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Ideias soltas sobre a Malásia

Quando cheguei à Malásia vindo da Tailândia e do seu sul de mafiosices constantes, o facto que mais me surpreendeu foi ver os preços dos transportes afixados e tabelados, como o caso dos autocarros e dos táxis – na grande maioria dos casos. No país a probabilidade de haver enganos nos transportes públicos é por isso muito mais reduzida. 🙂 Isso não significa que não possam existir situações dúbias, por exemplo os barcos em Bako e em Perhentian, onde existe um monopólio associado e as carrinhas de transporte  mini-vans – em Georgetown e nas Terras Altas do Cameron, onde se deve tentar encontrar os preços mais atrativos, pois existe uma grande concorrência entre agências de viagens/transportes.

O símbolo do país está bem patente na nota de 50 MYR  a segunda de valor mais elevado – a palmeira que gera o óleo de palma. A península da Malásia está coberta de hectares e hectares sem fim de palmeiras e infelizmente muita da selva primitiva do Bornéu foi destruída na transformação da paisagem. A verdade é que no mundo atual não existem soluções mágicas. O óleo de palma gera, dinheiro… muito dinheiro! Para além disso substituí-lo é uma tarefa muito complexa, devido ao elevadíssimo número de produtos existentes no mercado – alimentares e não só – que utilizam este óleo na sua composição e a sua substituição pode tornar-se ecologicamente insustentável – o óleo de palma produz quatro a dez vezes mais do que qualquer outra cultura.

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A corrupção – tal como na maioria dos países asiáticos – está muito presente no sistema político e tal situação afeta de forma preocupante e negativa a economia do país. Durante as últimas décadas, muitas decisões foram tomadas de forma leviana e com o objetivo de favorecer certas empresas e indivíduos, em detrimento do bem-comum. Desse modo a Malásia, construiu muitos elefantes brancos e esbanjou um elevado número de recursos naturais. Apesar de no dia-a-dia, em termos gerais, existir uma excelente unidade entre etnias: Malaios, Chineses e Indianos. A unidade da Malásia é abalada pela existência de uma enorme discriminação na atribuição de cargos de estado entre as três etnias, uma vez que os cargos de chefia são quase sempre entregues a cidadãos de etnia Malaia. Tal situação mina a crença das pessoas, na igualdade e na justiça da sociedade.

Entre a Península da Malásia e o Bornéu Malaio, sente-se uma diferença geral de atmosfera. A religião muçulmana diminui em termos de importância e torna-se menos rígida, a religião cristã aparece no mapa e ainda se conseguem encontrar algumas tribos com algumas tradições vivas e raízes antigas. Estas premissas, influenciam de forma decisiva os habitantes da ilha e as pessoas tornam-se no geral mais descontraídas. Para além disso o Bornéu ainda é um espaço mágico e primitivo, onde se podem encontrar alguns pedaços de selva muito antiga, muitos animais selvagens e pessoas muito calorosas e humanas; e desse modo, ficar-me-á para sempre na memória, como um dos locais mais especiais de toda a viagem e onde fui verdadeiramente FELIZ! 😀

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Crónicas Fotografia

Viagem Sentimental a Malaca

A Malaca, essa histórica terra de sultões malaios, portugueses – durante centro e trinta anos: 1511 a 1641 – holandeses, britânicos e posteriormente chineses e indianos, cheguei às sete da manhã, depois de uma viagem noturna de comboio – a primeira e única que fiz no país – que ligou Jerantut a Tampin e de uma breve travessia de autocarro entre Tampin e Malaca.

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Nos três dias que estive na quente, sonolenta e turística cidade, que é património da UNESCO desde 2008, lavei toda a roupa que usei na selva de Taman Negara e que estava um “caco” 😛 ; desfiz toda a mala e decidi o que enviar para Portugal via correios; marquei o meu voo para entrar na Indonésia, via Sumatra; escrevi postais; vi muitos episódios de uma série, que tinha em atraso; marquei hostel em Singapura e combinei reencontrar-me com o Rudy  um rapaz Indonésio que conhecera no parque natural de Mulu; tive um jantar delicioso de comida tradicional de Malaca, na companhia de um rapaz britânico, um rapaz malaio e uma rapariga singapurense e deambulei pela cidade fazendo dois percursos pedestres, muito interessantes. 🙂

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O primeiro percurso chamava-se a herança holandesa e assim que vi essa denominação, pensei instantaneamente “que os portugueses também mereciam algum crédito”, afinal a Porta de São Tiago – “A Famosa” – e a Igreja de São Paulo foram construídas por nós bravos lusos! 😉 Durante o passeio, percorri a Jalan Kota, observando o exterior de bonitos museus de fachadas brancas – arquitetura, antiguidades, selos… – e o jardim da coroação. Na Porta de São Tiago, detive-me mais tempo e senti orgulho por ver um bocadinho de Portugal, num país que fica a tantos quilómetros de distância e segui até ao cemitério holandês – que na verdade de holandês tem muito pouco, uma vez que das trinta e oito campas existentes, apenas cinco são holandesas! As restantes são britânicas 😛 – e até às ruínas da Igreja de São Paulo – antiga igreja da Nossa Senhora da Conceição, mandada construir pelo capitão luso, Duarte Coelho em honra da Virgem Maria e que posteriormente foi rebatizada pelos holandeses. Do alto tive uma agradável panorâmica da cidade e segui andando até à margem oeste do rio.

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Nessa margem, a herança revelou uma faceta mais moderna de Malaca, pois aqui destacaram-se bonitas casas de fachadas coloridas – de antigas famílias chinesas -, grandes e belos antiquários, o hotel Puri; o fresco, delicioso e tradicional gelado malaio – cendol  e a rua da harmonia onde numa curta distância existe, o templo hindu mais antigo do país – Sri Poyyatha Vinayagar Maarthi, 1781 – a mesquita de Kampung Kling  1868 – e o templo chinês, das nuvens brilhantes – Cheng Haan Teng, 1654 – e de facto foi emocionante visitar esses locais tão distintos, mas ao mesmo tempo tão próximos entre si. 🙂

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Nestes percursos para além dos emblemáticos monumentos, vi a multiplicidade da decoração e riqueza que os tuk-tuk/riquexós ostentam: corações, flores, yellow kitty´s, motivos religiosos. Numa palavra? Kitch! Para além do forte impacto visual, quando estão em andamento provocam um impacto auditivo ainda mais estrondoso! 😛 Uma vez que há recurso a sistemas sonoros complexos e potentes que emitem decibéis de músicas de amor chorosas, hits em inglês, lambada e o chamado “cascabulho”. Sem dúvida que estes veículos se fazem notar, nas ruas da cidade e na minha opinião deviam fazer parte da lista da UNESCO, tal como os inúmeros monumentos… 🙂 E na despedida de Malaca e da Malásia, senti-me orgulhoso por ser Português!

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Crónicas Fotografia Reflexões

Taman Negara? Selva Antiga!

Taman Negara é o maior e o mais importante parque natural de toda a Malásia, pois é aqui que se localiza a floresta primária – selva – mais antiga de todo o planeta!! Uma vez que o degelo que há milénios “tocou” quase todas as áreas do globo não atingiu esta zona. Quando cheguei a Kuala Tahan, não tinha nenhum plano específico para visitar o parque natural, mas como conheci um nativo que me “ofereceu” um bom preço para um trekking de três dias e duas noites na selva com tudo incluído, acabei por aceitar a sua “oferta”. Depois de dormir uma noite num hostel barato nas imediações do parque, fui levado até à casa do meu guia e aí conheci os meus companheiros de jornada – dois rapazes austríacos e um rapaz chinês – e preparei uma mochila, com alguma roupa, um saco de cama, uma esteira e alguns mantimentos. A bordo de um barquito de madeira, atravessámos o rio e fomos até ao HQ fazer o controlo mais ridículo que alguma vez vi na vida, uma vez que tivemos de contar quantos plásticos, baterias, etc… cada um de nós possuía antes de entrar na área do parque – o controlo até poderia ter alguma lógica se fosse efetuado na entrada e na saída, mas como estamos na Ásia, obviamente isso não veio a acontecer! :/

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Terminado o “controlo”, seguimos rio acima até chegarmos à zona da canopy, onde a 45 metros do solo pudemos observar a verde e pernaltuda floresta em redor. Finalizado o emocionante passeio nas alturas, voltámos a embarcar e durante duas horas continuámos até Kuala Trenggan, sendo a travessia de tal modo agradável – permitindo-me observar pequenos mamíferos e enormes e exóticas árvores – que senti um imenso prazer a viajar – “como é possível que viajar não seja das melhores coisas/experiências desta vida?” Antes de penetrarmos na selva e começarmos realmente o trekking, parámos para almoçar.

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O trekking levou-nos para o reino da humidade elevadíssima, das sanguessugas, do suor abundante, da lama, dos riachos e das travessias em estreitas pontes, da clorofila, das árvores milenares, das serpentes venenosas, das rochas estranhas e belas, da selva antiga e primitiva de Taman Negara! 😀 Durante a tarde percorremos em ritmo elevado um trilho de oito quilómetros, colina abaixo, colina acima, atravessando cursos de água, saltando por cima de grandes troncos que bloqueavam o caminho, acompanhados de uma chuva intermitente, penetrando cada vez mais profundamente na selva, até chegarmos ao nosso destino, a caverna de Kepayang Besar. Nessa enoooooorme caverna absolutamente deserta, pernoitámos e foi aí que tive uma das noites mais primitivas e memoráveis de toda a viagem – os morcegos, as sombras projetadas nas paredes da caverna, a fogueira, a comida, a partilha durante o serão, o ambiente íntimo e a solidão de estarmos sós naquele pedaço de selva! 😀

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No segundo dia, acordámos bastante cedo e depois de arrumarmos tudo e tomarmos o pequeno-almoço, seguimos até uma pequena caverna, que existia nas imediações para observar centenas de morcegos. 🙂 Durante a manhã a aventura continuou: maissanguessugas, mais leitos de rio – naquela altura sem água, mas lamacentos e escorregadios – partes de selva muito densa, atravessamentos de riachos com a ajuda de cordas e pontes improvisadas, mais humidade e transpiração, já falei das sanguessugas!? 😛 Mais selva! Depois daquela manhã em alta-rotação, a tarde passou-se tranquilamente na companhia de uma tribo onde pudemos observar, casebres de madeira e palha e nativos com características africanas!? – pele escuríssima, cabelo negro e encarapinhado – e fiquei admiradíssimo, pois foi a primeira vez que vi alguém naÁsia com aquelas características físicas. Nas imediações da aldeia, tomei banho num rio completamente lamacento e ao submergir nas suas águas, senti-me estranho, uma vez que não conseguia ver NADA!

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No terceiro e último dia a viagem foi tranquila e serena, pois o regresso a Kuala Tahan foi novamente realizado no barquito de madeira. Já na vila, arrumei as mochilas e depois de um almoço simples apanhei um autocarro praticamente deserto para regressar a Jerantut. Obrigado Taman Negara! Deixaste-me o coração cheio e o corpo com menos uns mililitros de sangue. 😉

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P.S. – Para chegar ao parque nacional de Taman Negara não há um caminho direto e por essa razão a viagem foi feita em alguns passos. A primeira parte da viagem ligou Tanah Rata  ainda nas terras altas – a Jerantut e a mesma foi feita numa mini-van. Na chegada a Jerantut fui deixado na agência de viagens NKS, que parecia ter o monopólio de toda a região e aí aguardei durante algumas horas – durante esse tempo percebi que havia outras alternativas ao barco que acabei por apanhar, o único problema foi que o pacote vendido em todas as agências de viagens nas Terras Altas não oferecia alternativas ao mesmo. :/ Passado esse tempo fiz uma curtíssima viagem – novamente de mini-van – até ao jetty de Kuala Tembelling e aí apanhei um barco que me levou rio acima, durante três horas até Kuala Tahan, uma pequena vila colada à entrada do parque natural. A verdade é que a viagem no rio foi bastante agradável – sol, chuva torrencial, suave neblina na floresta… observei búfalos, macacos e aves e apreciei a paisagem envolvente do rio e da floresta. Deste modo não posso considerar a compra forçada, como grave! A única questão que se levanta, é o mau princípio que esta situação cria e que impossibilita as pessoas de escolherem livremente que tipo de viagem pretendem – barco ou autocarro.

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Chás & Raflésias

Nas Terras Altas do Cameron, na zona central do país, senti uma frescura que poucas vezes sentira até esse momento e quando saí da carrinha parecia que tinha regressado à Europa. 🙂 Durante os dias que estive na região a paisagem revelou-se uma caixinha de surpresas: colinas cobertas de estufas – couves, alfaces, morangos – verdíssimas e lindíssimas plantações de chá, vastas florestas de pinheiros… 😀

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Enquanto aí estive, tive a felicidade de fazer um tour que me levou até ao mundo da enoooooorme e parasítica raflésia – que ao contrário do Bornéu, ainda estava “viçosa”; visitei grandiosas plantações de chá – “o verde das colinas e dos arbustos de chá, associados às constantes alterações do céu, ora chuva, ora sol, ora nuvens… transformaram este lugar numa palete rica de cores. Foi de facto um momento único nesta viagem e uma paisagem diferente de tudo o que vi até aqui!” 😀 – e o seu local de expedição – fábrica da BOH; no monte mais alto da região vi apenas névoa e nevoeiro; e penetrei numa primitiva floresta Mosu  floresta secundária, que se assemelha mais a uma floresta europeia do que tropical – que estava repleta de antigas árvores, com os troncos cobertos de musgo e líquenes e que sob o espesso nevoeiro, propagava um ambiente pesado e misterioso. 🙂

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Em Tanah Rata conheci o caloroso Ivica – croata – e a simpática Maud – holandesa – e na companhia de ambos fiz uma agradável caminhada, num dos muitos trilhos viçosos da região; aprendi um pouco mais sobre a realidade da Malásia e sobre a enorme corrupção existente na classe política do país, quando ouvi a opinião do guia do tour – Bala – e de um grande agente turístico da região – Don – e despedi-me das frescas terras altas com um sorriso nos lábios. 😀

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Crónicas Fotografia

Pulau Penang & Georgetown a Multifacetada

Da verde ilha de Langkawi segui de ferry para a ilha de Penang e na mesma, fiquei hospedado na simpática cidade de Georgetown durante cinco noites.

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Nos dias que estive na ilha visitei a sua praia mais famosa, Batu Feringgi e que se revelou uma grande desilusão – mar acastanhado, areia grossa e amarelada… :/ ; estive nas imediações do parque natural mais pequeno de toda a Malásia; deambulei no maior templo budista do sudeste asiático, Kek Lok Si, onde me diverti imensamente com a fotografia e graças a ela, sentindo uma enorme lucidez para a beleza estética do espaço, principalmente a zona da pagoda; percorri a pé grande parte da cidade de Georgetown e visitei magníficas e antiquíssimas mansões chinesas – Pinang Paranak e Cheong Fatt Tze – mesquitas harmoniosas – Kapitan Keling – ricos e dourados templos chineses – Khoo Kangsi e Teochew – e indianos, antigas construções coloniais deixadas pelos britânicos – o forte de Cornewallis, as igrejas, a torre do relógio, o edifício da câmara municipal… – ruas muito vivas, coloridas e movimentadas. 😀

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Para além disso continuei a escrever no meu caderno, até acabar de o atualizar (“Vamos lá continuar a viver mais experiências para te continuar a deixar desatualizado! E depois ter de voltar a parar um pouco para te atualizar, escrever e dizer o que vi, o que senti, o que penso, o que quero sentir! És o meu contra-ponto ao movimento, tu és o meu porto de abrigo! Obrigado, por existires”); relaxei no pequeno e tradicional café de bairro de Sin Guat Keng; continuei a deambular pelas ruas da cidade; comi a deliciosa e viciante comida que se consegue encontrar espalhada por toda a cidade – a comida em Georgetown é tão famosa que Malaios de outros pontos do país, visitam a cidade apenas para fazer um roteiro gastronómico! 😀 ; e conheci Luke, um carpinteiro australiano que estava a acabar de construir uma “catedral” em Pulau Tanahmasa  nas imediações da ilha de Sumatra na Indonésia  com as próprias mãos. “Catedral” essa que servirá de casa e de meio de subsistência para o futuro (pequeno resort de surf) e que no final da nossa conversa, me convidou a visitá-lo. Merci Luke! 😉

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Crónicas Fotografia

Pulau Langkawi. As Americanas e a Escrita

Como a ilha de Perhentian Kecil estava em avançado estado de encerramento, acelerei a minha partida para a ilha de Langkawi na costa oeste da Malásia, na companhia de duas raparigas americanas (Wendy e Rachel). Devido à pouca oferta de transportes entre Kuala Besut e Kuala Perlis, estivemos um dia inteiro atascados em Kota Bharu e apenas conseguimos fazer a ligação entre estas cidades, já de noite.

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De qualquer modo e após uma confortável viagem de autocarro que durou nove horas, estávamos num ferry a caminho da maior cidade de Langkawi, Kuah, onde tivemos de apanhar um táxi para chegarmos à praia mais famosa da ilha, Pantai Cenang.

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Antes de procurarmos poiso, fomos ver a praia e a mesma revelou-se, um exteeeeeeeeeeeenso areal de areia muito branca e fina. Apesar desta ser bastante turística, não havia demasiada gente e decidimos ficar uns dias. 🙂

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Durante os dias que estive em Langkawi, aproveitei para escrever bastante. Quando estava na praia escrevia no caderno, quando estava no quarto e nos tempos mortos criava textos para o blog. Para além disso apanhei banhos de sol, tive serões agradáveis com as Americanas e no último dia em que estivemos juntos, visitámos o topo da montanha mais alta da ilha, Mat Cincang. Do alto vimos quão verde era a ilha; avistámos bonitas baías, enseadas e uma grande quantidade de ilhas em nosso redor; observámos uma cascata gigante – Temurun – e na despedida daqueles dias solarengos e tranquilos, tirámos um retrato. Goodbye Girls! Safe Travels! 🙂

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Citações Reflexões

O Viajante Volta Já

Não é verdade. A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmos estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia  que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que lá não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos no lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.

Saramago in, Viagem a Portugal

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Crónicas Fotografia Reflexões

O Globo de Perhentian

Na altura que cheguei a Perhentian Kecil o fim de temporada estava ao virar da esquina. Desse modo, encontrei a ilha em processo bastante rápido de encerramento, com a maioria dos restaurantes, escolas de mergulho e até alojamentos fechados. Porém e devido a tal facto, a quantidade de mochileiros era muito mais reduzida e a verdade é que durante o dia e nalgumas pequenas festas de praia acabou por gerar-se um ambiente mais íntimo e familiar. 🙂

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Nesses cinco dias, conheci pessoas de diferentes nacionalidades – alemães, britânicos, americanos… – acabando por criar uma rotina de deliciosos jantares de BBQ, muita conversa e alguma festa; ainda fui a tempo de fazer um mergulho nas águas azuis e cristalinas da ilha; torrei ao sol naquela bonita praia de areia branca; escrevi no caderno e publiquei alguns textos no blog. 🙂

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O único momento que ensombrou aquele simpático lugar, foi quando levei dois chapadões de um nativo que meteu na cabeça que eu lhe tinha roubado uma lata de cerveja, mas felizmente para mim, fiquei tão aparvalhado com o episódio que nem sequer tive reação para ripostar. Pois acredito que se o tivesse feito, tinha sido “comido” instantaneamente por aqueles autóctones… :/

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Na ilha Perhentian o tempo congelou e durante o tempo que lá estive vivi quase sempre no globo de cristal de Charles Forest Kane, um tempo sereno e tranquilo… isolado do “mundo exterior”. 😀

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P.S. – Na Ásia, as pessoas são na maioria das vezes extremanente afáveis e serenas, porém e se há alguma ação que lhe “manche” a honra, elas ficam totalmente em polvorosa e agressivas. :/ E depois deste episódio, a noção que me deu, é que neste continente a vida de uma pessoa pode valer menos que uma lata de cerveja. 😦

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Crónica de um Regresso

Como medir dezasseis meses fora do nosso país? No regresso nada e tudo mudou. Nós, os outros, os demais… As casas estão iguais, os cheiros e as conversas imutáveis, até o aspeto da maioria das pessoas pouco se alterou… mas e nós? Podem dizer-nos que estamos mais magros e a nossa pele mais escura… mas será que isso é o fundamental? 🙂

A 21 de Fevereiro de 2013, escrevi no primeiro dos meus cadernos que me acompanharam durante toda a viagem asiática: “ (…) cheguei a Pequim, que o meu sonho se transforme finalmente em realidade! Agora é tempo de agarrar a mesma, com toda a força do meu ser e neste período, que dure o que durar, eu o veja e sinta sempre como um período de aprendizagem e de enriquecimento pessoal e que saia da viagem: mais humano e mais completo; com uma ânsia de viver e de conhecer continuamente renovada; e com o meu caminho de vida pessoal mais clarificado ou iluminado, tal como um bodhisattva.”

Passado este tempo e relendo um dos últimos parágrafos do separador “Sobre” no meu blog, não posso deixar de sorrir… 😀 Fiquei a milhas de chegar a Istambul na Turquia e tão pouco me aproximei do estado de iluminação. Não sou Buda, não sou Jesus, nem tão pouco Alá e não pretendo ser nenhuma destas pessoas… Sou humano, tenho ossos e músculos, carne e sangue, tenho a mesma luz e sombra, a mesma destruição e criação, que todos temos dentro de nós e a minha vida é tão mais interessante e desafiante desse modo.

Ontem dia 21 de Junho de 2014, quase a aterrar escrevi: “(…) quase, quase a chegar a Lisboa posso afirmar que estou contente… sinto-me feliz por regressar e vou tentar aproveitar ao máximo estes primeiros tempos no meio da minha família e dos meus amigos que me amam. Vou continuar a escrever e a viajar na minha vida. Ambas fazem parte da minha essência e não me tenciono negar mais a mim mesmo. Acredita em ti miúdo! Não hesites! Não desistas do teu sonho de viajar! A jornada é demasiado bela para parar e o vento uma força demasiado poderosa para ser travada! O mundo é um local belo! Que merecer ser visto e revisto, e eu faço parte dele e ele parte de mim! Hoje no regresso ao meu país que me criou como homem e cidadão do mundo, faço votos de casamento com o Mundo! Não me abandones! Que eu ser-te-ei fiel.”

P.S. – No aeroporto e depois de uma espera interminável pela bagagem (que cheguei a pensar que se tinha extraviado) reencontrei a minha mãe, a minha irmã, uma prima e um dos meus melhores amigos e depois de os abraçar e beijar e de um pequeno compasso de espera partimos para a minha cidade natal. Aí e na casa de uma das minhas avós… recebi o maior presente de todos! 😀 Grande parte da minha família e dos meus amigos organizaram-me uma festa surpresa! 😀 Saí do carro aparvalhado e mega FELIZ e com eles partilhei as minhas primeiras horas em solo luso. A todos eles e a todos vós, MUITO OBRIGADO, por fazerem parte da minha vida e por me deixarem fazer parte da vossa. É um privilégio e uma honra! E eu sei que sou uma pessoa com sorte… 😀

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Back to KL. Couchsurfing e Viagem ao Mundo do Islão

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Nesta segunda visita a Kuala Lumpur, tive a minha primeira experiência de couchsurfing e fiquei alojado na zona de Bangsar, num “palácio” com vista para a cidade, condomínio privado e com acesso a uma piscina! Sortudo!? Naaaaaaa… 😛 o meu anfitreão, Raul trabalha numa equipa de criativos de marketing e durante os dias que estive em sua casa revelou-se bastante amistoso, mas ao mesmo tempo muito ocupado. Desse modo, um dos melhores momentos que tivemos juntos foi quando visitei o seu escritório e aí tive a oportunidade de observar a cidade do alto e de ver como uma decoração colorida, engraçada e leve ajuda a promover um ambiente inspirador e criativo. 🙂

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Em três dias, visitei as Batu Caves (conjunto de templo hindus que ficam no interior de uma grande caverna); a Mesquita Nacional, onde conheci um rapaz sírio (de olhos azuis e pele branca!) com que fiquei a conversar sobre a religião islâmica (“Sabes porque Deus nos fez  todos diferente? Para aprendermos uns com os outros!” 😀 ); o bonito e interessante Museu Islâmico e o entediante Museu Nacional, que a única parte interessante que teve foi quando aprendi um pouco sobre Malaca e a sua conquista por nós portugueses, a 24 de Agosto de 1511. 🙂

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Para além das visitas que fiz e das conversas que tive, escrevi alguns textos para o blog, atualizei o caderno e apanhei um bus noturno para Kuala Besut, a cidade onde iria apanhar o barco para as ilhas de Perhentian, meu próximo destino.

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