Depois da longa visita ao Palácio de Verão, resolvi passar pela Zona Olímpica de Pequim e percorrer as imediações do Estádio e do “Cubo”. Porém e enquanto o fazia, o meu animal adormecido começou a despertar e quando dei por mim já rugia em frente ao estádio com a boca e com as narinas bem abertas. Enfim como diria o adorado boneco da TMN: “Deita cá para fora”, afinal de contas o que será o dia sem uma pitada de loucura e divertimento? 😉
Mês: Junho 2013
Palácio de Verão, essa Maravilha
Depois do dia anterior ter sido hiper turístico, nada melhor que manter o ritmo. Assim e aproveitando o dia solarengo, os meus passos dirigiram-se ao metro que por sua vez me transportou até às imediações do Palácio de Verão.
Em Pequim e excluindo a Muralha da China, este foi o local que mais prazer me deu a visitar. E porquê? Bem primeiro de tudo é um local magnífico e maravilhoso, o enorme lago a verde floresta. Segundo, o seu interior está cheio de locais verdadeiramente singulares – por exemplo, a Torre da Fragrância de Buda com a sua espectacular e imponente escadaria. Terceiro, o binómio: ponte/lago gelado. Quarto, comer sentado na escadaria nas proximidades da entrada Norte. Quinto, o dia super alegre e solarengo. Sexto… Sétimo… Enésimo… podia continuar, mas penso que já perceberam a ideia geral! 😉
Garrafa de Água à Chinesa
O dia começou com a minha primeira incursão mais complexa no mundo do chinês. E qual o objetivo? Muito simples, comprar uma simples garrafa de litro e meio e não ser enganado no preço (que já sabia previamente ser 3Y). Deste modo:
– “Ni hao. Duoshao qian?” (Olá. Quanto custa?)
-“San” (três)
Acenei que sim com a cabeça, paguei e disse:
– “Adeus” (Zaijian)
No final e muito mais importante que a garrafa de água, o que obtive foi o prazer psicológico de não ser enganado e de pelo menos ter conseguido encadear três palavras e meia de chinês. 😛
E ao Sexto dia? O Turista volta à Vida!
Prólogo
Sexto dia na cidade e “finalmente” vamos ter um dia totalmente turístico! Ena ena, já era sem tempo! O meu alter-ego já estava a ficar stressado com tanta descontração e relaxamento, pobrezito. 😉 Neste dia os pratos fortes foram a Cidade Proibida, as Torres do Sino e do Tambor e o Templo de Lama, ah! E finalmente consegui acordar cedo! Uh uh! (este “grito“ é em honra das “Huhu girls”). 😀
Matrioskas em Pequim
A caminho da Cidade Proibida, ainda dava para observar vestígios da neve caída no dia anterior e ao penetrar no seu interior já havia hordas de turistas prontas para a pilhagem e para a violação. Bem! É melhor conter-me na linguagem, afinal eu próprio sou turista e convém adjectivar-me de um modo mais amigável e simpático. Adiante. O início não me foi de fácil digestão, mas assim que comecei a circular, comecei a divertir-me a observar os meus “band of brothers” e as suas ações militares. Um dos melhores momentos foi sem dúvida à frente à sala do trono, quando cada uma das almas que compunha a turba queria tirar à força o seu momento KODAK. Impagável! 😛
No meio de nós turistas, volta e meia via-se um dos soldadinhos de chumbo, mas desta vez e ao contrário da praça de Tianmen, não marchavam. Não! Tinham de estar impávidos e serenos e aguardar que os Filhos do Céu não fizessem desabar sobre eles (e já agora sobre nós) nenhuma tormenta. À medida que deambulava pelo espaço e entrava dentro de pátios, dentro de pátios, dentro de pátios… tinha a sensação que a Cidade Proibida se tinha transformado numa Matrioska gigante onde no final as pequenas e graciosas bonecas russas foram substituídas pelos graciosos e convidativos pátios chineses.
…
P.S. – Lamento, mas a experiência foi tão “maravilhosa”! Que só consigo exprimir o que senti com reticências.
Pequim, versão Tibetana
O meu primeiro templo na cidade e no país, teve ironicamente um cheirinho a Tibete e ao país que está marcado no mapa como sendo uma das maiores províncias da China, mas passando as questões políticas para segundo plano, vamos falar sobre o que se viu.
E o que se viu? Um magnífico conjunto de templos, com as tradicionais bandeiras tibetanas espalhadas pelo complexo, monges vestidos de laranja e de grená, estátuas lindíssimas, cheiros profundos a incenso e a fumo, preces, orações e oferendas e um ambiente místico, profundo e exótico que atraiu a atenção do virgem ocidental e o deixou com água na boca para os tempos futuros. 😀
Durante a tarde desloquei-me à estação Este de comboios de Pequim para comprar o meu bilhete para Pingyao, apesar de apenas ter a viagem daí a três dias. A questão é que na China o comboio é o meio de transporte mais popular para percorrer distâncias longas (havendo por isso, o sério risco de venda total de bilhetes, principalmente para as “camas rijas” – ying wo) e como por dia há apenas um comboio que passa por este local, comprei o bilhete com esta antecedência.
Na fila, aguardava ansioso pela minha vez. Afinal era a primeira vez que ia comprar um bilhete para mudar de cidade e já sabia – fruto da experiência dos dias anteriores – que o forte dos chineses não era o inglês. Esperava por isso, problemas de comunicação! Chegou a minha vez e munido do meu papel com caracteres que indicavam PingYao e com a data para a qual pretendia o bilhete, e com umas fotocópias do Guia da Lonely Planet, lá pronuncie as palavras mágicas: “Mai Piao” (comprar bilhete) e mostrei o papel. A rapariga pronunciou sons incompreensíveis e eu mostrei as fotocópias com a parte que dizia “camas rijas” – Ying Wo, passando uns momentos – uns segundos valentes ou mais – percebi que ela me estava a pedir o Passaporte e finalizámos o processo com a entrega do dinheiro, apesar de eu entregar umas notas sem perceber bem o preço do bilhete.
Todo o processo de compra do bilhete demorou uns cinco minutos, mas a verdade é que no final estava super orgulhoso por ter conseguido comprar sozinho, sem intermediários e taxas extra por serviços prestados (como o hostel cobrava), o meu primeiro bilhete nas terras do Império do Meio.
P.S. – E se quero viajar neste país pelo período longo que espero conseguir, é melhor começar já a habituar-me às questões de logística.
Mercado de Rua
Wangfujin
Pequim Pintada de Branco
Depois do dia anterior ter acabado tardíssimo, fruto da conversa e apesar de todo o calor da partilha, Pequim não se compadeceu e acordou cinzenta, gelada… e pintada de branco! É verdade! Neve em Pequim, não é um acontecimento assim tão tão comum, uma vez que apesar das temperaturas no Inverno serem bastante baixas a precipitação é muito pouco frequente.
Assim no meu quinto dia na cidade, recebi mais uma prenda e tive a oportunidade de ver a cidade a mostrar-me mais uma das suas múltiplas facetas, a faceta pura e límpida da neve – pelo menos durante algumas horas – até esta começar a derreter-se no solo cru da cidade Imperial.
O dia do Festival do Kabum ou da Lanterna se preferirem terminou em beleza numa conversa monumental sobre política, religião, dinheiro, economia, sociedade, etc. A dada altura o português diz-lhes: “ Não sou religioso, mas tento ser o melhor possível”, ao que Ryan responde: “ So, you are a Goodeist”. O português sorri, ora aí esta uma boa religião! Fazer o bem. O mundo não seria melhor se o “Goodeísmo” fosse a religião Universal? Talvez… 😀
Talvez a utopia não seja assim tão utópica, quando pessoas de três continentes distintos se sentam à mesa e no final tudo se resume ao ser humano na sua essência mais pura: ao seu sangue, aos seus ossos, músculos e vísceras, ao seu pensamento e à sua natureza na forma mais cristalina.
Quando sai do Templo do Céu os meus pés tomaram a direção de Qianmen. Porém, ao passar por uma rua pedestre, reparei que o chão estava coberto de papéis vermelhos e cartuchos e lembrei-me que era dia do Festival da Lanterna, um dia de celebração.
Continuei a deambular e durante o trajeto optei por enveredar por uns hutongs, afinal, se ainda existe China tradicional em Pequim é dentro destes labirintos de ruelas, que ela se mantém viva. Ruela para a esquerda, ruela para a direita, quando cheguei a uma avenida à Pequinesa (larga e extensa até perder de vista) decidi consultar o mapa e a bússola. Porém… o rapaz acha que a bússola está equivocada! E se a bússola aponta o Norte numa direcção, o rapaz, olhando em volta, dirige-se para Sul convicto que está a ir para Norte. Moral da história?! Em vez de andar quinze minutos na direção certa, perde meia hora por casmurrice e aprende uma regra de ouro (coisa de senso comum, mas o rapaz precisa de exemplos práticos): “Não sei mais do que a bússola”. 😛
Chegado a Qianmen, multidões e lanternas estavam em simbiose. Se por um lado, pessoas circulavam em todas as direcções, por outro, milhares de lanternas vermelhas estavam espalhadas por todo o espaço e em cada recanto. As ruas eram um espectáculo frenético de movimento e cor. Quando a noite caiu, estando já nas imediações do hostel, fui então assaltado pela dúvida. Estaria realmente no dia do Festival da Lanterna? De um momento para o outro, só se viam foguetes a brilhar e a soltar faíscas, cartuchos de bombinhas (umas maiorzinhas) a estalar por todo o lado, enchendo as ruas dum barulho ensurdecedor e dum fumo espesso que subia pelas ruelas e vielas e me fez equacionar que este dia deveria ser rebatizado para Festival do Kabum. 😀





























