nunca vi uma companhia de transportes fazer tal coisa. E não, aviação não conta. 😛

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Regresso à Cozinha

Ao longo do dia fomos acertando agulhas no sentido de fazermos um jantar para toda a gente – staff do hostel e para nós – e quando voltámos ao centro da cidade e posteriormente ao hostel a decisão já estava tomada. Por isso, assim que chegámos, largámos as malas e partimos em direção do supermercado com o objetivo de comprarmos os ingredientes para o repasto e no caminho ainda deu para ver uma bonita praça com uma pagoda e o sol poente refletidos na água. Belo! 🙂 No supermercado e enquanto andávamos a decidir que ingredientes comprar, estava FELIZ! 😀 Estava mesmo feliz, com a possibilidade de voltar a cozinhar e inventar novos sabores, ainda para mais porque iria fazê-lo para nativos do país que estou a visitar. No caminho de regresso disse à Shue que tinha gostado muito de ter passado o dia com ela, e ela por sua vez, disse-me que para si o dia fora muito “rico“. Claro que fiquei contente e orgulhoso. 🙂

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A confeção do jantar foi divertida e quando demos por nós já estávamos a alimentar seis pessoas – no início eramos quatro, mas juntaram-se mais dois rapazes que andavam a viajar pelo país de bicicleta – e a ementa final consistiu em: arroz; sopa de tomate e ovo; ovos com cebola e chili; batata doce e cenoura (minha autoria); “talisca” com alho francês, cebola e chili; um prato de chilis verdes “venenosos”; Ah! E snickers e fruta para sobremesa. Foi um belo jantar! Cheinho de comida saborosa e “combibio”. 😀

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