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Pedalando em Pingyao

Ato III – Regresso a Pingyao

Depois da visita ao templo, chegou a hora de regressar à cidade e desta vez não houve cá odisseias. Apenas um pedalar relaxado e um caminho pacífico até ao portão Este e ao meu restaurante de eleição. 🙂 Findado o repasto, resolvi deslocar-me ao longo do perímetro exterior da muralha e assim conhecer as diferentes facetas da mesma. Montei a minha “bicla” e passeei calmamente a olhar o espaço envolvente sentindo-me bem… feliz. 😀

No perímetro exteriorAtualmente esta zona ainda está em obras de requalificação existindo terra, pó, areia e algumas barreiras físicas de vez em quando, sendo necessário fazer o ritual: desmontar da bicicleta, passar a bicicleta e depois a nós próprios, mas este facto não impede ou retira interesse a este belo passeio. Antes de devolver e despedir-me da minha “querida” ainda pedalei sem destino por zonas tranquilas da “cidade velha”, sendo a minha despedida de Pingyao abençoada pelo signo da serenidade. 😉

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Pedalando em Pingyao

Ato II – O Templo

Em oposição aos exteriores desmaiados do templo, neste caso, seria no interior que residia o seu valor maior. O bilhete não foi propriamente barato (40Y), mas eu queria realmente entrar. Tendo em conta que este espaço (Shuanglin) foi construído há 1500 anos, e que no seu interior estão albergadas mais de 2000 estátuas Budistas em terracota e madeira (dinastias Song, Yuan, Ming e Qing), grande parte delas pintadas, com as cores delicadas originais preservadas e ainda vivas, até um leigo como eu em cultura chinesa percebe que está na presença de algo muito raro. 😀

Buda (4)         Buda

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Pedalando em Pingyao

Ao terceiro e último dia na cidade resolvi alugar uma verdadeira “bomba chinesa” com direito a cestinho e tudo. 😉

Me and my RideAto I – Odisseia até ao Templo de Shuanglin

Sai da cidade muralhada pronto a enfrentar o trânsito meio-louco da parte nova da cidade: motas, motoretas, bicicletas, carros e camiões. Porém quando digo enfrentar, quero dizer, seguir o meu caminho com cuidados redobrados e tentar manter as distâncias ao máximo para não levar com nenhum bólide “em cima”.

Chegar ao templo de Shuanglin foi uma verdadeira odisseia e se em condições normais o templo dista a sete quilómetros da cidade (apenas tinha umas vagas luzes sobre a direção e distância), eu devo ter conseguido (arredondando as contas quilométricas por alto) percorrer mais do dobro. 😛 Pior que a inexistência de indicações!! Foi a falsa informação providenciada por uma placa de trânsito, sendo necessária muita resilência e abegnação para não desistir a meio do caminho, pois até as tentativas de esclarecimento dadas pelas pessoas, eram imprecisas e vagas.

Perdido e na companhia da minha “bicla”, numa rotunda encontrei finalmente um menino que me escreveu os caracteres do local. Sim! Novamente um papel a salvar o dia. 🙂 Munido do papel lá consegui comunicar com duas pessoas que me confirmaram que estava no  rumo certo e levei o meu propósito a bom porto, concluindo a odisseia ao atingir os  muros do templo que desejava conhecer. 😀

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Crónicas Fotografia

Percorrendo a Muralha

No segundo dia em Pingyao, decidi percorrer todo o perímetro da muralha, qualquer coisa como seis quilómetros. No portão Norte subi as escadas de acesso, comecei a “deliciar-me” com as panorâmicas, tanto interiores (“cidade velha”) como exteriores, fui andando com “dranquilidade” e aproveitei para tirar umas fotografias.

          

          

Quando cheguei ao portão Sul comecei a ver uns cartazes (claro que incompreensíveis para mim) mas segui adiante até dar de caras com…uma vedação! Aí confirmei o motivo de tanta algazarra sinalética, uma vez que na China, quando se vê tal “fenómeno” geralmente não é bom pronúncio. 😛 A muralha a partir daquele ponto estava fechada. Desci até ao nível do solo, mas estava insatisfeito. Apenas tinha percorrido meio caminho, queria mais.

           

Decidi por isso continuar o percurso o mais colado à fortificação que conseguisse até dar a volta completa, mas houve uma ou duas zonas em que tal foi impossível, devido a obras de requalificação. Nesta segunda meia volta, e agora ao nível da base, vi bairros menos clean e mais autênticos e a partir desse momento baptizei Pingyao como “A Cidade das Texturas”.  Aqui as paredes das casas estão cheias de profundidade, o que dá às ruas um aspecto verdadeiro e não “mumificado”. Aqui junto à muralha, cheira a real, não cheira a turístico, e os habitantes dão a vida necessária ao quadro. Aqui, “A Cidade das Texturas” revela-se, ao contrário de outras paragens que não são mais que naturezas mortas.

Pôr-do-Sol

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Crónicas Reflexões

Características enquanto Povo

Quando os chineses nos enganam e se forem “encostados à parede”, não existe tendência para a mentira ou para o confronto.


Quando paguei o bilhete turístico global, entreguei 200Y mas como estava distraído, não me apercebi que a senhora não me deu o troco (50Y). Quase no final da visita ao templo de Confúcio, comecei a remexer na carteira e dei conta que me faltava o dinheiro. Nesse momento, pensei que mesmo que ficasse sem ele (e nesta situação as percentagens estavam claramente contra mim), pelo menos a senhora da bilheteira ia perceber que eu sabia que ela me tinha enganado e que fora desonesta. Qual não foi o meu espanto, quando ao bater ao vidro e lhe mostrar o bilhete ela automaticamente abriu uma gaveta e tirou de lá o troco, abriu a janela e entregou-mo sem dizer uma palavra.

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Primeiro Dia em Pingyao

Que cidade é esta? Pelas descrições que fui lendo, Pingyao é possivelmente a cidade muralhada mais bem preservada do país, está classificada como Património Mundial pela UNESCO e localiza-se na província de Shānxī, a 800 km de Pequim e aproximadamente a 500 km de Xi´an. Esta foi a parte teórica, agora vamos à prática.

À chegada e quando o relógio marcava as 7.30, fui recebido por um frio de rachar. Sem mapa para me orientar e com umas indicações manhosas (providenciadas pela internet), aproveitei a “boleia” de um rebanho de franceses que iam na mesma direção e após dois dedos de conversa percebi que se deslocavam para o meu hostel. Ora cá está: o Zé tuga volta a ter sorte! 🙂 Depois de uma deambulação de quinze/vinte minutos lá o encontrámos. Depois de efectuado o check-in e de ter largado a bagagem na minha “suite” (onde ninguém dormiria naquela noite a não ser eu) parti à descoberta da cidade.

       

Ao percorrer as ruelas do burgo a caminho da residência da família Jin, fico com a sensação de ter recuado até aos tempos da China Imperial, com as suas casas com paredes de tijolo ou terra, caminhos cobertos de pó, pequenas lojas de ofícios e uma atmosfera silenciosa. 😀 Após a visita, dirigi-me ao magnífico Templo de Confúcio e na entrada, comprei um bilhete global, válido por três dias e com o qual se pode entrar em quase todos os locais turísticos. Segui junto à muralha até à zona do Portão Este e nas proximidades vi uma igreja católica e o Templo de Cheng Huang, outro local extasiante.

      

Só ao percorrer a Rua Sul é que comecei a perceber quão turística Pingyao pode ser: inúmeras lojas de quinquilharia barata a fazer-se passar por antiguidades; restaurantes com preços altamente inflacionados; hotéis; cafés e bares com “boa-pinta”. Nesta rua, visitei a torre do mercado onde acabei por ter uma visão mais panorâmica da cidade e algumas das inúmeras casas museu com os seus pátios espectaculares. Na Rua Este, continuei a visita às casas museu e nas imediações da muralha visitei o Templo de Qing Xu, que segundo as indicações na entrada é o único templo taoísta do mundo aberto ao público e onde vi a minha primeira partida de Xiang Qi (xadrez chinês).

Torre do Mercado      

Já no fim da tarde e após ser brindado com o laranja intenso do pôr-do-sol, havia que terminar o dia, e para terminar em beleza, nada como terminá-lo à mesa. O problema, vá, o ligeiro problema, é que o prato que me saiu em sorte no “jogo da roleta russa” foi de comer pouco e chorar muito…Era picante, picante, picante! O repasto consistia em rins de porco e couves que boiavam num líquido cor de sangue acompanhados por um mar de malaguetas vermelhas e de grãos de pimenta preta. Um espectáculo estrondoso, que tornou o primeiro dia em Pingyao num dia de extremos e me fez passar do gelo da manhã, para o intenso fogo da noite. 😛

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Pequim- Pingyao. Escola em Movimento

O meu primeiro comboio noturno foi uma autêntica sala de aulas em diversos aspetos. Primeiro que tudo aprendi a ler um bilhete de comboio na China. Seguidamente, e de muito mais importância, foi a autêntica aula prática em que participei ao falar com um rapaz chinês, na qual comecei a tentar perceber melhor o país em que me irei mover:

– Lições sobre Economia real (salário bruto 4000Y – salário líquido 3300Y; Valores mensais para o aluguer de casas, algures entre 1500-2000Y);

– Lições sobre Sociedade e Trabalho (“Existem leis criadas pelo governo relativamente ao descanso dos trabalhadores –  dois dias por semana, mas as empresas não cumprem a lei e o governo não quer saber”“Se num mês descansar dois ou três dias já é uma sorte“; “No primeiro ano, ninguém ousa falar de férias ao patrão” “O mercado Chinês é extremamente competitivo! Não queres? Salta! Há  quem queira”);

– Lições sobre China clássica e Medicina (Os 5 elementos: Ouro – Água – Madeira –Fogo – Solo relacionam-se com a medicina tradicional chinesa que é uma Medicina de prevenção).

Para além disso experienciei (refira-se que com bastante prazer), escrever à luz do PC. A ilusão “absoluta” do movimento relativo (o meu comboio estava parado e ao ver o outro comboio a mover-se, tive a sensação que me estava a mover) lembrou-me uma citação de Theroux sobre de como os movimentos dos comboios ajudaram a criar o Jazz e, adormeci embalado pelo Tum, Tum…Tum, Tum.

No dia seguinte bem cedo percebi o seguinte: os comboios noturnos têm um método para os passageiros saírem nas estações certas (acho que tal facto ocorre para evitar borlas e não por “samaritanismo”), que consiste em fazer as pessoas entregar o bilhete no início da viagem (ficamos com um cartão magnético) e na devolução do mesmo por um funcionário quando estamos a passar na estação de destino. Para um leigo, como eu que não percebe nada de chinês isto é espectacular! 😉

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A Primeira Estação de Comboios e o Primeiro Impacto

No último dia em Pequim o comboio estava marcado para as 18.55, mas fruto de não ter a certeza de onde ia partir (comprei o bilhete na estação Este, mas no bilhete estava marcado apenas Pequim) resolvi ir muito cedo para a estação (16.30). Se algo corresse mal ainda tinha uma margem para emendar o erro cometido.

EsperasNa minha primeira estação de comboios, o que mais me impressionou para além dos caracteres incompreensíveis no enorme painel electrónico exterior, foi a monumentalidade da mesma e as salas de espera onde só via pessoas sentadas no chão ou em cima das bagagens, uma vez que não havia lugares sentados para todas elas.

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Metro Pequim

O metro de Pequim é rápido, limpo e quase 100% eficiente. Mas existem dois factos curiosos que despertaram a minha atenção:

1) O metro é de tal modo eficiente e seguro (porta dupla – carruagens e estações) que impede as pessoas de se poderem suicidar, o que é sempre triste, afinal quando há atrasos qual é a desculpa que os utilizadores do metropolitano podem dar, aos patrões? 😛

2) Quando voltei a entrar na estação de metro e depois de ter passado pela zona Olímpica tentei entrar com o bilhete previamente comprado na estação do Palácio de Verão e qual foi o resultado? A porta não abria. Dirigi-me a uma zona de compra de bilhetes e de lá grunhiram que o bilhete não funcionava porque estes só podem ser utilizados no dia e na estação onde foram comprados. Dia, ok! Mas estação? Com esta lógica fenomenal, uma pessoa nunca pode comprar bilhetes com antecedência e tem de perder sempre tempo a comprar o bilhete na estação donde vai partir. 😛

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Libertem o Animal que há em Vós, na Zona Olímpica

Depois da longa visita ao Palácio de Verão, resolvi passar pela Zona Olímpica de Pequim e percorrer as imediações do Estádio e do “Cubo”. Porém e enquanto o fazia, o meu animal adormecido começou a despertar e quando dei por mim já rugia em frente ao estádio com a boca e com as narinas bem abertas. Enfim como diria o adorado boneco da TMN: “Deita cá para fora”, afinal de contas o que será o dia sem uma pitada de loucura e divertimento? 😉

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