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Niubeishan no Anfiteatro das Montanhas

Ato II – Trekking para o Topo

O início do trekkingAcordámos cedo (6.30) para ver nascer o sol e depois de tomarmos um pequeno-almoço reforçado, partimos por volta das 8.00 para o trekking, acompanhados da nossa guia e de um pequeno grupo de cinco jovens chineses.

       A caminho (2)

Deixámos Yujin para trás e fomos percorrendo caminhos em montanha, trilhos junto a riachos (numa passagem entre margens consegui escorregar e cair – mas sem gravidade), passámos por aldeias semi-desertas, campos de cultivo, florestas, terrenos secos, terrenos lamacentos (num desses locais escorreguei e cai de novo de rabo no chão… 😛 ), terrenos gelados e cobertos de neve. À medida que subíamos em direcção à montanha Niubeishan (牛背山) (sem a vermos, contudo) e íamos olhando para trás, o nosso horizonte de picos brancos foi-se alargando progressivamente. O único ponto negativo durante este percurso foi a quantidade de lixo que fui vendo ao longo do caminho (nas questões de ecologia os chineses ainda têm um longo caminho a percorrer). :/

Friends      Kiri e Nubeishan

Por volta das 13.00 chegámos a uma casa à beira da estrada e nessa altura avistámos pela primeira vez o nosso objectivo: o pico da Niubeishan (3666 m). Aí retemperámos forças e almoçámos um belo pitéu. 🙂 Às 14.00 estávamos de volta ao trekking, já sem a nossa guia que entretanto regressou a Yujin, restando-nos apenas escalar a montanha. Aos poucos lá fomos cortando o declive e encontrando o caminho por entre rochas, neve e terra. Houve algumas partes um pouco mais difíceis, mas nada que não se resolvesse com um pouco de tenacidade e preseverança. Atingimos o pico entre as 15.30 e as 16.00 e passado pouco tempo soube que fora o primeiro estrangeiro a atingir tal ponto a pé (informação dada por pessoas que trabalhavam na montanha). Claro que me senti super feliz, nestes momentos o ego é “tramado”. 😛

     

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Niubeishan no Anfiteatro das Montanhas

Ato I – Em trânsito: Leng Qi – Yujin

Depois do Xiaoling me explicar o seu plano num PC de um cyber-café (escrevia em chinês e a internet traduzia para inglês e eu fazia o processo inverso) e de eu mandar uns e-mails a sossegar a minha família, partimos num táxi-mota montanha acima até Yujin (uma pequena aldeia).

Confesso que em certas alturas do percurso tive um certo medo: a mota estava carregadíssima (três pessoas, duas mochilas de campismo e uma mochila pequena), ninguém tinha capacete, a estrada era cheia de curvas, esburacada e tinha pedregulhos nas bermas. À medida que o caminho foi percorrido começaram a surgir árvores com flores de diferentes cores (brancas, cor-de-rosa, amarelas e verdes) entre as quais se deixava adivinhar o vislumbre das neves longínquas e o medo esse, desapareceu, dando lugar ao maravilhamento. 🙂 A aldeia de Yujin encaixa-se bem no meio da montanha e está rodeada com campos de cultivo. Saudaram-nos os rostos sujos e envergonhados das crianças, as anciãs e anciões de cachimbo na boca, as árvores em flor e os picos brancos como pano de fundo, entre eles o todo-poderoso Gongga (7556 m). 

Fomos recebidos por uma família. Com eles jantámos uma maravilhosa comida caseira, fizemos serão, bebemos vinho chinês (50 ºC), fumou-se um cigarro depois do jantar e ouviu-se um ditado chinês: “Um cigarro depois da refeição, sabe a nozes”. 😛 Vi os rostos felizes das pessoas à nossa volta, e mesmo não falando ou percebendo chinês adorei este momento. Nele percebi a importância que as refeições têm neste país. A comida como sinónimo de partilha e convívio, estreita os laços da família e a família na China é a chave de toda a cultura. 😀

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Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Em trânsito: Chengdu – Leng Qi. Dia D

Este era o dia D, o dia em que me ia encontrar com Xiaoling, embora não soubesse exatamente onde. Quando estava já dentro do autocarro tinha a certeza quase absoluta que tudo ia correr bem, uma vez que o Li pôs o motorista e o Xiaoling ao telefone de forma a combinar o nosso encontro.

A viagem ligou Chengdu a Leng Qi, isto apesar de ter bilhete para Lu Ding. Durante o tempo que durou a viagem (sensivelmente sete horas e meia) aproveitei para escrever no caderno e ao observar a paisagem fui registando o que via: cidades literalmente no meio da vegetação e socalcos de Youcaihua, a planta amarela que está espalhada por toda a província de Sichuan e cujas sementes são utilizadas para fazer óleo de culinária. Quando saímos da auto-estrada a via piorou substancialmente – curvas, buracos, buzinadelas, pessoas a vomitar, o rio e laranjais intermináveis.

Quando cheguei a Leng Qi, o Xiaoling entrou dentro do autocarro para me apanhar e eu saí com ele. 🙂 Foi nesse momento que olhei em volta e vi que estava mesmo numa pequena vila no interior da China profunda.

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Banquete à mesa. Indigestão Informática

Depois dos dois dias desgastantes mas memoráveis em Emeishan, tivemos um banquete no regresso a Chengdu: chá, arroz, galinha picante com amendoins, porco com vegetais, entremeada frita duas vezes e umas batatas finíssimas. Delicioso! 😀 Ainda neste dia e depois de regressarmos ao hostel o computador deixou de trabalhar e Li disse-me que o problema era possivelmente o disco rígido. A ver… nos próximos “episódios”.

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Emeishan. Montanha Budista

Ato II – A Descida e Os Macacos

Antes do nascer do sol, acordei e dirigi-me novamente ao Jin Ding – “quem corre por gosto não cansa” – mas a tentativa de ver nascer o astro rei foi novamente frustrada pelo nevoeiro. Não tão intenso como no dia anterior, pois desta feita era possível vislumbrar a enorme estátua de Samantabhadra no topo, mas mesmo assim intenso. De qualquer modo fiquei feliz por observar que as bandeiras colocadas no dia anterior, apesar de congeladas ainda estavam no mesmo local. 🙂

Ao amanhecer

             Detalhe de uma porta

Por volta das 8.00 começámos a descida num bom ritmo, uma vez que durante a tarde tínhamos de apanhar um autocarro para regressar a Chengdu. Às 10.00 já estávamos no “Elephant Bathing Pool” e depois de um engano no caminho que nos levou para uma rota bastante mais longa, tivemos um infeliz encontro com uma das famosas tribos de macacos de Emeishan. :/

Nesse encontro, o Li foi assaltado pelo “rei” que reclamou posse imediata da sua mochila e de todo o seu conteúdo. Durante meia hora assistimos a um espectáculo de destruição e agressividade! :/ E se ao observar as traquinices dos pequenos símios, não pude deixar de os olhar com alguma ternura, o mesmo não posso dizer em relação ao “rei”! Uma vez que em mais de uma ocasião, senti raiva pelo macaco e o meu instinto era claro, apredejá-lo ou dar-lhe uma “coronhada” com um pau! Felizmente para nós, passado esse tempo – que pareceu interminável – o “rei” fartou-se e de todos os itens destruídos, felizmente a máquina fotográfica, o dinheiro e os documentos do Li passaram incólumes.

      

Sem nada a fazer, continuámos o nosso caminho em direção ao Mosteiro do Pico Mágico (1752 m) e ao Venerável Terraço das Árvores (1120 m). Ao longo do percurso observámos a riqueza natural da montanha e dei graças ao engano que nos fez continuar a descobrir toda a beleza da mesma. Antes de chegarmos ao Pavilhão de Qing Yin (710 m) ainda tivemos mais um “date” com macacos, tentando passar por eles sem lhes dar muita importância, algo do género “vocês aí, nós aqui”, mas mesmo assim um macaquito ainda me saltou para as costas/pescoço quando passei por ele. Uns metros mais à frente, finalmente, percebemos que o problema em Emeishan não são os macacos mas as pessoas que lidam com estes: as que tiram fotografias com eles como adornos; as que os alimentam; as que fazem deles um negócio,  habituando-os à presença humana da pior maneira possível. Resultado? Os macacos tornam-se uns autênticos demónios! :/

Serpente      Flores no mosteiro

Já na fase final da descida encontrámos a parte mais descaracterizada e feia da montanha. A montanha humana e a montanha como negócio e comprovámos que se a ascensão for realizada a partir de Wuxiangang (portão mais distante do Jing Ding) é muito mais dura e difícil não sendo possível realizá-la apenas num dia, uma vez que a nossa descida – trinta e quatro quilómetros – foi realizada em sete horas. Quando saímos da montanha, apanhámos mesmo “à pele” um autocarro que estava de partida para Baoguo, a vila do Teddy Bear hotel e onde deixámos os nossos “monstrinhos”.

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Emeishan. Montanha Budista

Ato I – A Ascensão e o Nevoeiro

Antes da partida para um dos portões de acesso à montanha, eu e o Li tomámos um pequeno-almoço reforçado, desta vez uns noodles bem picantes cheios de carninha e umas bolas de milho de massa pastosa muito pegajosa e consistente. Ainda na vila apanhámos um “táxi manhoso“ – nome pelo qual comecei a batizar os carros privados que fazem transporte de pessoas – que ficou ao mesmo preço de um autocarro público para Wannian. 🙂 Esta é a entrada que fica mais próxima do pico de Emeishan e serve quem tem poucos dias para fazer a ascensão e a descida – que era a nossa situação: apenas dois.

A ascensão do Monte Emei começou às 10.00 a partir de Wannian e daí até ao pico, Jin Ding (Pico Dourado) distam trinta e três quilómetros A surpresa inicial foi a vegetação luxuriante e completamente verde que cobria a montanha, ao contrário de Huashan por onde já tinha passado, muito mais árida, rochosa e de faces escarpadas. Para além dessa diferença e enquanto a Huashan era sagrada para os taoístas, Emeishan é uma das quatro montanhas sagradas do Budismo na China e destas a mais elevada.

A primeira parte da ascensão, a chegada ao Mosteiro da Longa Vida, onde almoçámos por volta das 13.00 com direito a passagem pelo templo de Wannian, não se revelou nada problemática. As dificuldades começaram quando iniciámos a subida para a “Elephant Bathing Pool” (2070 m) e daí em diante, primeiro para o “Jien Hall” (2540 m) e seguidamente para o Mosteiro Woyuen – muito próximo – do Jin Ding. Aí sim! A montanha conseguiu revelar todo o seu poder “destrutivo” e “demolidor” quer em distância, quer em grau de dificuldade. :/ As inclinações bastante elevadas durante longos períodos de tempo e algum gelo nos degraus fizeram com que atingisse o meu limite por volta das 16.30-17.00, quando o cansaço físico e mental era elevado e ao bater com biqueira da bota num dos milhares de degraus palmilhados larguei um F*%&-@$ das entranhas, algo como: estou farto de subir, estou farto da “P#$%” desta montanha!

      

Quando chegámos ao pico (3077 m) cerca das 18.00, estava um nevoeiro cerradíssimo e o caminho dourado não era mais do que um jogo de dourados, brancos e cinzas e os doze elefantes que guardavam a escadaria, a estátua do topo (Samantabhadra) e o enorme templo eram praticamente invisíveis. :/ Para além disso e nessa altura começou a nevar e o vento a soprar com intensidade, o que não ajudou em nada a colocação da bandeira e o encerramento do capítulo roubo – consciência – compensação.

     

A descida para o mosteiro onde dormimos e que ficava apenas a quinze minutos do topo, realizou-se já na penumbra total e envolta num mar de nevoeiro. Quando aí chegámos, deparámo-nos com as portas do templo parcialmente fechadas e com o som de cânticos/surdas budistas, ritmadas ao som de tambores e de um sino, que tocava esporadicamente. Após o fim das orações e de uma espera de quarenta e cinco minutos, lá conseguimos colocar as malas no quarto espartano e principalmente lavar e repousar os pés numa tina de madeira com água a ferver. Às 20.30 já estava na caminha, bem durinha por sinal mas bem quentinha, a dormir o merecido sono dos andarilhos. 😀

      

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Teddy Bear Hotel. Comunicação, Conforto e Jantarada

Ainda nesse dia partimos para Emeishan, que fica apenas a quarenta minutos de viagem de Leshan e ficámos alojados no Teddy Bear Hotel. Apesar de apenas termos passado aqui uma noite, este local ficou na memória por diversos motivos, a saber: no nosso quarto dei de caras com um casal de suecos com os quais me “tranquei” na conversa em bom inglês e sem problemas de comunicação; a cama em formato king size e o colchão bastante confortável; a net super rápida e estável e por último mas não menos importante, a bela jantarada chinesa com o Li e com outro rapaz chinês, mais um hóspede do nosso quarto, Lin Wei, que gostava de ser tratado por Xiaoling. Tofu, batatas cortadas muito finas, coelho, porco, arroz e cervejas fizeram parte do repasto. Depois de ter aproveitado para falar com a minha família via skype combinei encontrar-me com o Xiaoling dali a três dias noutro local da província de Sichuan. Desta feita, com o propósito de viajar com ele por uma China mais interior e mais profunda, alterando para isso a minha rota. Em que resultaria tal combinação? Isso, era o que eu desejava saber. 🙂

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Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

O Buda Gigante e o “Monstrinho”

O dia começou no autocarro para Leshan, onde tive mais uma pequena aula de chinês com o Li Xiaoling, um rapaz que conheci na noite anterior já em Chengdu e depois de regressar do parque natural de Jiuzhaigou. Quando chegámos à cidade apanhámos uma carrinha privada – preço idêntico ao autocarro público – que nos levou para zona do Buda, porém a paragem terminal foi feita em frente a um restaurante onde nos tentaram impingir comida e uma viagem para Emeishan. Típico! :/ Neste dia houve uma novidade… Foi a primeira vez desde o início da viagem que carreguei durante todo o dia o meu “monstrinho”, nome com o qual baptizei “carinhosamente” a minha mochilona. E mesmo assim tive sorte porque o Li ajudou-me ao levar a mochila do material eletrónico, que não estava tão leve quanto isso. Lá está, mesmo numa situação menos favorável, o português tem sempre sorte! 😉

      

Durante o dia e passo a passo, visitámos o Buda de Leshan e a área envolvente. E mesmo com o “monstrinho” às costas afirmo que adorei visitar este local. 🙂 Primeiro, recebi o impacto “clorofilino”,  fruto da vegetação luxuriante que nos rodeava. Depois, a extraordinária cor dos templos, pavilhões e muros circundantes de um ocre antigo cheio de profundidade e de textura, a tranquilidade da maioria dos locais, apesar do espaço ser super turístico, as pequenas cavernas, fruto do labor humano e onde me deparei com a frase: “It is easy to draw ghosts, but difficult to draw dogs and horses” (É fácil desenhar fantasmas, mas difícil desenhar cães e cavalos) e que estava relacionada com o facto dos cães e dos cavalos serem os guardiões das almas. Por último e claro, o impacto da presença massiva do Buda.

       

Junto com as multidões chinesas, descemos um penhasco de rocha laranja, abrupta e parcialmente esculpida com relevos, nichos e aberturas e que à distância parece uma aldeia. Observámos o rio verde que corre aos pés do Buda e onde circulam freneticamente barcos turísticos que permitem uma vista frontal do local. E na descida o Buda de Leshan revela-se e agiganta-se. Com setenta e um metros de altura e pontuado pela vegetação que cresce no seu colo, ombros e corpo, como que das suas vestes se tratasse, o grandioso buda molda-se na rocha que lhe dá vida. Quando chegamos à base da estátua, o Buda imponente toma conta de todo o espaço, só temos olhos para a sua dimensão e verificamos que somos mais pequenos que o seu dedo mindinho. É aqui, que sentimos realmente o Buda de Leshan. 🙂

      

Sentir é a palavra certa. O Buda não se vê ou observa, o Buda sente-se! 😀 Penso que não há palavras que consigam realmente definir o que foi estar lá. Mas fazendo uma pálida tentativa, para o leitor não ficar no zero absoluto, posso afirmar que me senti ínfimo, uma partícula mínuscula, algo frágil e fugaz, constituído por ossos, sangue e carne, matéria viva que um dia morrerá. Senti o peso da mortalidade humana. Mas tal não me esmagou. Morte é morte. Vida é vida. E enquanto houver vida, há a esperança e a alegria de podermos sentir. Só assim estamos vivos, só assim somos humanos. 😀

      

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Crónicas Em trânsito Reflexões

Validades

No dia de regresso a Chengdu, ao comprar uns mantimentos para a viagem, reparei pela primeira vez que todos os produtos que comprara estavam fora de validade, inclusivamente o leite. Mas não se pense que era uma ou duas semanas. Não! Meses! No caso do leite, quatro meses! Fiquei a pensar se tal seria consequência do afastamento do parque natural ou se seria uma situação generalizada e decidi que nas próximas oportunidades iria investigar esta questão. 😛

P.S. – Apenas como curiosidade para o leitor. Sim! Acabei por consumir todos os produtos que comprei e não… Não senti nada de anormal no meu organismo! 🙂

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Jiuzhaigou, Fairy Tale

Ato III – Silêncio, Roubo e Consciência

O início do segundo dia no parque foi mais relaxado e apenas fiz a minha entrada às 11.00. O meu plano do dia anterior, foi logo morto à nascença e assim que entrei fui encaminhado para a estrada, por uma funcionária que me olhou furiosa porque eu não tinha comprado o bilhete para os autocarros.

      

Passado um quilómetro e meio de ir rente à estrada, uma vez que o trilho estava fechado, vi uma bifurcação e uma placa a anunciar templo e encaminhei-me para lá. Quando cheguei, deparei-me com uma grande área em reconstrução, completamente deserta e silenciosa. 🙂 Estava dado o mote para o que seria o meu dia. Nas traseiras do templo havia um trilho que não estava cortado – suspeito que por esquecimento – e enveredei por aí experimentando o parque numa dimensão totalmente renovada, a dimensão do silêncio. 😀 Durante as restantes horas que passei no seu interior e nos quilómetros palmilhados – algures entre catorze e dezasseis – vi locais que foram uma novidade e outros que foram uma repetição do dia anterior, porém mesmo esses observei-os com outra atenção e de uma outra perspetiva.

      

Apenas parei um pouco, quando me sentei num passadiço com as botas imersas na água que corria e aí comi uma maçã e um chocolate, foi um momento agradável e tranquilo, como todos os momentos desse dia. 🙂

      Passadiço       Na Aldeia...

No caminho de regresso, ainda tive tempo para apanhar um susto com uma cabra  que surgiu do nada no meio do trilho – som de galhos a quebrar no meio da floresta e do silêncio absoluto – e para observar umas bonitas e coloridas bandeiras budistas que estavam no meio da floresta. Porém ao observá-las senti-me tentado a ficar com uma delas e quando dei por mim já tinha cortado a corda inteira – com o meu canivete – e estava pô-las dentro da mochila. Resumindo, estava a roubar! :/ Assim que o fiz, senti-me logo de consciência pesada e arrependido do meu ato e só encontrei um pouco de paz quando passados alguns minutos me  lembrei de uma ação compensatória. Devolver as bandeiras no topo de Emeishan, uma das quatro montanhas sagradas do budismo e um dos meus futuros destinos.