Rota SW

Ato VIII – Reencontro no Pontal

Por volta das 4.00, com o amainar do “louco alquimista”, os pinheiros e a tela de nylon diminuiram finalmente o seu frenético e incessável oscilar, concedendo-me uma doce trégua. Já ao amanhecer, depois da arrumar o estaminé e tomar o pequeno almoço, tirei a selfie da praxe e rumei à praia do Canal onde pude observar a famosa pedra da Agulha mais de perto e o mar derramando-se sobre antigas falésias rumo a sul. Ao longo do trilho encontrei eucaliptais, serras intocadas, matos coloridos e aromáticos, serenos bosques de sobreiros, zambujeiros e carvalhos, várzeas cultivadas… a Primavera em ebulição. 🙂

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Cinco horas e meia depois de me ter posto ao caminho, estava na pequena aldeia da Bordeira e a cinco quilómetros da Carrapateira. A última fase do trilho, foi um autêntico carrossel levando-me por longas descidas e subidas no meio de serras e mato, até regressar à costa e finalmente poder contemplar toda aquela grandiosa paisagem: os múltiplos verdes da serra, os diferentes azuis do céu e do mar, os amarelos do gigantesco areal da praia da Bordeira. Fabuloso! Na chegada ao centro da vila, dirigi-me ao “Mini-Mercado Irene” para comprar mantimentos e informar-me onde poderia pernoitar. Prontamente, a simpática dona disse que podia dormir no telheiro da escola primária, mas que apenas para confirmação iria ligar ao Presidente da Junta. 😉 Com a chegada da “benção” oficial, ficou definido o local de dormida e quando finalizei o abastecimento, perguntei à senhora Irene se me podia guardar o monstrinho, enquanto percorria o circuito do Pontal da Carrapateira.

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Foi assim, que pela primeira vez fiz um trilho da Rota Vicentina aliviado do peso da “carapaça” extra. 🙂 Sendo com uma energia e alegria redobradas que trilhei aqueles fantásticos dez quilómetros! Na praia da Bordeira pude apreciar como o mar e o vento esculpiram harmoniosamente as dunas que estão em constante mutação e a exuberante vegetação  tomilho, perpétua, alecrim, rosmaninho, esteva… no pontal pude ver o contraste entre as nuvens cinzentas que cobriam a serra a Este e o céu azul que dominava a costa, e simultaneamente observar a NortePonta da Atalaia e a Sul o Cabo de São Vicente. ESPETACULAR! 😀

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À medida que caminhava para Sul em direção à praia do Amado, as falésias e arribas começaram a ganhar novas formas, uma vez que pela primeira vez apareceram rochas calcárias – buracos, cavernas, arcos e colunas – que contrastavam com os depósitos rubros de argilas vermelhas. Toda a paisagem era uma palete rica e variada, uma verdadeira explosão de cores: azuis – do céu e do mar; verdes – das serras e da vegetação; ocres – das argilas; castanhos e brancos – do solo; alaranjados, pretos, cinzentos e brancos – das falésias e arribas; roxos, amarelos, rosas – das flores. Que beleza! 😀 Quando estava a chegar à praia do Amado, passou por mim uma carrinha azul escura e de relance, pareceu-me conhecer a cara da condutora. Instantaneamente olhei para trás, vendo o veículo parado na estrada, o Freddy a correr na minha direção, e a Merriake e a Anette a sorrir! 😀 Foi deste modo, que no pontal, voltei a reencontrar a simpática família alemã, que conhecera no parque de campismo do Serrão! O Mundo é mesmo uma ervilha! 😉 Depois de alguns minutos de conversa animada, voltámos a despedir-nos com amizade e seguimos em direções opostas.

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Na última parte deste circuito, o trilho afastou-se ligeiramente da fantástica costa e everedou por uma verde paisagem de  montes, colinas, arbustos, flores e árvores até avistar no horizonte a alva aldeia, recortada no azul do céu e do mar. Um final em beleza para este loooooooongo dia, no qual percorri trinta e dois quilómetros entre a serra e o mar, me despedi de um viçoso pinhal nas imediações da praia da Arrifana e “atraquei” bem no centro da aldeia da Carrapateira.

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