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Crónicas

A Compra do Telemóvel

Antes de ir comprar o telemóvel, muni-me de “artilharia pesada” e preparei-me para o “combate”, trocado por miúdos, pedi à rapariga do hostel para me escrever num papel (em caracteres, pois claro): a) “Este cartão tem de ser detetado pelo telemóvel”; b) “Venda-me o telemóvel, mais barato que tiver na loja”. Com o papel mágico, comecei a minha peregrinação por todas as “capelinhas” de Xing Ping, antes de decidir que “vela” comprar. No final a escolha recaiu sobre um dual-SIM laranja e a cores, uma autêntica pérola do Oriente! 😛 Ou como me disse a rececionista do hostel: “Esse é um telemóvel para velhos”. Sim minha querida, sem dúvida, mas o importante é que este assunto está encerrado e eu tenho novamente acesso a um relógio, a um despertador e a algo que possa ser utilizado numa eventual emergência. Mission accomplished! 🙂

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Percalços Matinais

Acordei às seis da manhã com o objetivo de fazer um trekking até Shawan – três horas num sentido – porém para o iniciar havia que cruzar o rio e devido à inexistência de barcos – pelo menos àquela hora – e de informações manhosas – novamente? onde eu que já vi este filme? Ah! Isso mesmo no dia anterior – andei uma hora para trás e para a frente. Irritante! :/

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Para aliviar a irritação que sentia, decidi subir a colina Laozhai e em boa hora o fiz pois a luz matinal estava de facto bela. 🙂 A colina é bastante íngreme mas o problema principal é mesmo a falta de aderência dos degraus e a sua antiguidade, por isso… cuidados redobrados! De qualquer modo, a chegada ao topo da colina compensa o risco – que não é assim tão grande – pois a paisagem bem “aberta” sobre o rio e a vila é de facto majestosa e memorável. 😀

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Quando regressei à vila, vi que finalmente o barco já andava a cruzar o rio e finalmente lá o consegui atravessar, não sem antes o “capitão” me tentar cobrar um preço inflacionado e eu me rir à medida que lhe entregava o valor real. Claro que fruto do percalço com o barco, percebi que já não tinha tempo para ir até Shawan e decidi por isso ir até Tungjiao Tunnery – três horas em ambos os sentidos. Claro que falar é mais fácil do que fazer e por entre trilhos, pomares e campos de cultivo consegui perder-me. Andando junto ao rio, fui até onde me foi permitido pelo terreno. Aí o rio invadiu a terra e eu fui automaticamente travado, mas antes desse momento, ainda tive oportunidade de ver uma cascata, desbravar caminho por entre a floresta e ver um templo parcialmente construído numa caverna. 🙂 Fruto deste novo percalço percebi que não tinha tempo para mais improvisos e regressei a Xing Ping, com um novo objetivo em mente…  

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Xing Ping e o Campo

Na chegada à pequena vila de Xing Ping dirigi-me ao hostel e aí recebi um briefing sobre o que podia fazer na mesma e nos seus arredores. Depois de um pequeno almoço à base de dumplings, aluguei uma bicicleta montanha e parti rumo à descoberta das pequenas aldeias e campos de cultivo que rodeiam a vila.

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Durante o trajeto e devido à existência de múltiplos trilhos, tive que parar várias vezes e “perguntar” – apontar para o mapa – se estava na direcção certa e fruto das estradas de terra, lama e esburacadas qual um queijo suíço, das múltiplas plantações, dos camponeses com quem me fui cruzando e da paisagem coberta de verde, senti-me completamente embrenhado na China profunda, ou pelo menos na China rural. 🙂

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Quando regressei a Xing Ping entreguei a bicicleta e como ainda era cedo (16.00) resolvi fazer um pequeno trekking até à vila dos pescadores. Para encontrar o início do trilho ainda demorei algum tempo, pois para além da pouca clareza do caminho, na altura de pedir informações houve muitas opiniões contraditórias, um pandemónio! :/ Passada meia hora, lá dei com o trilho e a partir daí foi sempre a subir, com cuidado – aliás muito cuidado – pois as rochas eram extremamente escorregadias, por entre uma vegetação verdejante e uma paisagem envolvente bela. 🙂 Por essa altura reparei que o telemóvel estava com problemas e resolvi desligá-lo, por um bocado.

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Quando cheguei ao topo, o céu estava azul e eu desci um pouco a colina para ver como era a paisagem do outro lado: a larga curva do rio, a água a refletir os raios de sol, as nuvens, a aldeia com os seus barcos nas margens e belas as colinas de pedra, cobertas de vegetação. 🙂 No caminho de regresso confirmei que de facto o telemóvel não se ligava e fiquei irritado com a situação – gastar mais dinheiro, sem “necessidade”  aparente – mas lá relativizei a questão e percebi que a única coisa que havia a fazer era resolver o “problema”. Passado esse momento de frustração momentânea, voltei a apreciar a paisagem mas sempre concentradíssimo, para garantir que não haveria nenhum acidente na descida até Xing Ping, a vila do rio, a vila das verdes colinas de pedra, a vila do… campo. 😀

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Guangzhou – Xing Ping. Welcome to the Countryside!

Logo no início da viagem para Yangshuo, conheci um rapaz sueco com quem estive a falar durante uma hora. Depois disso adormeci, mas num estado de semi-consciência senti o autocarro a oscilar em estradas secundárias, a acelerar por entre camiões, arrancar qual um carro de rally e a parar longamente devido a engarrafamentos e obras na estrada. A meio da noite e sem qualquer aviso prévio, tivemos de mudar de autocarro e depois desse momento made in China só voltei a acordar quando o dia já rompia por entre as trevas, e fruto da bela paisagem que me rodeava, comecei a deleitar-me com a visão de montes/colinas verdes que brotavam do solo, quais árvores de rocha. 🙂 Como curiosidade, refiro que quando abri os olhos pensei que era noite cerrada, porém passados poucos momentos e quando vi os primeiros raios matinais, percebi que acordara num túnel. 😛 Assim que cheguei a Yangshuo parti para Xing Ping e a viagem foi efetuada numa estrada de terra batida, cheia de buracos, camponeses, campos e montes verdes e água, muita água… Xing PingWelcome to the countryside, my friend!

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Crónicas Fotografia

Guangzhou. Calor e Tempestades

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Nos dias que passei na terceira maior cidade chinesa, esclareci as minhas dúvidas relativamente à rota a tomar após deixar a cidade; visitei parques, jardins e tive dois encontros maravilhosos com as suas distintas faces (a Guangzhou clássica e a Guangzhou contemporânea); fui entrevistado via skype – ou foi mais uma conversa de amigos!? 🙂 ; bebi pela primeira uma refrescante e deliciosa água de coco 🙂 ; tirei múltiplas fotografias; fui abraçado “ternamente” pelo seu abafadíssimo calor e abençoado algumas vezes, por chuvas absolutamente torrenciais e por céus rasgados e iluminados por relâmpagos gigantes. 😉

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Hong Kong – Guangzhou. Hello China! See you again

Quando saí do hostel dirigi-me para a estação de comboios, Hung Hon e antes de sair da cidade aproveitei para comprar comida – “despachando” desse modo os dólares de HK que ainda me restavam – e ver o meu passaporte ser controlado mais uma vez. Durante a viagem aproveitei para comer e organizar algumas coisas pendentes, senti-me cansado e a partir de certo momento observei a chuva que caía pesadamente. Já em Guangzhou, o meu passaporte foi novamente controlado, desta feita pelas autoridades chinesas e nesta segunda entrada? No problem… Hello China! See you again… 🙂

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Macau – Hong Kong. Night Boat

Fui deixado no terminal à 1.00 onde tive de esperar pelas 2.30 pois o barco da 1.30 apenas tinha disponíveis, lugares de super class – bastante mais dispendiosos que os lugares regulares – e aguardei… aguardei… aguardei pela entrada no barco e finalmente pude fechar os olhos pelo menos durante o tempo da viagem. Em HK, saí do terminal às 3.40 e como não havia autocarros disponíveis pelo menos durante as próximas duas horas, andei… andei… andei pelas ruas quase desertas da cidade e às 4.20 cheguei finalmente ao hostel, suado e a necessitar de um banho fresco…

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Reencontro à Mesa, Entrevista e Viagem Noturna

Reencontrei-me com JRD no final da rua da Tribuna e à distância reparei que trazia companhia – um jornalista do seu jornal. Feitas as apresentações, seguimos pela praça do Senado e na travessa de São Domingos encontrámos o nosso poiso, o restaurante Boa Mesa. Aí tivemos um excelente jantar – uma mesa portuguesa, concerteza – e o repasto consistiu em bacalhau à brás, pão quente, azeitonas, cervejas e café e… uma conversa que se veio a revelar “mitológica”! 😀 Durante o jantar, percebi finalmente que a vinda do jornalista tinha como objetivo, entrevistar-me e na praça do Senado – quarta vez nesse dia – tirámos fotografias e continuámos a entrevista, ou seria uma conversa de amigos!? 🙂

IMG_3592 (FILEminimizer)Daí seguimos para o Tribuna de Macau, onde continuei a conversar com JRD durante horas e com ele continuei a aprender e a analisar a China e Macau de uma perspetiva mais rica e profunda. 😀 Na despedida da redação recebi dois derradeiros presentes, um livro com ditos de Confúcio e um passeio noturno até ao outro lado de Macau – Taipa, Coloane e Cotai  nova zona da cidade onde construíram os grandes casinos que a transformaram definitivamente e a puseram no topo mundial do jogo – e na viagem de regresso à “velha” Macau fui deixado no porto dos “ferries”, com a “barriga” a rebentar de um dia tão cheio. 😀

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Encontro em Macau

Na Tribuna de Macau fui recebido calorosamente pelo JRD com quem estive cerca de quarenta minutos à conversa e combinámos reencontrar-nos às 20.00 para jantar. 🙂 Desse modo e como tinha tempo continuei a visitar a cidade.

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Perto da biblioteca Sir Robert Ho Tung encontrei uma verdadeira praça Portuguesa, com direito a quiosque verde e tudo. 😉 Enveredei então pela rua do Gamboa onde encontrei o Seminário de São José e a igreja de São Lourenço e depois segui pela rua do Padre António até à agradabilíssima praça do Lilau, subi até à igreja de Nossa Senhora da Penha e do seu miradouro pude ver a torre de Macau e a ponte Sai Von. Daí desci até ao templo da Barra (ou A-Má) e na rua batizada com o mesmo nome observei o bonito Quartel dos Mouros – datado de 1874. 🙂

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Voltei à praça Lilau donde parti em direção aos lagos Nam Vam e aí pude observar o skyline – ou parte dele – de Macau. Segui até encontrar a avenida da Praia Grande e na avenida do Comércio de Macau entrei no meu primeiro casino, o Grand Emperor onde pude  observar o luxo e o clima que rodeia as mesas de jogo, principalmente Bácara. Na avenida Dr. Mário Soares encontrei a estátua de homenagem a Jorge Álvares – primeiro português a pisar Macau – e já na praça do Senado aguardei pela hora marcada ao mesmo tempo que vi a luz do dia a metamorfosear-se… 🙂

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Macau. Cheiro a Portugal

O ferry para Macau, ou melhor dizendo o barco rápido demorou uma hora redondinha a efetuar a viagem e durante a mesma, fruto da elevada quantidade de salpicos, não me foi possível ver nada. Antes de colocar o pé, num território que já foi português o meu passaporte teve de ser controlado, à semelhança do que ocorreu em HK, antes de embarcar.

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Na chegada, o dia estava agradável e fui recebido com sol, céu azul e calor – felizmente mais suportável do que em HK 🙂 – e a primeira visão “portuguesa” que tive foi descortinar um arranha-céus dourado no horizonte e batizado de “Grand Lisboa”. Segui pela cidade e as primeiras coisas que me despertaram a atenção foi observar que os carros conduzem pela esquerda à semelhança de HK e as ruas têm nomes em português. 

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O primeiro local que visitei foi a colina da Guia e a sua fortaleza, cujo interior alberga uma bela capela – construída entre 1622 e 1638 – e o farol – datado de 1865 – e à medida que percorria este local, lembrei-me dos meus heróis juvenis de Uma Aventura e que puseram a minha mente a viajar por Macau, muitos anos antes de aqui chegar fisicamente. 🙂

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Da colina até à praça Tap Seac foi um pulinho e aí tive pela primeira vez contacto com a bela calçada portuguesa e com um grupo de pequenos escuteiros. 🙂 Antes de encontrar o cemitério, passei pela magnífica rua de São Roque, onde se podem encontrar charmosos edifícios de traço português e as bonitas igrejas de São Roque e São Lázaro – que estavam fechadas – e pelo “jardim” Vasco da Gama. Quando cheguei ao cemitério, as suas paredes imaculadamente brancas estavam a ser pintadas de verde água e não fora o aparecimento de caracteres chineses e retratos com olhos e feições asiáticas nas campas iria jurar que estava em Portugal. 🙂

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Daí segui até ao Parque Luís de Camões, onde encontrei o “Luís”  acompanhado dos seus primeiros versos de Os Lusíadas; vistas da cidade e velhotes a jogar às cartas ou sentados a conversar e a bonita casa Jardim onde se localiza a delegação da Fundação do Oriente de Macau. A caminho das ruínas de São Paulo, passei pela igreja de Santo António – construída antes de 1560 e reconstruída em 1875 e que assinala o local onde os Jesuítas se instalaram na cidade – e pelo pequeno templo de Na Tcha – 1888. Quando cheguei às ruínas, a sua escadaria recebeu-me de “braços abertos” e rodeou-me de hordas de turistas. :/ Sem me demorar longamente, segui para o forte do Monte -construído entre 1617 e 1626 – onde pude voltar a contemplar Macau do alto e visitar o interessante e pedagógico museu da cidade. 🙂 Prossegui pelas ruas de São Paulo  super-turística e atulhada de pessoas – da Palha e São Domingos até à catedral, onde fiz a minha chamada para o JRD, diretor do jornal, e combinei passar pela redação, percorrendo antes a palpitante e fascinante praça do Senado. 🙂

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