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Em trânsito: Hong Kong – Lisboa. Viagem a Portugal

A viagem para Portugal, começou no autocarro que me levou do centro de Hong Kong para o monumental, limpo e assético aeroporto da região. E o meu primeiro passo foi fazer o check-in da bagagem diretamente para Lisboa e continuar a escrever no caderno. A viagem Hong Kong – Lisboa teve múltiplos voos. Três para ser exato e duas escalas. No voo Hong Kong – Pequim, conheci um casal de brasileiros com quem falei durante quase toda a viagem. Na escala em Pequim, troquei yuans por doláres de HK com eles e mais uma vez pude observar a burocracia chinesa no seu melhor – confusão de selos para passaporte e bilhetes de avião; e esperei loooooongameeeeente pelo segundo voo.

No voo Pequim – Amesterdão, houve ligeiro atraso na partida, andei de autocarro… muuuuitooooooo tempo e com isso tive a noção da imensidão do aeroporto. Dormitei durante algumas horas, escrevi no caderno, vi uma paisagem que me deixou muitas dúvidas para perceber o que estava a ver – nuvens ou montanhas geladas e ainda hoje me questiono se seria real 🙂 e tive uma aterragem mágica, com nuvens de diferentes texturas e densidades – algodão doce, fiapos, superfícies geladas, pináculos quais florestas de lanças – reflexos do sol dourado, o mar de cor negra, as casas, as florestas escuras, as plantações viçosas, as estradas, as fábricas e o fumo. 😀 Já em terra o espetáculo continuou e vi uma fábrica em contra luz, fumo e nuvens, o céu azul, múltiplos e incontáveis cinzentos com dourados em alguns pontos… Foi uma das paisagens mais belas que alguma vez presenciei! 😀

Quando cheguei a Amesterdão era meio-dia e um quarto, porém fruto da diferença horária entre Pequim e Amesterdão tive que voltar às 6.15. Portanto, neste dia fui como o John Stewart, o homem que viveu duas vezes, no meu caso duas vezes, seis horas – das 6.15 ao 12.15 – 😛 e na escala de Amesterdão, aguardei mais uma vez pela passagem do tempo. No voo Amesterdão – Lisboa, tive a última etapa da viagem. Escrevi no caderno, percebendo que apenas o iria conseguir acabar de atualizar já em solo Luso e  tive uma aterragem cheia de vento e turbulência. Na chegada não tive a noção que realmente tinha regressado e que naquele momento o solo que pisava era o do nosso país, Portugal. Acho que só comecei a perceber tal facto quando comecei a ouvir a nossa língua e tudo escrito em português e… mesmo assim… lentamente.

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Em trânsito: Lisboa – Pequim. Micro Planeta

A viagem para Pequim iniciou-se no aeroporto de Lisboa. Aliás, começou com um momento de puro acaso em plena Avenida do Brasil, quando dei de caras com um amigo com quem tinha combinado encontrar-me no aeroporto. A despedida das pessoas que estavam na Portela foi intensa, mas ao mesmo tempo reconfortante porque reaprendi a importância da amizade e do amor.

Graças à tecnologia moderna que é o avião, perdão máquina de viajar no tempo. Entrei em Lisboa às 19.25 (de terça feira) e saí em Pequim às 9.30 (de quinta feira). A viagem no total durou 36 horas, com 12 horas e meia de viagem, 8 horas de distorção temporal e o restante número de horas para escalas.

A viagem foi loooooooonga e só não foi mais cansativa devido ao facto de em Barcelona ter marcado um hostel para passar a noite. Porém, consequência da preocupação de na manhã seguinte ter de apanhar o avião para Pequim (com escala em Moscovo) não consegui dormir bem, acordando “n” vezes ao longo da noite. Ainda relativamente ao descanso ou ausência dele, posso adiantar que quando saí do avião em Pequim o único descanso que tive foram essas horas mal dormidas de Barcelona. Os voos foram como quase todos os voos são: entra-se por um tubo ou um autocarro e sai-se por uma dessas vias; limpo; asséptico; ar pressurizado; algum ruído de fundo constante; micro refeições; mantas de retalhos vistos do céu: oceanos de neve, micro montanhas, micro cidades, micro carros. Quando a noite e a escuridão invadiram a terra deixaram por debaixo do avião apenas um manto negro e opaco, para o amanhecer e a luz do dia revelarem novamente o mundo em miniatura, igualzinho aos globos de vidro que povoam as nossas memórias de infância.