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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Ato II – O Caos e a Ordem

A resposta às minhas dúvidas, foi-me dada na bilheteira no momento da compra dos ingressos tanto para o parque natural, como para os autocarros que aí circulam, quando comprei o bilhete para o segundo dia por “um valor simbólico”. Os dados estavam lançados! Esperava assim que o parque fosse a minha redenção. Porque no Inferno, já eu estava. Sim! A bilheteira também estava um pandemónio! :/ 

    Na saída do Bus    

Tendo um bilhete de autocarro na mão e dois bilhetes para o parque delinei um plano que me satisfez. No primeiro dia decidi aproveitar o transporte ao máximo para conseguir ver as áreas mais afastadas da entrada do parque e no segundo dia circularia provavelmente sem bilhete de autocarro ou a pé. Assim, e sem perceber uma palavrinha de chinês dirigi-me para a paragem inicial de autocarro com a esperança que fosse na direção certa do “Y”. Ao entrar fiquei contente, porque verifiquei que ninguém controlava os bilhetes (cá está! Assumem-no como um dado adquirido) e daqui até à última paragem demorámos pelo menos quarenta minutos passando de fugida por alguns locais que prometiam!  🙂
       Cascata     Na Floresta

Quando sai na última paragem, estava rodeado de hordas de turistas e cada vez que vinha um autocarro via o seu número a aumentar, a aumentar. “Oh diabo! Mas isto vai ser sempre assim?” :/ Comecei a andar no meio da multidão muito pouco satisfeito com o panorama geral até que… dei de caras com o primeiro lago, um lago de águas azuis translúcidas. “Epá. Isto é bonito!” 🙂 Passados uns momentos quis começar a percorrer algum dos trilhos que ligavam os lagos e cascatas sucessivos, porém fruto de ser época de incêndios quase todos os caminhos estavam fechados! :/ A única solução era ir apanhando os famosos autocarros entupidos de pessoas e ir saindo “nos pontos de interesse. Quando se aí chegava era ver o ver todo o “circo montado” na hora de tirar fotografias, as poses, trajes “tradicionais” para alugar e toda a parafernália existente… Esta foi a descrição do caos. Porém…

        

beleza natural ofusca qualquer um dos detalhes anteriormente referidos, e se em condições normais bastaria apenas um deles para o parque ser considerado penoso ou insuportável, esqueçam! Não estamos em condições normais! Estamos em Jiuzhaigoulocal onde a terra das fadas e da fantasia desceram à terra e onde a beleza natural é tão intensa que passados uns momentos esquecemos todos os problemas. Entramos em estado ZEN e só temos olhos para a Natureza no seu máximo esplendor: cascatas, árvores, cursos de água, aldeias tibetanas (vocacionadas para o turismo de massas é certo), montanhas e lagos… muitos lagos de vários tons de azuis e verdes, cada qual com a sua beleza particular, mas que deixam bem gravada na memória a sua presença. 😀 Fora de série é também o facto de mesmo no final do dia continuarmo-nos a maravilhar, a cada passo, a cada olhar. Comovente! A ordem desceu à terra e eu tive a minha redenção! 😀

Delicadeza

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Aparte

Antes de continuar a relatar os factos, vou apenas fazer um duplo aparte. Para se entender a importância que Jiuzhaigou tem na China e no turismo do país é melhor começar por explicar a realidade. Assim sendo, vamos começar pela economia. O parque cobra em época baixa 80Y de entrada, 80Y para os autocarros e para além disso permite a compra de um bilhete para um segundo dia por um valor simbólico de 20Y. Em época alta, a realidade muda radicalmente. O bilhete de entrada passa a custar 220Y! O custo dos autocarros mantem-se inalterado e deixa de ser possível comprar um bilhete para um segundo dia por um valor simbólico. Resumindo, o parque natural de Jiuzhaigou é de tal modo famoso, que se dá ao luxo de cobrar qualquer coisa como 40€ por dia em época alta! :/

Outro luxo a que Jiuzhaigou se dá é o da imposição! :/ O parque tem a forma de um “Y”, é vastíssimo e da entrada até aos extremos distam qualquer coisa como cinquenta quilómetros! Como ninguém está autorizado a dormir no interior do parque, exceto as populações locais que vivem nas aldeias existentes no seu interior, o staff assume que o turista quer visitar toda a extensão do parque, e como tal, o autocarro mais do que fundamental, torna-se uma obrigação! Desse modo, comprar “apenas” o bilhete de entrada pelo menos para o primeiro dia é algo muito difícil de conseguir.

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Ato I – Estado de espírito? Zero absoluto! 

Apesar da epifania da viagem, quando cheguei ao hostel e seguidamente à vila perdi imediatamente toda essa vontade. O hostel era uma espelunca com quartos na cave, sem janelas, gelados, a cheirar a humidade e com os beliches quase a desfazerem-se. 😦 Para além disso, a casa de banho ao fundo do corredor estava constantemente inundada fruto da escorrência de água pelas paredes. Só faltava mesmo o verdete, porque bolor esse havia em abudância! 😛

A vila por sua vez, era um agregado de casas soturnas ao longo da estrada, com restaurantes de lixo mas com preços de luxo, algumas pousadas e hotéis baratos, mercearias decrépitas que também vendiam quinquilharia turística. Tudo isto enquadrado num vale de árvores altas e verdes escuras e num céu pardacento que também não ajudou a melhorar a minha disposição geral. De qualquer modo e após uma viagem tão longa e cansativa também não me apetecia fazer o que a maior parte das pessoas faz: a visita num dia e no dia seguinte partir para Songpan ou voltar a Chengdu… e com esta realidade na mente fui-me deitar na minha masmorra e esperar por uma aurora redentora.

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Em trânsito: Chengdu – Jiuzhaigou. Porreiro Pá!

Durante a viagem comprovei o meu novo “super-poder” 😛 , a habilidade para escrever em andamento. Desse modo, aproveitei para pôr o diário em dia, apesar de pouco me servir visto que os apontamentos escritos desta viagem ficaram perdidos algures na China, sendo que, neste momento escrevo o que a memória me permite.

IMG_3101 (FILEminimizer)Os primeiros duzentos quilómetros foram bastante rápidos (duas horas), mas os restantes duzentos e trinta já levaram seis horas a percorrer! A partir de certo momento começámos a entrar em vales e montanhas, cruzámos incontáveis túneis (alguns dos quais longuíssimos) e aldeias com características tibetanas (mas sempre com a bandeira chinesa bem hasteada). Passámos numa ponte de tirantes em que os pilares estavam pintados e ornamentados com cores vivas e símbolos tradicionais e tive o meu primeiro controlo de passaporte no país. As últimas duas horas da viagem foram as mais duras, curvas e contra curvas fechadíssimas em descida e tive uma epifania para ficar uns dias em Jiuzhaigou a relaxar. A viagem acabou de forma abrupta quando sai à pressa e de forma atabalhoada do autocarro após o motorista estancar o bólide e me apontar a saída. Só passados uns momentos notei que possivelmente e durante o controlo de passaporte, ele percebeu onde era o meu hostel, acabando por me deixar nas imediações do mesmo. Como diria o nosso comentador político e “ex-prime minister”: “Porreiro, pá!” 😛

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Dujiangyan. “Esta é a minha praia!”

      

No dia seguinte, fui até Dujiangyan visitar a obra hidráulica mais antiga do mundo! 🙂 O fabuloso sistema de irrigação construído em 256 a.C. por Lin Bin e pelos seus conterrâneos, que demorou oito anos a concluir. Para lá chegar necessitei de andar duas horas de autocarro, uma dentro da imensa Chengdu e a outra para percorrer os setenta quilómetros que separam as duas cidades.   

       

Durante o dia, observei as visitas turísticas de bandeirinha em riste e senti-me diferente pois era o único ocidental entre multidões. 🙂 Vi um extraordinário exemplo de megalomanismo chinês, quando no topo da colina Yulei me deparei com seções e seções de escadas rolantes! :/ Ao percorrer esta fantástica obra de engenharia, vi a “modelação” operada no rio Min e toda a sua envolvente: as ilhas, as múltiplas pontes, os jardins harmoniosos e super bem cuidados, as margens e a cor da água do rio, os templos grandiosos e majestosos (Erwang e Fulonguan), os pavilhões, as muralhas e torres, a pagoda Yulei e senti-me um privilegiado. 😀 Aliás, foi mais intenso do que isso! Senti-me talhado para viajar! Para a vida de nómada! Se houve quem nascesse para ser pintor, escritor, padeiro, engenheiro, porque não há-de alguém ter nascido para viajar!? Este é o meu habitat, o meu ambiente. Esta é a minha essência. Esta é a minha praia! 😀

            

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Chengdu? Parques e Arranha-céus

  Arranha Céus      White

Depois da visita aos Pandas, voltei ao “centro” de Chengdu, capital da província de Sìchuān. Mas verdade seja dita, devido à vastidão da cidade é dificil encontrar-lhe o coração. 🙂 Há quem diga que está nas grandíssimas avenidas, fréneticas, cheias de pessoas, motos, autocarros e carros. Há quem diga que está em Wangfujin, nas lojas caras e requintadas das imediações e nos arranha-céus que quais gigantes começam a despontar em todas as direções. Eu digo que talvez esteja nos verdes e animados parques da cidade. Principalmente no People´s park, onde há danças, karaokes, coreografias a serem ensaiadas, bandas a tocar, partidas de xiang qi, majohong e cartas a serem jogadas e onde pessoas de todas as idades parecem convergir e partilhar parte do seu tempo. 😀

       

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Pandas, os Adjectiváveis. Estupidez, a Axiomática.

Para chegar ao centro de proteção dos pandas foi-me necessário apanhar dois autocarros. Nada de muito complicado, a não ser que…o vosso hostel vos dê uma informação errada! Assim, no jardim zoológico de Chengdu – local onde tinha de apanhar o segundo autocarro – andei a “patinar” durante uns minutos até me valerem: a boa vontade nativa, um papel e uma caneta. 🙂

         

Relativamente ao centro de proteção, o local é bastante agradável. Tem um lago com peixes e patos, caminhos verdes e tranquilos, flores, pavões e claro: Pandas! Gordos, peludos, pachorrentos, fofos, traquinas, engraçados, pretos e brancos, comilões, dorminhocos. Principalmente as crias. Um must!!! 😀

      
       

Para quem nunca contactou com eles, este é de facto o local certo, uma vez que é pedagógico e oferece-nos uma excelente oportunidade de aprendizagem.  A experiência foi por isso diferente e engraçada e só não achei muita piada aos rugidos que alguns chineses faziam para os chamar! Esses sim, uns autênticos animaizinhos! :/ Mas vamos ser justos: A estupidez é axiomática e é uma das poucas constantes desta vida, estando presente independemente do estrato social, da educação ou do país.

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Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

Apple/Mountain Boy

Depois do loooooongo périplo e finalmente já no quarto do hostel, conheci Wang, um rapaz de Pequim que nos primeiros instantes não largava o i-pad. A verdade é que durante o resto da tarde/noite ele acabou por ser a minha companhia e estivemos a falar durante horas sobre montanhas, sobre a China, maneiras de viajar (turística ou “não turística”), as minhas dificuldades de linguagem e alfabeto e o quanto esse facto me limitava a ir a certas zonas do país. Acabámos o dia, a jantar baozis (massa cozida a vapor com recheios de carne ou vegetais no interior), dumplings e um caldo doce (que não consegui fixar o nome). Antes de dormir ainda houve tempo para um passeio numa daquelas zonas do novo turismo chinês, do tipo: “quanto mais caro melhor!” e, ao olharmos para tudo aquilo, sentimo-nos como estranhos que observam curiosos os peixinhos dentro de um aquário. 🙂

            

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Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Quando a Bota, não bate com a Perdigota

Quando cheguei a Chengdu dirigi-me à zona dos autocarros para apanhar o BUS número 57, como “mandavam” as indicações tiradas da Internet para chegar ao hostel, e qual não é o meu espanto quando começo a procurar e… não existe nenhum BUS número 57 (pelo menos naquele local). “Oh diabo! Começamos bem!” Com os caracteres chineses na mão dirigi-me a um rapaz e mostrei-lhe o papel e apesar dele não falar inglês lá percebeu o que eu queria. 🙂 Com uma rapidez super-sónica a comparar caracteres, indicou-me um autocarro que parava naquele local. Entrei e mostrei o papel ao motorista que acenou que sim com a cabeça.

Começamos a viagem, autocarro cheio e eu posicionado estrategicamente para sair quando recebesse sinal. O problema é que o tempo foi passando, passando, passando e nada…”Oh diabo! Mas o hostel é assim tão afastado do centro?”. Quarenta minutos depois já pensava: “Mal por mal, acho que já prefiro que se tenham esquecido de mim.” Uma hora depois o autocarro estancou já só comigo a bordo e nessa altura, dirigi-me ao motorista que olhou para mim e fez uma cara que dizia tudo: “Epá! Esqueci-me completamente de ti!” A moral da história é que tive de sair do autocarro, apanhar outro com o mesmo número mas com outro motorista e… voltar a pagar o bilhete! Tempo e dinheiro perdidos na chegada a Chengdu, capital da província dos Pandas.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Xi´an – Chengdu. Andando…

Da viagem entre Xi´an e Chengdu não guardo memórias muito especias. Apenas dois ou três apontamentos me ficam na retina. O primeiro? Ser o único galo do galinheiro (compartimento de seis camas) e de ajudar as senhoras a arrumarem as bagagens. 😉 O segundo, uma conversa que tive com uma rapariga chinesa, durante a qual falámos sobre os locais que eu ía visitar na província de Sìchuān e de diferentes rotas possíveis. Mais uma vez reaprendi a ler o bilhete de comboio, inclusivamente os caracteres para escolher onde queria a cama (topo, meio ou baixo). Em terceiro, quando no dia seguinte vi finalmente e pela primeira vez, uma paisagem realmente verde na China! 🙂 Estava coberta de uma flor amarela que cobria campos e campos sem fim e se chama Youcaihua, esta, é muito característica das províncias de Sìchuān e Yúnnán.